Thiago de Aragao

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Divisão Política Interna afeta Governabilidade de Kirchner

In Uncategorized on junho 27, 2005 at 11:40 am

A cada dia que passa o governo do presidente Nestor Kirchner se mostra mais preocupado em relação as suas ambições nas eleições presidenciais de 2007. O candidato do Partido Justicialista (Peronista) para o governo é o braço direito de Kirchner, o ministro da Economia Roberto Lavagna. Porém, apesar da aprovação ao governo de Kirchner, a campanha de Lavagna será muito mais difícil do que se pensava. A desarticulação partidária e a falta de reação frente às movimentações da oposição prometem ser os principais desafios que os peronistas enfrentarão.
Entre os possíveis candidatos que concorreriam com Lavagna, se destaca o radical ex-presidente Raul Alfonsín, que ainda não definiu se irá se aproximar com a Unión Cívica Radical (UCR), partido de oposição ao Justicialista ou a uma coligação menor de partidos de centro-esquerda. A dificuldade de se lançar candidato pelo UCR é a de que o presidente do partido, Angel Rozas quer se lançar como presidente. Apesar de discussões se o partido entraria com dois candidatos, o mais provável é que Alfonsín integre a coligação dos menores.
Um importante aspecto que está a prejudicar de forma contundente a organização política no partido de Kirchner assim como as imagens do partido para as próximas eleições, são as freqüentes rusgas que se intensificaram entre o chefe de governo da Capital Federal, Aníbal Ibarra e Nestor Kirchner. Apesar de serem do mesmo partido, Ibarra critica muita a intervenção que Kirchner faz em seu governo. Comentários negativos feitos em vários jornais argentinos a respeito do governo do presidente, colocou Ibarra em saia justa dentro do Partido Justicialista e tem alimentado o poder de fogo que a oposição busca para atacar o governo nas próximas eleições.
Recentemente Ibarra disse ser vítimas de “ameaças desestabilizadoras” que desejam tira-lo do cargo. Há tímidas manifestações de membros do governo que apóiam o presidente Kirchner para que Ibarra entregue o cargo, algo já descartado por ele. Porém, após seguidas críticas a Kirchner, Ibarra preferiu manter o silencia em relação a quem movimenta essas forças. Ibarra se tornou o “fiel da balança” na política interna Argentina, sendo ele o pólo que divide aqueles que estão com o governo daqueles que estão contra o governo.

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Eduardo Veltzé – Novo Presidente da Bolívia

In Uncategorized on junho 15, 2005 at 4:37 pm

A escolha do novo presidente da Bolívia, Eduardo Rodrigues Veltzé, livra o país de um risco de guerra civil, hipótese possível caso Hormando Vaca Diéz fosse nomeado presidente.

Rodríguez Veltzé era titular da Corte Suprema do país e terceiro na linha sucessória para ocupar o posto vago por Carlos Mesa Gisbert. De aparência tranqüila e fala mansa, Veltzé fará de tudo para promover o diálogo acerca das questões da Lei de Hidrocarbonetos e das profundas divisões sociais que assolam o país.

Além de promover o diálogo com setores da sociedade que se encontram em posição divergente, Veltzé deverá preparar o terreno para as novas eleições presidenciais que deverão ocorrer ao fim deste ano. Entre alguns dos possíveis candidatos, destacam-se Evo Morales, líder do Movimento Indígena, Jorge Quiroga, que chegou a ser presidente sucedendo Hugo Banzer e Samuel Doria Medina, um empresário bastante conhecido e popular no país.

O momento que o país atravessa é de profunda incerteza sobre seu futuro, porém de esperança renovada após uma mudança substancial que não culminou com a nomeação de Hormando Vaca Diéz, homem bastante impopular na Bolívia.

