Thiago de Aragao

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VENEZUELA: PERSPECTIVAS PARA O PAÍS APÓS APROVAÇÃO DA LEI HABILITANTE

In Uncategorized on janeiro 31, 2007 at 6:18 pm

Elaborado pela equipe da Arko América Latina
A Assembléia Nacional (AN) aprovou em sessão extraordinária realizada no Plaza Bolívar de Caracas a Lei Habilitante que dará plenos poderes para o presidente Hugo Chávez legislar durante 18 meses sem consulta a AN.
O executivo venezuelano poderá tomar decisões unilaterais nas seguintes matérias: participação popular; valores essenciais da função pública; setor econômico e social; finanças; tributos; segurança cidadã;; segurança jurídica e, por solicitação de Hugo Chávez, alterar nas matérias de hidrocarbonetos e derivados.
Agora, Chávez tem o interesse de que seja aprovada a reforma da Constituição com vistas a criar condições à implementação do Estado socialista. A partir desse momento, Hugo Chávez passa a ter plenos poderes.
Para completar o grande apoio popular que recebeu na reeleição, adquiriu “autorização” da Assembléia para tomar as decisões que achar mais relevantes, “desprezando o parlamento”.
Assim, estão estabelecidas as bases para o retorno das estruturas do “velho socialismo”, apresentado como “novo”.
O lado “velho” da esquerda foi confirmado no episódio envolvendo o cerceamento da liberdade de imprensa com a não renovação da concessão à RCTV.
O lado novo acaba se resumindo nos discursos anti-neoliberal que se tornou praxe da esquerda durante os anos 80 e 90.
(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

“Na Colômbia, privatizarei tudo!”

In Uncategorized on janeiro 30, 2007 at 7:19 pm

Na geopolítica sul-americana, praticamente todas as atenções são voltadas para as ações venezuelanas e bolivianas e as reações brasileiras e argentinas. Poucos prestam atenção no comportamento político adotado pela Colômbia e pelo seu presidente, Álvaro Uribe.
Durante a posse do presidente equatoriano, Rafael Correa, jornalistas perguntaram ao colombiano se haveria chance de seu país adotar postura semelhante aos vizinhos, com a nacionalização. Uribe respondeu: “Na Colômbia, privatizarei tudo!”.
Essa resposta seria suficiente para gerar uma crise interna no país. Normalmente, na América Latina, privatização é relacionada com algo negativo, enquanto, nacionalização, com patriotismo. No entanto, não houve nenhuma manifestação contrária à postura de Uribe. Nem mesmo da oposição.
O crescimento do PIB em 2006 ficou novamente na casa dos 6%; o desemprego vem diminuindo e já está na casa dos 11% (comparado com os 17% de 2004); as exportações nunca tiveram tão bem e o nível de escolaridade vem aumentando consideravelmente.
O principal fator que inibe críticas é a segurança pública, cuja solução mudou o dia a dia do colombiano. Pela primeira vez, em décadas, o povo tem a sensação de estar mais seguro e pode vivenciar isto nas grandes cidades como Bogotá, Medellín e Cali.
Os indicadores sociais e econômicos da Colômbia são melhores que o de seu vizinho, a Venezuela. Historicamente, os colombianos acompanham a política venezuelana e vice-versa. O que ocorre no país bolviariano não atrai nem os colombianos das classes mais baixas.
O país, com todo o liberalismo de Uribe e as privatizações em vários setores da economia, parece contradizer com seus resultados o discurso bolivariano de Hugo Chávez.
Certamente, há uma ajuda forte dos Estados Unidos que colaboram para a estabilização política e econômica na Colômbia, porém não devemos esquecer que Chávez só consegue manter seu plano graças ao seu principal parceiro comercial: EUA.

Entre ser uma Bolívia ou uma Venezuela

In Uncategorized on janeiro 30, 2007 at 7:14 pm

O presidente equatoriano surpreendeu aliados e opositores durante um discurso difundido por uma cadeia de rádio, sábado, em Quito.
Lutando para formar uma Assembléia Constituinte, Correa teme que a total falta de apoio do Congresso coloque seus planos por água abaixo.
Durante o discurso, Corra afirmou que não pretende “imitar as experiências de Bolívia, Colômbia e Venezuela, onde ditadores se apossaram do poder”. Aliado da Venezuela e da Bolívia, Correa nunca havia colocado os colegas no patamar de ditadores.
Podemos compreender, no entanto que Correa possui a “sorte” de observar dois cenários:
O primeiro, mostra o rumo equivocado tomado pelo presidente Evo Morales na Bolívia. A falta de sensibilidade para expor suas idéias e a luta incessante em uma Assembléia Constituinte que pode levar o país para uma guerra civil.
O segundo cenário configura o sonho de Rafael Correa. O presidente venezuelano Hugo Chávez segue com poder absoluto no Paes, controle da Assembléia Nacional e, frente a quem interessa, goza de certo prestígio internacional.
Vislumbrando essas duas possibilidades, Correa busca desvincular sua imagem à de Morales ou Chávez. Pelo menos até estabelecer um rumo mais claro para o seu governo.
Frente ás acusações do Congresso de que deseja se perpetuar no poder, Correa sabe que seu único grande trunfo é o apoio popular e, para manter esse apoio de forma sólida, a melhor postura é a postura independente.
Talvez sua relação com Chávez sofra um pequeno revés com esse comentário, mas no desespero de um governo que mal começou, Correa necessita mais do apoio do povo do que do apoio de Chávez.

