Thiago de Aragao

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In América Latina, America Central, Argentina, Artigos, Banco do Sul, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Conflito Colômbia-Venezuela-Equador, Costa Rica, Cuba, Entrevista, Equador, Especial, EUA, México, Mercosul, Panama, Paraguai, Peru, Sugestão de Leitura, Uruguai, Venezuela on outubro 24, 2008 at 12:41 pm

Caros Leitores,

O Blog Visao Latino-Americana mudou de endereco! Ele esta muito mais moderno e bonito! As informacoes serao atualizadas no novo site; WWW.THIAGODEARAGAO.COM.BR 

Aguardo a visita de voces, com criticas, sugestoes e participacoes! Quem desejar submeter artigos, serao muito bem vindos!

Logo todo o arquivo estara no novo site: http://www.thiagodearagao.com.br

Abraco,

 

Thiago de Aragao

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Argentina: Sai Kirchner, entra Kirchner

In Argentina, Artigos on novembro 1, 2007 at 7:50 pm

A reeleição do casal Kirchner representa um rebaixamento na democracia argentina e um crescimento da política populista-familiar do país. Para aqueles que esperavam uma disputa emocionante pelo comando maior do país, o que se viu foi uma candidata que não precisou mostrar nenhuma qualidade porque a oposição não a colocou contra a parede em nenhuma situação.

 

A campanha foi muito tranqüila para Cristina Kirchner. Enquanto seus opositores digladiavam entre si, Cristina já ia adiantando algum trabalho como Presidente do país. As viagens internacionais, onde Cristina conversou com Ângela Merkel (Alemanha), Nicolas Sarkozy (França), Lula e Bill Clinton, serviram para consolidar no país a sua imagem de futura presidente da nação.

 

No entanto, a vitória de Cristina não representa, necessariamente, uma vitória para a Argentina. Sua administração tenderá a ser uma continuação muito fiel do governo de seu marido. Algumas mudanças pontuais poderão ser observadas ao longo de seu mandato, porém serão mudanças referentes à característica pessoa de Cristina e não ao seu modelo de gestão.

 

A inflação poderá ser um dos primeiros grandes problemas que Cristina enfrentará. Enquanto Nestor fez questão de assegurar ao povo e a investidores estrangeiros que o índice de inflação oscilava entre 7% e 9%, analistas independentes sem vínculos com o governo, afirmavam que esse índice na verdade oscilava entre 17% e 20%. A abrubta diferença não poderá ser maquiada tão facilmente no começo de 2008, como foi feito ao longo de 2007. Uma percepção popular na alta dos preços, caso esse chegue a um ponto insustentável, poderá acarretar facilmente em uma queda de popularidade para Cristina. Em Buenos Aires, única província onde Cristina não venceu nas urnas, a pressão da oposição e fiscalização popular tende a ser maior.

 

A crise energética se torna cada vez mais uma realidade para a Argentina. O limite de produção energética já foi atingido e o racionamento vem sendo aplicado com mais freqüência. A importação de gás natural proveniente da Bolívia deverá aumentar, assim como a instabilidade no país vizinho. Caso a Bolívia confirme a previsão de se tornar um barril de pólvora, a crise energética argentina se consolidará, a indústria será fortemente afetada e Cristina terá muitas dificuldades em manter a estabilidade da economia, mesmo a força como seu marido vinha fazendo.

 

Com o Brasil, não devemos esperar grandes mudanças. Afinal, a família é a mesma e Nestor terá um papel preponderante na administração de Cristina. No entanto, a capacidade de dialogar é muito maior em Cristina do que em Nestor. Nesse ponto, poderemos esperar uma sensível melhoria nos diálogos Brasil-Argentina.

