Thiago de Aragao

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Câmara adia votação sobre adesão da Venezuela

In Brasil, Mercosul, Venezuela on setembro 27, 2007 at 2:12 pm

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado Vieira da Cunha (PDT-RS), adiou para o dia 24 de outubro a votação da mensagem do Poder Executivo que submete à consideração do Congresso Nacional o texto do protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul. Esse documento foi assinado em Caracas, em 4 de julho de 2006, pelos presidentes do Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina e Venezuela.

O parecer do relator, deputado Dr. Rosinha (PT-PR), é pela aprovação da mensagem. A discussão e votação da matéria estava prevista para ocorrer na última quarta-feira. No entanto, com o pedido de vista conjunta dos deputados Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Arnaldo Madeira (PSDB-SP), Colbert Martins (PMDB-BA) e Raul Jungmann (PPS-PE), a decisão havia ficado para ontem. A matéria será analisada em outubro, em virtude de um acordo de lideranças anunciado pelo deputado Dr. Rosinha.

Até o presente momento, Brasil e Paraguai ainda não aprovaram o ingresso da Venezuela no bloco de integração sul-americano. Já a Argentina e o Uruguai posicionaram-se favoravelmente à adesão.

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

VENEZUELA: Fedeindustria discutirá ALBA

In Venezuela on setembro 27, 2007 at 2:08 pm

A Fedeindustria (Federação de Indústrias) da Venezuela discutirá a ALBA (Alternativa Bolivariana das Américas) no seu XXXVI Congresso Anual, que ocorrerá nos dias 01 e 02 de outubro.

Nessa ocasião, o intuito da Federação é tratar a respeito da integração e do comércio entre pequenos e médios empresários dos países que compõem a ALBA (Venezuela, Equador, Bolívia, Cuba e Nicarágua).

Sob o tema “A Empresa Venezuelana na ALBA”, o encontro terá a participação de delegações do Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, Paraguai, Nicarágua, Panamá, República Dominicana e Uruguai.

Os eixos temáticos serão: compreensão da visão multidimensional da ALBA, políticas estatais de apoio às empresas e adequação frente aos desafios da integração regional.

O Congresso da Fedeindustria conta com um grande apoio do governo venezuelano que, inclusive, sugeriu os eixos temáticos do governo. Desacreditada, a ALBA busca aumentar sua credibilidade por meio de políticas concretas que fomentem o comércio entre os países membros. Recentemente, Ollanta Humala, o líder da oposição no Peru, sugeriu que o presidente peruano Alan Garcia ingressasse no bloco Bolivariano. No entanto, as chances de isso ocorrer são nulas.

(Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

MERCOSUL: Encontro com UE deve ocorrer até fim do ano

In Mercosul on setembro 27, 2007 at 2:05 pm

Portugal, que exerce a presidência temporária da UE (União Européia), anunciou que pretende promover uma reunião entre o bloco europeu e o Mercosul até o fim deste ano.

O foco da reunião, que será considerada de “alto nível” devido aos participantes (provavelmente os presidentes ou chanceleres de cada país), será o de acelerar o processo de associação para o livre comércio. O secretário de Estado português para Assuntos Europeus deixou claro que “tudo será feito para que a reunião ocorra ainda este ano”, embora reconheça que será difícil em razão da agenda da UE e do bloco sul-americano.

O interesse em realizar esse encontro o mais rápido possível deve-se, principalmente, às movimentações políticas dos EUA em relação aos tratados de livre comércio na América do Sul. Novos parceiros na América Latina serão discutidos, tão logo sejam aprovados pelo Congresso dos EUA os tratados com o Panamá, Colômbia e Peru. Em virtude disso, a UE não deseja “perder terreno” comercial no continente. Entre as estratégias de aproximação, a reunião de cúpula entre os dois blocos é, definitivamente, um dos pontos mais importantes.

(Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

EQUADOR: Eleições para nova Assembléia Constituinte

In Equador on setembro 26, 2007 at 2:31 pm

Faltando pouco menos de duas semanas para a eleição da nova Assembléia Constituinte equatoriana (30 de setembro), cerca de 50% dos equatorianos se encontram indecisos em relação a quem votar.