Futuro turbulento para governo de Rafael Correa no Equador

In Uncategorized on janeiro 27, 2007 at 3:26 pm

Desde que assumiu o governo do Equador, há duas semanas, Rafael Correa vem enfrentando uma série de problemas que poderão desestabilizar o seu mandato.
O radicalismo de algumas reformas que pretende realizar (como a nacionalização de várias empresas estrangeiras) levou o Congresso à torcer o nariz para o presidente.
Comandado pelo PRIAN, partido do candidato derrotado nas eleições presidenciais, Álvaro Noboa, o Congresso tem maioria fazendo oposição ao presidente.
Alguns pontos deverão ser observados com atenção, uma vez que o presidente está disposto a seguir em frente com seu projeto de “bolivarianização” do país:
1. A divergência entre o presidente e o Congresso poderá levar Correa à adotar uma postura mais radical, como tentar fechar o parlamento, pois Correa acredita que o forte apoio popular que possui é suficiente para pressionar o Congresso a apoiar suas medidas.
2. Por meio de manifestações populares, Correa tentará forçar uma Assembléia Constituinte, algo que o Congresso não cederá.
3. em contrapartida ao grande apoio popular que Correa possui, o parlamento tem influência sobre as Forças Armadas.
Ainda não há grandes riscos institucionais para o país, no entanto, caso Correa concretize suas ambições, o governo e o Congresso poderão entrar em rota de colizão.

Referendo sobre Constituinte boliviana trará mais conflitos

In Uncategorized on janeiro 27, 2007 at 3:22 pm

O governo boliviano e a oposição acordaram que alguns artigos constitucionais que não sejam aprovados com maioria absoluta serão levados à consulta popular, por referendo.
Aparentemente, o acordo soa como um cessar fogo entre a oposição e o governo. No entanto, temos acompanhado uma constante manifestação popular polarizando os posicionamentos do governo e da oposição durante negociações.
O gesto de flexibilidade adotado pelo presidente Evo Morales, de aceitar um referendo para artigos que não obtivessem maioria absoluta, nada mais é do que mudar o campo de batalha.
O que temos é que, até então, as grandes discussões e divergências políticas em torno da Assembléia Constituinte eram negociadas no palácio e em gabinetes e, mesmo assim, causavam transtornos populares e geravam intensas manifestações contra, ou a favor do governo.
Caso o país seja obrigado a se dividir em votações controversas durante o referendo, a possibilidade de uma convulsão social de proporções ainda maiores poderá levar o país à guerra civil.

BOLÍVIA: EVO MONTA NOVO GABINETE PARA 2007

In Uncategorized on janeiro 24, 2007 at 5:20 pm

Para o segundo ano de mandato, o presidente Evo Morales manteve nove ministros nos seus cargos e deu posse a sete novos colaboradores.
A tendência foi trazer para equipe homens mais à esquerda, que das comunidades indígenas. Três deles são ex-sindicalistas e dois são membros da ONG CEJIS
Os nomes são:
Alfredo Rada, para o Minisério do Governo (similar a Casa Civil);
Gabriel Loza Telleria , para o Desenvolvimento Sustetável;
Victor Cáceres, para a Educação e Culturas;
Walter Delgadillo Terceros, para o Trabalho;
Susana Rivero Guzman, para o Ministério do Desenvolvimento Rural e Agropecuário;
Celina Torrico Rojas, para a Justiça ;
Jeres Mercado Suárez, para o Ministério dos Serviços e Obras Públicas.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

EMBAIXADOR DOS EUA AFIRMA QUE CHÁVEZ QUER DIÁLOGO

In Uncategorized on janeiro 24, 2007 at 5:06 pm

Durante a posse do Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, no último dia 10 de janeiro, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, teria manifestado interesse em melhorar seu relacionamento com os Estados Unidos.
A informação foi dada pelo chefe da diplomacia dos Estados Unidos para a América Latina, Tom Shannon. O diplomata americano afirmou: “durante o evento tive a oportunidade de conversar com Chávez e ele expressou seu desejo de melhorar as relações da Venezuela com Washington”.
Mesmo que na posse de Daniel Ortega tenha ficado evidente a influência que Hugo Chávez pretende ter na região, neste evento ocorreram dois fatos interessantes em termos de reaproximação política: o acerto dos presidentes do Equador e da Colômbia a respeito do problema diplomático envolvendo as fumigações com glifosato na fronteira de ambos os países e a conversa de Chávez com o embaixador americano visando restabelecer o diálogo com os Estados Unidos, mesmo com todas as diferenças de concepções políticas.
(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