Não nos importamos…

In América Latina, Artigos on setembro 4, 2007 at 4:05 pm

Fazia um bom tempo que a América Latina não era tão interessante como agora. Temos loucos, pseudo-ditadores, líderes linha dura, afáveis, bobos, mulheres. Temos de tudo, e mesmo assim, o Brasil não parece se importar muito. Em relação à nossa região político-geográfica, adotamos a mesma postura que os EUA tomam em relação ao mundo. Como país e como povo, adotamos o mesmo comportamento que criticamos ferrenhamente dos nossos colegas dos EUA.Tudo bem que o argumento que eles são “cucarachas” e nós não pode ter algum sentido. Afinal, não nos sentimos próximos de um equatoriano como eles se sentem de um colombiano, por exemplo.

Hoje na América Latina, vivemos as seguintes situações que podem afetar direta ou indiretamente o Brasil:

Hugo Chávez: O Presidente venezuelano continua o seu projeto de influência no continente. No entanto, Chávez sofreu graves derrotas nos últimos meses. A última delas, certamente foi a postura do Congresso Nacional do Brasil e do Paraguai, referente ao ingresso da Venezuela no MERCOSUL. Chávez não esperava por esta situação e foi obrigado a rever a volta para a CAN (Comunidade Andina de Nações), onde havia saído alguns meses antes da entrada no MERCOSUL.

Porque é uma ameaça ao Brasil? A projeção de poder de algum líder político na América do Sul que não seja brasileiro, implica em uma ameaça para a nossa hegemonia política no continente. Como o brasileiro não está acostumado a admitir a própria hegemonia e sim criticar a dos outros, nós somos a única força da América do Sul e a principal da América Latina (o México é uma força considerável). A postura de Chávez ameaça diretamente a imagem do Brasil, que pelo seu tamanho e poder tem a obrigação de assumir a condição de líder e não somente ser uma economia gigante porém sem a capacidade de interferir a nosso favor em qualquer país da região. Para isso, o governo brasileiro deve sim disputar a influência regional com o Chávez e ganhar.

Assembléia Constituinte na Bolívia: Isso é um tema delicadíssimo que ninguém no Brasil está dando muita bola. Há alguns meses, eu e Marcelo Suano elaboramos um documento sobre a possibilidade de Guerra Civil na Bolívia a pedido do Senador Cristovam Buarque. O estudo foi apresentado na Comissão de Relações Exteriores do Senado e continha as informações de que a região da planície ostenta planos concretos de separação. A separação da planície, que engloba as províncias de Santa Cruz de la Sierra, Cochabamba, Beni, Tarija e Pando representaria um violento golpe contra a economia boliviana. Cabe lembrar que a maioria do gás natural do país se encontra nessa região. A Assembléia Constituinte, dentro de suas funções de refazer a Constituição do país, se vê diante do dilema de conceder autonomia administrativa e econômica para as províncias “separatistas” mencionadas. Algo que o Presidente Evo Morales considera “inegociável”. Caso esse artigo não seja incluído, há fortes indícios de que o país pode se digladiar politicamente levando á uma Guerra Civil de fortes proporções.

Porque é uma ameaça ao Brasil? Uma Guerra Civil no nosso vizinho já é ruim por si só. Ainda mais quando somos dependentes do gás natural desse país e poderíamos sofrer com a possibilidade de ingresso de aproximadamente 300 mil refugiados para o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Nesse caso, o que faria o governo brasileiro? Como nos portaríamos e a que lado apoiaríamos? Há informações de que as organizações separatistas contam com uma milícia armada de 15 mil homens com armas americanas e israelenses que entram via Paraguai.

O nosso isolacionismo esplêndido em relação ao resto da América Latina se deve muito ao nosso sentimento de superioridade em relação aos outros países. A única razão para que acreditamos que os argentinos são realmente os mais arrogantes do continente, se dá pela tentativa desesperada dos hermanos se tentar equiparar o seu país ao nosso. Se levarmos em conta que em Buenos Aires há mais livrarias do que em qualquer lugar do Brasil, que o povo argentino (principalmente o bonaerense) é bem mais culto que o brasileiro, passamos a entender um pouco mais a posição deles. Acredito que os verdadeiros arrogantes do continente, não por culpa, mas por situação, somos nós, os brasileiros. Temos perfeita noção de que o nosso país é disparado o mais poderoso politicamente e economicamente. Temos certeza absoluta que nossas mulheres são as mais bonitas, nosso futebol é comprovadamente o melhor e nosso carnaval é obviamente o mais alegre. Por isso, no entender dos brasileiros, somos o melhor país e isso justifica nossa falta de interesse nos vizinhos.