Recentes pesquisas revelam que candidatos do presidente Rafael Correa deverão conquistar 50 das 130 cadeiras disponíveis. A oposição deverá conquistar cinco ou seis a mais. Apesar das ameaças de renunciar se não obtiver a maioria na Assembléia, o presidente Correa deverá aceitar o resultado ainda que a diferença seja de apenas cinco ou seis assentos. Nesse caso, Correa necessitará negociar com 16 constituintes para poder obter a maioria da Assembléia.

Mesmo em uma eventual desvantagem na Assembléia, Correa acredita que poderá viabilizar a aprovação da reforma que o autoriza à reeleição e aumenta o período da presidencial de quatro para seis anos.

(Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

Exportações latino-americanas para EUA em queda

In América Latina, EUA on setembro 26, 2007 at 2:30 pm

As exportações latino-americanas para os Estados Unidos estão em queda. Segundo os últimos dados publicados pelo Departamento de Comércio dos EUA, as exportações da América Latina caíram 0,17% nos últimos sete meses enquanto as exportações do resto do mundo para os EUA cresceram 5% durante o mesmo período.

Caso exclua o México, as exportações para os EUA caíram 5,73%. A seguir, o desempenho dos principais blocos latino-americanos:

MERCOSUL:
Queda de 2% nas exportações para os EUA nos últimos sete meses. A maior queda foi a do Brasil.

COMUNIDADE ANDINA DE NAÇÕES:
Queda acima de 12%. As maiores baixas foram o Equador (19%), Peru (18%), Colômbia (14%) e Venezuela (10%).

CARIBE E AMÉRICA CENTRAL:
Queda de 5% poderia ser maior caso os dados da República Dominicana fossem computados.
Segundo o Secretário de Comércio dos EUA, Carlos Gutierrez, a razão é que a América Latina compete com a Ásia e não com os EUA. Gutierrez acredita que a Ásia está sendo mais competente em sua estratégia de penetrar o mercado norte-americano.

Gutiérrez é um dos principais articuladores para que o Congresso norte-americano ratifique os Tratados de Livre Comércio (TLCs) com Panamá, Peru e Colômbia. Com os TLCs, certamente esse números mudarão e o bom resultado poderá acarretar em novos tratados com outros países latino-americanos.

(Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

COLÔMBIA: País vive fase de otimismo

In Colômbia on setembro 25, 2007 at 11:26 am

Tida durante muitos anos como um dos países mais problemáticos da América Latina, a Colômbia vive uma nova fase sob o comando do presidente Álvaro Uribe. Os bons resultados tanto na esfera política quanto na econômica o credenciaram como um dos líderes latino-americanos mais respeitados em todo o mundo. Bem visto no continente, na Europa e nos Estados Unidos, Uribe chega a ser cogitado para um terceiro mandato, não por vontade de seu partido, mas por vontade de seu povo.

O governo de Uribe vem se caracterizando pelo forte avanço social, sólido crescimento econômico e, principalmente, pelo combate ao narcotráfico e guerrilha que assolam o país há décadas.

A estimativa de crescimento para esse ano foi recentemente revisada, passando de 6,2% para 6,8%. O robusto crescimento que o segundo semestre sustenta, foi o suficiente para analistas econômicos reajustarem a previsão do ano. O crescimento do semestre, que na estimativa do governo é de 7,5%, está sendo alavancado principalmente pelo comércio, setor de construção civil e manufaturados. As exportações também estão em alta, principalmente em produtos que tradicionalmente não compõem a cesta de produtos exportados do país. As exportações para os Estados Unidos também estão diminuindo, mas estão sendo compensadas pelo forte aumento de exportações para a União Européia e para a Venezuela.

A exportação de petróleo, tradicionalmente a maior fonte de renda entre os produtos exportados, vem decaindo substancialmente. A razão para isto está na estratégia da ECOPETROL, estatal colombiana de petróleo, que preferiu priorizar o mercado local a exportar (exportações da ECOPETROL deverão diminuir em 25% enquanto o aumento do consumo doméstico deverá aumentar em 21%).

Politicamente, o governo de Uribe vem obtendo vitórias atrás de vitórias. O combate ao narcotráfico e contra as guerrilhas das FARC (extrema esquerda) e AUC (extrema direita) vem obtendo resultados palpáveis, no qual a população é capaz de sentir as melhorias. A modernização e urbanização de cidades como Cáli, Medellín e principalmente Bogotá, são o reflexo de como a reorganização da cidade pode determinar uma queda nas taxas de criminalidade.