A chance de uma guerra civil, conforme sugerida por Evo Morales na semana passada já não é real, menos ainda a chance de ocorrer um golpe de Estado, já que Veltzé é um nome que não enfrentou objeções por parte do povo. Nas próximas semanas, quando Veltzé terá a oportunidade de testar sua capacidade unificadora, os prognósticos mais exatos sobre o futuro da Bolívia estarão mais claros. No momento resta aguardar

O Conselho de Segurança e o Balanço de Poderes

In Uncategorized on junho 8, 2005 at 12:25 pm

A cada dia que se passa às chances do Brasil de conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança na ONU parece mais remotas. A tendência de um fracasso no Haiti; a contraditória política externa continental que não se define entre necessidade e ideologia além de problemas domésticos de imagem de credibilidade, minam a cada dia as chances brasileiras de atingir a obsessiva meta de integrar o Conselho de Segurança.

Não é de se espantas que países como México, Argentina, Colômbia, Nicarágua e China se opõem de foram contundente o ingresso brasileiro. Isso sem contar em outros países latino-americanos que não são simpatizantes da cruzada brasileira. O Brasil, não conseguiu conquistar o apoio nem em sua própria região devido à imposição agressiva de liderança e não a conquista gradual desta.

Os outros países do G-4 (Brasil, Alemanha, Japão e Índia – países que buscam o assento permanente) enfrentam dificuldades grandes devido a movimentos de oposição liderados por países rivais. Como a vontade da mudança parte dos excluídos e do secretário-geral e não dos países membros do Conselho de Segurança, a “reforma” pode ser do nível das reformas ministeriais de nosso país. Ou seja, muito alarde, meses de negociações e concessões intensas para produzir uma mudança imperceptível. O Conselho nasceu errado, entregou o bolo na mão de cinco países (EUA, Rússia, China, França e Grã-Bretanha) que detém o direito de rejeitar a divisão desse, logo, por que esses cinco membros permanentes vão querer países “intrusos” e rivais em seu clube privado?

O Brasil mostrou um louvável empenho nessa busca. Foram enviados cerca de 50 diplomatas para visitar 50 países diferentes para pedir votos na Assembléia Geral da ONU. Além disso, arrisca diariamente a vida de nossos soldados no Haiti e da imagem do país como líder continental. Se demonstrasse o mesmo empenho e vontade internamente, com certeza o governo estaria mais bem cotado do que está.

A Busca Brasileira pela hegemonia continental

In Uncategorized on junho 7, 2005 at 10:03 am

As recentes (e não tão recentes) discussões e atritos entre o governo brasileiro e o governo argentino, a divergência sobre o apoio ao uruguaio Carlos Pérez Del Castillo para a presidência da Organização Mundial do Comércio (OMC); a oferta de asilo político ao ex-presidente equatoriano Lúcio Gutierrez; a parceria inabalada com o presidente venezuelano Hugo Chávez além do princípio de animosidade com o governo paraguaio referente aos brasileiros que trabalham na fronteira são apenas alguns dos fatos que colidem com a estratégia brasileira de hegemonia sul-americana e um papel de liderança no qual o continente aceite de forma uniforme a posição brasileira.

A política brasileira de estratégia de liderança internacional sofre periodicamente um revés, graças aos fatos correntes da geopolítica e não graças a um complô para frear nossas intenções de liderança. Algumas estratégias conflitantes em relação ao comportamento com a Venezuela, Estados Unidos e Argentina, demonstram um foco muito amplo e conflitante para uma ambição tão definida. A liderança que o Brasil quer e deve exercer em toda a região, deve ser congruente entre economia e política e não só em um ou no outro. A liderança é uma escolha natural entre os liderados no qual as ações brasileiras devam não só ser personalizada com cada país, mas também não deva entrar em conflito com políticas que envolvem outros países da região. Claro, a não ser que seja devidamente alinhada e óbvia dentro de uma estratégia de atuação do Brasil.