No entanto, os fatores que avaliamos para nos considerarmos os melhores, são justamente os fatores que nos fazem ser brasileiros e ter orgulho do país: mulheres, futebol e carnaval. Nossa sociedade não é nem próxima de ser participativa nas questões políticas como a sociedade argentina, por exemplo. Nossos hermanos são capazes de se indignar com a política de uma forma mais intensa e mais rápida do que a nossa (apesar de que os recentes escândalos no governo Kirchner não provocaram a ira do povo).

O Brasil, assim como qualquer outro país latino-americano (tirando o Chile, a Costa Rica e atualmente a Colômbia) se apegou ao longo da história da tática do vulcão. Nossa capacidade de planejamento é mínima e aos poucos vamos nos tornando especialistas e apagar o fogo ali e acolá. Esse comportamento uniforme nos aproxima independente deles falarem espanhol e nós português.

A Semana na América Latina

In América Latina, Artigos on julho 2, 2007 at 1:47 pm

O principal assunto da semana que se inicia na América Latina, não é voltado necessariamente para a política. A Copa América de futebol, que reúne todos os países sul-americanos mais Estados Unidos e México se iniciou nesta semana na Venezuela. No entanto, apesar de ser um evento esportivo e, teoricamente, apartidário, a Copa América organizada por Hugo Chávez tem um forte componente político.Dentro de um estilo infinitamente menor, a Copa América na Venezuela muito lembra as Olimpíadas de Berlim em 1936, onde o então fuhrer alemão, Adolf Hitler mostrava ao mundo a capacidade de organização dos alemães. Sem querer comparar um líder com o outro, Chávez busca na Copa América mostrar a visitantes de todo o continente uma faceta amigável de sua revolução socialista.

O momento em que o torneio se inicia, não poderia ser melhor. Atordoado com as freqüentes manifestações estudantis, que entre outras coisas, ainda reclamam o fechamento da RCTV, a falta de mantimentos de primeira necessidade nos supermercados e a crescente onda de violência nas principais cidades do país, Chávez vê no evento a chance ideal de redirecionar o foco do país e “abafar” suas recentes crises. Há o risco de acertar um tiro no próprio pé. Os grandes gastos e a grande falta de organização do evento podem alertar não só os venezuelanos dos problemas estruturais da revolução, mas também os inúmeros visitantes e jornalistas que cobrem o evento no país.

Apesar de atrair os principais holofotes do mundo, a Copa América não é o principal acontecimento no continente. Para os peruanos, por exemplo, a Tratado de Livre Comércio (TLC) negociado com os EUA entra em uma fase crítica. Após as inúmeras recomendações e alterações propostas pelo Congresso norte-americano, de maioria democrata, os peruanos conseguiram ajustar os pontos necessários (principalmente no que refere a direitos trabalhistas e propriedade intelectual) e o TLC pode ser anunciado a qualquer momento da próxima semana. Este acontecimento representará uma grande vitória para o Presidente Alan Garcia, que temia não conseguir aprovar o Tratado quando os democratas venceram a maioria das cadeiras no Congresso dos Estados Unidos. Mesmo com o sucesso do serviço diplomático peruano em Washington, o Tratados com os EUA não é unanimidade no país. O principal rival político de Alan Garcia, o ultranacionalista Ollanta Humala, afirma frequentemente que este Tratado “escravizará ainda mais o povo do Peru nas mãos dos americanos”. Porém, essas palavras vêm se demonstrando vagas, já que uma grande parcela da população aprova o acordo.