Redução da pobreza e geração de empregos serão prioridades

In Uncategorized on janeiro 23, 2007 at 6:04 pm

O presidente da Bolívia, Evo Morales, completou um ano de gestão na última segunda-feira num cenário conturbado. Diante disso, analistas políticos bolivianos foram unânimes em afirmar que “a redistribuição de renda no país, a luta contra a pobreza e a geração de empregos serão os desafios do segundo ano do governo de Evo Morales”.
O tema do emprego torna-se mais importante, inclusive, que o tema econômico, pois o governo precisa frear o fluxo de imigração existente hoje na Bolívia.
Por fim, afirmaram que “umas das tarefas do governo será estabelecer boas condições para atrair maiores investimentos privados”.
(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

Argentina obtém sentença favorável na Corte de Haia

In Uncategorized on janeiro 23, 2007 at 11:39 am

A Argentina conseguiu uma sentença favorável na Corte Internacional de Justiça de Haia.
Por 14 votos a 1, a Corte rejeitou o pedido uruguaio ordenando à Argentina que levantasse os bloqueios sobre as pontes do rio Uruguai, as quais “constituem um vínculo crucial do comércio entre os dois países”.
A Argentina sustenta que “as plantas causarão danos ao meio-ambiente, afetando sua indústria turística”.
O resultado foi uma surpresa. Em ambos os países os indícios eram de que a sentença seria favorável ao Uruguai, razão pela qual o presidente Kirchner começava a adotar medidas na região para compensar sua possível derrota.
Agora o quadro muda totalmente e, com certeza, o presidente argentino utilizará do momento para trazer-lhe bônus políticos. Dificilmente, contudo, o Uruguai recuará. A tendência é de que situação permaneça como está e sejam buscadas alternativas depois que os fatos estiverem consumados, não podendo mais retroceder.
Assim, o uruguai construirá as plantas, e os orgentinos manterão o bloqueio até que se crie um novo impasse.
(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

Avaliação mensal do Uruguai

In Uncategorized on janeiro 22, 2007 at 4:48 pm
Situação política e econômica
A situação política está estável. O presidente Tabaré tem conseguido manter sob controle os focos de oposição e garantido que o país avance em questões que lhes atingem mais incisivamente, como os problemas de política externa. A economia está estável e surge no horizonte um grande salto que pode ser dado com a assinatura do Tifa (Trade and Investment Framework Agreement) com os Estados Unidos, que todos acreditam ser um passo para a assinatura do TLC. Está ocorrendo um racha no governo graças ao TLC, mas nada que afete o controle que Tabaré Vasquez tem da equipe.
Ameaças domésticas
A situação está sob controle. Os problemas, no momento, estão concentrados em questões externas. A oposição está um pouco adormecida, mas matem sua articulação em torno do ex-presidente Júlio Sanguinetti que não retirou suas críticas em relação à forma como Tabaré tem conduzido seu governo. O debate mais significativo, no momento está em torno do dilema TLC, ou Mercosul. Alguns acham que será importante respeitar o Bloco, outros preferem arriscar no TLC.
Ameaças externas
O maior problema está na questão do Mercosul, pois os uruguaios não aceitam a forma como país tem sido tratado pelo grande do Bloco, principalmente o Brasil que tem ignorado suas reivindicações e não tomou posição com relação ao problemas das papeleiras. A questão dos bloqueios das pontes está em litígio internacional e o Uruguai aguarda o pronunciamento da Corte Internacional de Haia. O debate será transferido para o Rio de Janeiro, por mais que o presidente uruguaio negue que irá ao Brasil para discutir essa questão.
Prognósticos
A situação interna continuará estável. O presidente está mantendo a oposição e os rachas dentro do governo sob controle. Graças, principalmente, ao sucesso que tem obtido em relação ao contencioso com a Argentina. A tendência é de que o Uruguai ganhe em todas as instâncias nos pronunciamentos de Haia. O problema do Mercosul começa a adquirir contornos mais dramáticos. Os representantes do Bloco afirmaram que o Uruguai não poderá permanecer no grupo caso assine o TLC com os americanos. Talvez seja essa a razão pela qual o passo adotado seja a assinatura do Tifa, que segundo analistas uruguaios, não afetaria cláusulas do Mercosul. Internamente, o debate é mais favorável ao TLC. Até um líder que foi ex-guerrilheiro tupamaro, afirmou que o Mercosul não trouxe muitos acréscimos ao Uruguai, principalmente por culpa do Brasil, que não deu ao seu país o retorno adequado e não fez investimentos. A tendência é que o Uruguai prioriza o Tratado com os americanos, pois a simples alusão de que já estavam com o acordo encaminhado começou a levar investimentos estrangeiros para o país. O Mercosul terá de oferecer grandes compensações para que o Uruguai recuse a aproximação com os EUA.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)