O que levamos a crer é que uma boa oportunidade de obter apoio geral na região para se conseguir alguns objetivos da nossa política externa (como a presidência da OMC ou um apoio uniforme ao Conselho de Segurança), foi perdido e parece cada vez mais longínquo. A OMC foi perdida e qualquer atitude do governo agora terá a mancha de não ter dado apoio nenhum antes. A Argentina já iniciou um lobby bem estruturado para que no caso de haver uma reforma na ONU, que seja rotatória o Conselho de Segurança por região, algo que afunda todas as ambições do Brasil de uma cadeira permanente. Os recentes abraços na Venezuela não só prejudicam dia a dia as relações com a Colômbia como gera uma incerteza na comunidade internacional sobre a seriedade do Brasil de liderar aparte de ideologias.

O que o ambiente atual indica é uma falta de coordenação, assim como acontece domesticamente, nas relações internacionais do país. Temos um ministro da Casa Civil viajando para a Venezuela para negociar pontos políticos ao mesmo tempo em que temos o ministro das Relações Exteriores falando sobre economia. A falta de coordenação parece geral e tem dado a impressão para as nações do mundo de que somos um país que atira para qualquer lado em busca de conseguir ao menos alguma coisa. Não importando quem possa sair prejudicado na história.

CONTRAPOSIÇÃO ENTRE PAZ E CONFLITO E SUA CO-EXISTÊNCIA ETERNA

In Uncategorized on junho 4, 2005 at 9:03 pm

A instituição de uma paz duradoura entre os povos, independente de que a história e seus interlocutores têm nos mostrado, é algo não só utópico, mas fora da essência natural do ser humano. Uma paz duradoura é uma ambição muito vaga e ampla para ser adotada por qualquer pessoa. A falta de especificidade sobre o foco onde uma “paz” seria implementada e necessária é um dos principais empecilhos para cogitar a implementação (ou tentativa) de tal.

Acredito que a paz possui diversos níveis de classificação. Tendo isso em conta, acredito ainda que a implementação de uma paz é possível apenas de acordo com uma situação específica que necessite de um ato de paz. Uma paz duradoura entre os povos, logo se torna impossível, já que o conflito é inerente e necessário para o desenvolvimento social e a paz possui diversos graus de classificação. Uma convivência pacífica é bastante relativa, considerando que conflitos não requerem necessariamente violência, e a partir de sua existência denominada de conflito e seus diversos níveis de escalada (ver tabela 1.0), a ausência da paz já se torna subentendida naquela situação.

Além do conceito mais básico e teórico da existência de conflitos e conseqüentemente da ausência de climas de pacificidade, no plano cotidiano de relações internacionais, a paz entre os povos (com ausência de conflito) é impossível pela falta de uniformidade de pensamento, hábito e cultura entre eles. A obrigatoriedade eterna de conviver ao lado de um ser de hábitos diferentes já é suficiente para criar situações de conflito. Batalhas comerciais, econômicas e culturais em franca ascensão graças ao desenvolvimento acelerado e constante dos meios de comunicação, é a certeza iminente de uma continuidade de conflitos e, até certo grau, a ausência de paz em certas situações (ver tabela 1.1).

Os homens realmente têm progredido sistematicamente em termos de desenvolvimento de formas institucionais de convivência para se viver pacificamente, mas o homem, pela liberdade atribuída por essas mesmas instituições na forma de opinião, atitude, ações e comportamento, tem seus instintos liberados na forma de competição, posse, poder e associação a semelhantes que resultará sempre em tempos de paz e conflitos variando em vários níveis de atribuição e escalada.

A busca do homem seria muito mais recompensadora não por uma paz ampla, duradoura e generalizada, mas pela paz em situações extremas de prejuízo ao ser humano e pelo estabelecimento de conflitos voltados exclusivamente para o desenvolvimento dos povos sem ameaçar uma paz que proteja as necessidades básicas do ser humano.