Na vizinha Bolívia, a situação é bem diferente da que ocorre no Peru. O Presidente Evo Morales vem sofrendo com a possibilidade de não honrar seus compromissos de fornecimento de gás para Brasil e Argentina. No caso argentino, a situação é ainda mais grave, pois o país vive um grande racionamento de gás natural, e a situação para as indústrias que dependem do gás pode piorar caso a Bolívia fracasse no fornecimento. Na tentativa desesperada de evitar que o pior ocorra, Morales conclama as empresas estrangeiras situadas no país a aumentar o fluxo de investimento. No entanto, como a desconfiança é tanta, dificilmente uma empresa estrangeira aportará investimentos da ordem desejada por Morales. Ao seu melhor estilo, o líder boliviano ao invés de negociar a entrada de capital, ameaça essas empresas de expulsão caso elas não invistam em seu país. Algumas deverão ceder à ameaça de Morales, outras podem sair do país a qualquer momento, prejudicando ainda mais a situação econômica no país.

No México, o momento é voltado para o imenso debate em torno da reforma fiscal que o Presidente Felipe Calderón pretende implementar. O ponto polêmico é justamente a abertura para que empresas estrangeiras do setor de petróleo possam investir no país. No país, a estatal de petróleo, Pemex, é única na exploração, processamento e distribuição de combustível no país. Calderón identificou que este monopólio representará uma grande perda para a economia do país, caso não haja uma abertura para outras empresas entrarem no país. Alguns estudos elaborados pelo governo apontam que a Pemex não possui a estrutura técnica necessária para aumentar sua capacidade de exploração e atender o mercado doméstico e o dos EUA, seu principal cliente. A grande voz de oposição parte do Partido da Revolução Democrática (PRD), do ex-candidato presidencial Andrés Manuel López Obrador. Este acusa Calderón de querer se desfazer de um grande bem público mexicano (Pemex). No entanto, Calderón parece muito determinado a realizar a reforma fiscal e abrir o mercado para empresas estrangeiras. Essa atitude vem sendo muito elogiada na Europa e nos EUA, onde Calderón goza de um bom prestígio entre os líderes.

Por fim, a reunião de Cúpula do MERCOSUL se iniciará na próxima sexta-feira. O evento é marcado por algumas contradições e temas polêmicos. Certamente o principal assunto a ser debatido será à entrada da Venezuela no bloco. Uruguai e Paraguai são contra e acreditam que o bloco está “pulando etapas” para atingir rapidamente o ponto de União Aduaneira. A resposta venezuelana sobre as críticas referentes à sua entrada foi simplesmente de ignorar o evento. Hugo Chávez realizará no mesmo período visitas à Rússia, Bielorússia e Irã, com intuito de fortalecer suas relações diplomáticas e militares com esses países. Muitas especulações serão levantadas ao longo da próxima semana sobre a reunião. Acredita-se que será um “ataque contra defesa” onde o Brasil e Argentina tentarão justificar e convencer os demais membros sobre a entrada da Venezuela como sócio pleno. Se for uma reunião típica do “velho MERCOSUL”, podemos esperar uma grande agenda de indefinições. Resta saber se este “velho Mercosul” é melhor assim, ou o “novo Mercosul” como deseja Chávez será melhor.

O Mercosul e seus fantasmas

In Artigos, Mercosul on junho 29, 2007 at 6:24 pm

*Análise do Cientista Político e Presidente da Arko Advice, Murillo de Aragão

A cada seis meses, reúne-se a cúpula do Mercosul para tratar da evolução (passada e futura) do Bloco e pôr ordem na casa. A cada encontro, velhos e resistentes problemas voltam a assombrar o grupo.

O encontro desta semana em Assunção (Paraguai) não deverá ser diferente e os fantasmas de sempre, aliados a sobressaltos de momento, rondarão o encontro entre os Presidentes.