Paraguai pode representar nova crise para o Brasil

In Brasil, Paraguai on setembro 13, 2007 at 12:51 pm

O editorial do jornal ABC Color de quarta-feira (5), afirmou que o Brasil possui intenções de intervir militarmente no Paraguai caso o candidato presidencial Fernando Lugo vença as eleições de abril. A ameaça se baseia na necessidade estratégica do Brasil sobre a Itaipu e sobre as declarações de Lugo, favorito para vencer, de que caso se torne presidente, o acordo com o Brasil será revisto mesmo que para isso, o assunto seja levado a cortes internacionais.Fernando Lugo, ex-bispo da Igreja Católica, possui uma visão política muito nacionalista, populista e simpatiza bastante com as ações tomadas por Hugo Chávez na Venezuela. Sua vitória não é apenas um pesadelo para o governo brasileiro (pesadelo precisamente para Lula, já que a cúpula do PT apóia fortemente Lugo), mas um pesadelo maior ainda para o governo dos EUA.

O Paraguai há muitos anos é um dos principais pontos para a estratégia norte-americana na América do Sul. Além de monitorar de muito perto a tríplice fronteira, onde há fortes indícios de atividades ligadas ao financiamento de organizações terroristas e alto volume de pirataria, o governo dos EUA tem no Paraguai o maior escritório da CIA nas Américas (sem contar os EUA, obviamente).

O editorial do ABC Color não somente cria um clima de alarmismo, mas coloca em risco as relações entre Brasil e Paraguai. Isso sem contar o golpe que a credibilidade da imprensa do país sofre. Não é de hoje que a oposição ao candidato Fernando Lugo acusa setores da imprensa de favorecer abertamente o ex-bispo.

A possibilidade de o Brasil intervir militarmente para assegurar o controle da Itaipu é remota. A revisão do acordo firmado pelos regimes militares dos dois países na década de 70 poderá ser revisto sem que nenhuma crise seja criada. No entanto, caso Lugo vença as eleições e tome atitudes radicais em relação à usina (assim como Evo Morales tomou com as refinarias da Petrobras na Bolívia), a ação do Brasil poderá ser mais energética. Mesmo assim, acredito que uma intervenção militar não esteja entre os recursos favoritos do Presidente Lula.

O grande risco fica em torno da renegociação da divisão da energia gerada pela usina. Temos o histórico da péssima negociação entre o governo brasileiro e o governo boliviano referente a venda das refinarias brasileiras na Bolívia. Não há razão para acreditar que caso o Brasil necessite sentar com os paraguaios e renegociar a partilha da energia da Itaipu, a partilha não será prejudicial ao Brasil. Nesse caso, setores do governo e do Partido dos Trabalhadores poderão influenciar diretamente para que o acordo entre os dois países seja mais favorável ao Paraguai, especialmente pela aproximação ideológica que o país teria caso Lugo se torne o novo presidente.

Não nos importamos…

In América Latina, Artigos on setembro 4, 2007 at 4:05 pm

Fazia um bom tempo que a América Latina não era tão interessante como agora. Temos loucos, pseudo-ditadores, líderes linha dura, afáveis, bobos, mulheres. Temos de tudo, e mesmo assim, o Brasil não parece se importar muito. Em relação à nossa região político-geográfica, adotamos a mesma postura que os EUA tomam em relação ao mundo. Como país e como povo, adotamos o mesmo comportamento que criticamos ferrenhamente dos nossos colegas dos EUA.Tudo bem que o argumento que eles são “cucarachas” e nós não pode ter algum sentido. Afinal, não nos sentimos próximos de um equatoriano como eles se sentem de um colombiano, por exemplo.

Hoje na América Latina, vivemos as seguintes situações que podem afetar direta ou indiretamente o Brasil:

Hugo Chávez: O Presidente venezuelano continua o seu projeto de influência no continente. No entanto, Chávez sofreu graves derrotas nos últimos meses. A última delas, certamente foi a postura do Congresso Nacional do Brasil e do Paraguai, referente ao ingresso da Venezuela no MERCOSUL. Chávez não esperava por esta situação e foi obrigado a rever a volta para a CAN (Comunidade Andina de Nações), onde havia saído alguns meses antes da entrada no MERCOSUL.