Escalada e grau de conflito vs. Presença de clima pacífico – tabela 1.0:

Escala 0 – 100

Escalada de grau de conflito

Presença de clima pacífico

Sem confronto de qualquer natureza – 0

Clima pacífico total – 100

Conflito básico, diário e natural/divergência de opiniões – 5

Clima pacífico quase total/situação sob controle – 95

Conflitos temperados de prejuízo individual – 20

Clima pacífico preponderante e majoritário na situação – 80

Conflito de ameaça e de prejuízo relativo – 50

Clima pacífico sob dúvida entre fracasso e sucesso – 50

Conflito de prejuízos visíveis e de amplitude razoável – 60

Clima pacífico sob desconfiança – 40

Conflito generalizado e prejuízo de amplitude previsível – 80

Clima pacífico em relativo fracasso – 20

Conflito generalizado de alto prejuízo e de amplitude crescente e destruidora – 95

Clima pacífico fracassado – 5

Conflito total e generalizado de magnitude destruidora e irreversível – 100

Clima pacífico inexistente – 0

Origem dos conflitos contemporâneos – tabela 1.1:

Nível

Exemplo

Global

Transição geopolítica, divisão norte-sul.

Regional

Problemas sociais-demográficos de fronteira

Estado (social)

Sociedade fraca: divisões culturais e assimetria étnica.

Estado (econômico)

Economia fraca: base de recursos pobre, relativa de privatização.

Estado (político)

Política fraca: Governo dividido, regime ilegítimo.

Grupos de conflito

Mobilização de grupos, dinâmica intergrupal.

Elite/Indivíduo

Políticas de exclusão, liderança discriminatória.

O CAOS DA BOLÍVIA

In Uncategorized on junho 4, 2005 at 8:48 pm

A Bolívia a cada dia que se passa se fragmenta como país através de seu povo, suas cidades e suas instituições políticas. A aprovação da Lei dos Hidrocarbonetos, que deu ao governo boliviano o controle da exploração de petróleo e gás natural do país, já não é mais o centro do problema, ou o problema em si. A unidade da Bolívia como nação já começa a preocupar cada vez mais a comunidade internacional.

Na Bolívia os conflitos entre oposicionistas ao governo e tropas da polícia se intensificam a cada dia tornando a situação em La Paz e El Alto fora do controle. Nas últimas semanas o tema central nos jornais boliviano é as revoltas populares e a dica de que um golpe de estado é possível e está próximo.

Indo além do fato de que o país pode sofrer um golpe de estado, vários jornalistas afirmam (escrito no jornal boliviano El Diário) que o grande responsável pela fragmentação do país é o governo chileno. Segundo o jornal, o governo chileno incentiva que territórios bolivianos lutem por autonomia para assim desviar o país de sua busca histórica por uma saída ao mar, perdida justamente para o Chile no século XIX. De acordo com a teoria de que a Bolívia poderia estar se fragmentando em regiões autônomas, o mapa abaixo está circulando na internet em todo o país mostrando como seria o novo mapa do país. A região de Santa Cruz, ao sul, onde a concentração de gás natural é maior, é onde mais se discute atualmente a busca por autonomia e onde as discussões acerca do assunto estão mais avançadas. Líderes locais já garantiram que buscarão apoio no Brasil para seguir adiante com a intenção de secessão. O material de barganha já está definido, sendo local de maior concentração de gás, o futuro governo de Santa Cruz autorizaria a exploração da Petrobrás nos mesmo níveis que o governo boliviano permitia antes da lei de Hidrocarbonetos ser aprovada.

Essa não é a primeira sugestão de que governos estrangeiros estão por trás de movimentos no país. Há suspeitas de que o movimento indígena liderado pelo líder cocalero Evo Morales é patrocinado por Hugo Chávez e que sua eleição seria o primeiro passo para a criação de uma política semelhante entre os dois países. No momento, Morales é o favorito nas intenções de voto, o que leva Santa Cruz (área mais desenvolvida do país e sede de grande parte do empresariado boliviano) a pensar cada vez mais seriamente na autonomia da região.