Apesar da anunciada ausência de Hugo Chávez (Venezuela) na reunião de sexta-feira (29), pois estará em Moscou, o espectro do bolivarianismo se fará sentir, quer pelos problemas decorrentes do fechamento da RCTV e o conseqüente adiamento da efetivação da Venezuela no Mercosul, quer pela tendência desagregadora do discurso chavista – recentemente, o presidente venezuelano defendeu, novamente, a refundação do Mercosul (refutada prontamente pela diplomacia brasileira).

Caberá, uma vez mais, à diplomacia do Brasil tomar a frente no processo de apaziguamento, moderando as pressões que o sempre voluntarioso discurso venezuelano pode ter no seio do Bloco.

O processo, porém, implica dar consistência econômica ao projeto de integração comercial e econômica consubstanciado no Mercosul, tarefa habitualmente espinhosa, eivada com antigos e recalcitrantes problemas.

Entre os fantasmas mais conhecidos, as persistentes assimetrias (e a acomodação das demandas dos sócios menores), problemas como a TEC (Tarifa Externa Comum), a bitributação e a definição de uma política comercial e de negociações comum deverão mostrar-se centrais nas conversas a serem entabuladas na capital paraguaia a partir de quarta-feira (27), quando se inicia a reunião de dois dias do Conselho do Mercado Comum – órgão político do Mercosul, responsável pela tomada de decisão.

À sombra do naufrágio de Doha caberá ao encontro paraguaio repensar sua estratégia de negociações comerciais.

Em linhas gerais, há sinais de que pode haver recrudescimento no campo comercial, em especial com a redefinição de tarifas de importação para cima. Os setores contemplados deverão ser: tecidos, vestuários, calçados e tapetes. Peculiar maneira de preparar o terreno para a retomada de tratativas comerciais bilaterais.

A retomada será sinalizada pela Cúpula do Mercosul, que deverá, nesse campo, observar com especial atenção a aproximação bi-regional com a União Européia (conversas com o bloco europeu ocorrerão, a princípio, no início do segundo semestre).

Também na área da estratégia comercial comum, os Presidentes do Bloco refletirão no Paraguai sobre o atual estágio da Rodada Doha e eventuais desdobramentos para o futuro do comércio internacional e o Mercosul de modo mais particular.

Independente do diagnóstico que possam fazer os líderes sobre o atual estado do Bloco, somente o enfrentamento de seus fantasmas internos poderá viabilizar uma estratégia consistente que o permita evoluir, tanto na área comercial, quanto como projeto de integração viável, exorcizando de vez a aparência de eterna paralisia.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

A Grave Crise Boliviana – E o Brasil, como fica?

In Artigos, Bolívia, Brasil on junho 19, 2007 at 5:49 pm

A situação política na Bolívia está se tornando cada vez mais dramática. No entanto, o fator mais preocupante de toda a crise vivida pelo nosso vizinho, será a postura que o governo brasileiro irá adotar.Recentemente ficou evidente a organização que o movimento separatista da região de Santa Cruz de la Sierra possui. Historicamente, a Bolívia é dividida entre a planície rica, branca e detentora de grandes bacias de gás natural e o altiplano pobre, indígena e subdesenvolvido. Politicamente, a região da planície sempre exerceu o poder no país, até a eleição de Evo Morales em 2005. A região do altiplano, onde está localizada a capital La Paz, possui a maior parcela da população do país.

O movimento separatista da região chamada “Media Luna” no qual as províncias de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija fazem parte, existe há vários anos, e luta pela autonomia da Nação Camba (nome dado pelos habitantes das províncias que reivindicam autonomia). Com a eleição de Evo Morales, o movimento ganhou um grande apoio de empresários locais e de organizações estrangeiras que colaboram financeiramente desde que preservem o anonimato. O alto poder de organização gerou uma milícia de até 12 mil homens treinados, com capacidade de mobilização de até 400 mil civis, conforme informou o jornal.