Porque é uma ameaça ao Brasil? A projeção de poder de algum líder político na América do Sul que não seja brasileiro, implica em uma ameaça para a nossa hegemonia política no continente. Como o brasileiro não está acostumado a admitir a própria hegemonia e sim criticar a dos outros, nós somos a única força da América do Sul e a principal da América Latina (o México é uma força considerável). A postura de Chávez ameaça diretamente a imagem do Brasil, que pelo seu tamanho e poder tem a obrigação de assumir a condição de líder e não somente ser uma economia gigante porém sem a capacidade de interferir a nosso favor em qualquer país da região. Para isso, o governo brasileiro deve sim disputar a influência regional com o Chávez e ganhar.

Assembléia Constituinte na Bolívia: Isso é um tema delicadíssimo que ninguém no Brasil está dando muita bola. Há alguns meses, eu e Marcelo Suano elaboramos um documento sobre a possibilidade de Guerra Civil na Bolívia a pedido do Senador Cristovam Buarque. O estudo foi apresentado na Comissão de Relações Exteriores do Senado e continha as informações de que a região da planície ostenta planos concretos de separação. A separação da planície, que engloba as províncias de Santa Cruz de la Sierra, Cochabamba, Beni, Tarija e Pando representaria um violento golpe contra a economia boliviana. Cabe lembrar que a maioria do gás natural do país se encontra nessa região. A Assembléia Constituinte, dentro de suas funções de refazer a Constituição do país, se vê diante do dilema de conceder autonomia administrativa e econômica para as províncias “separatistas” mencionadas. Algo que o Presidente Evo Morales considera “inegociável”. Caso esse artigo não seja incluído, há fortes indícios de que o país pode se digladiar politicamente levando á uma Guerra Civil de fortes proporções.

Porque é uma ameaça ao Brasil? Uma Guerra Civil no nosso vizinho já é ruim por si só. Ainda mais quando somos dependentes do gás natural desse país e poderíamos sofrer com a possibilidade de ingresso de aproximadamente 300 mil refugiados para o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Nesse caso, o que faria o governo brasileiro? Como nos portaríamos e a que lado apoiaríamos? Há informações de que as organizações separatistas contam com uma milícia armada de 15 mil homens com armas americanas e israelenses que entram via Paraguai.

O nosso isolacionismo esplêndido em relação ao resto da América Latina se deve muito ao nosso sentimento de superioridade em relação aos outros países. A única razão para que acreditamos que os argentinos são realmente os mais arrogantes do continente, se dá pela tentativa desesperada dos hermanos se tentar equiparar o seu país ao nosso. Se levarmos em conta que em Buenos Aires há mais livrarias do que em qualquer lugar do Brasil, que o povo argentino (principalmente o bonaerense) é bem mais culto que o brasileiro, passamos a entender um pouco mais a posição deles. Acredito que os verdadeiros arrogantes do continente, não por culpa, mas por situação, somos nós, os brasileiros. Temos perfeita noção de que o nosso país é disparado o mais poderoso politicamente e economicamente. Temos certeza absoluta que nossas mulheres são as mais bonitas, nosso futebol é comprovadamente o melhor e nosso carnaval é obviamente o mais alegre. Por isso, no entender dos brasileiros, somos o melhor país e isso justifica nossa falta de interesse nos vizinhos.

No entanto, os fatores que avaliamos para nos considerarmos os melhores, são justamente os fatores que nos fazem ser brasileiros e ter orgulho do país: mulheres, futebol e carnaval. Nossa sociedade não é nem próxima de ser participativa nas questões políticas como a sociedade argentina, por exemplo. Nossos hermanos são capazes de se indignar com a política de uma forma mais intensa e mais rápida do que a nossa (apesar de que os recentes escândalos no governo Kirchner não provocaram a ira do povo).

O Brasil, assim como qualquer outro país latino-americano (tirando o Chile, a Costa Rica e atualmente a Colômbia) se apegou ao longo da história da tática do vulcão. Nossa capacidade de planejamento é mínima e aos poucos vamos nos tornando especialistas e apagar o fogo ali e acolá. Esse comportamento uniforme nos aproxima independente deles falarem espanhol e nós português.