A grande questão em torno da postura que deverá ser adotada pelo Brasil, será a partir do momento que a Venezuela se envolver em um eventual conflito. Segundo um acordo militar firmado entre Bolívia e Venezuela, o exército venezuelano poderá intervir na política doméstica boliviana, em caso de solicitação de Morales. Nesse caso, com a forte presença militar da Venezuela em um conflito doméstico, a postura do Brasil deverá ser posicionada e direcionada para a mediação do conflito.

De acordo com o histórico diplomático do Brasil, e principalmente pela postura negociadora deste atual governo, o governo dificilmente escolherá apoiar um lado ou outro. Oficialmente, o governo deverá optar por defender um discurso federalista, que leve a entender que a união da Bolívia seja a melhor saída. No entanto, desde que o processo de nacionalização foi iniciado, o governo brasileiro não conseguiu gerar alternativas para o risco de paralisação no fornecimento de gás boliviano. No caso de uma autonomia pretendida pelas nações que compõem a “Media Luna”, ou Nação Camba, como se autodenominam, a negociação brasileira pelo fornecimento de gás ficaria muito mais facilitada por meio de negociações com Santa Cruz do que com La Paz.

Certamente o governo brasileiro aguardará o desenrolar da situação que deverá se estender até agosto. Nesta data, a nova Constituição será promulgada e se saberá ou não se as exigências de autonomia serão dadas por Morales. As chances de que isso ocorra, são pequenas e as chances de um conflito na região aumentam a cada dia.

As coisas não vão bem para a "esquerda" do continente

In América Latina, Artigos on junho 18, 2007 at 7:22 pm

A Venezuela vive uma situação nova para Hugo Chávez. O descontentamento popular está aumentando de forma alarmante para o governo. A economia está crescendo, mas com medidas que tendem a esgotar cada vez mais o país e trazendo descontentamentos também maiores. Entre maio de 2006 e maio de 2007, o preço médio dos alimentos subiu 30%. Algo que tem afetado fortemente os bolsos dos venezuelanos de classe média baixa e classe baixa, a principal base de apoio de Hugo Chávez. Devido a isso, o radicalismo do Presidente apresenta sinais de moderação, da mesma forma que o governo está reduzindo seus discursos agressivos na política externa e está cedendo para uma postura mais negociadora. É um comportamento benéfico para o Brasil, que poderá intensificar sua política externa no continente.

Um ponto importante na semana que entra, será o prosseguimento do acordo de cooperação contra o narcotráfico que a Venezuela está costurando com a Alemanha, pois a intenção de Chávez é abrir a possibilidade de novos acordos que resultem em novos mercados e dividendos para o seu país e benéficos para o governo. Chávez necessita se recuperar dos abalos que suas medidas autoritárias trouxeram e sabe que a Europa é um bom caminho para isso, uma vez que ainda não se indispôs com os europeus. Outro ponto relevante e bastante simbólico de que precisa amenizar sua postura para sobreviver, é a viagem que Hugo Chávez fará à Colômbia, visitando o colega, vizinho e rival Álvaro Uribe. Sendo o principal parceiro dos EUA na América do Sul e antagonista direto do chavismo, Uribe pode obter sucesso na tarefa de convencer o venezuelano a recolocar seu país na Comunidade Andina de Nações (CAN). Além deste tema, que será tratado de forma discreta, ambos discutirão o combate ao narcotráfico na fronteira entre os dois países, bem como possíveis acordos comerciais que visem ampliar as importações e exportações. A visita está agendada para o dia 23 de junho e terá suas arestas aparadas na próxima semana.

A sensação que começa surgir na América Latina é de que o momento não é mais favorável para os países que fazem parte do grupo “esquerdista” do continente. A Venezuela, principal reduto, passa por grave descontentamento popular gerado por medidas autoritárias que tem trazido medo, até mesmo à base de apoio do governo. Por isso, o discurso chavista vem perdendo a força dentro do país, onde a população começa a exigir resultados práticos e menos discursos populistas. O Equador segue na mesma linha. No entanto, sem um “socialismo” tão estabelecido como na Venezuela, Correa precisa apelar para medidas radicais como a convocação do plebiscito e ameaças, como a renúncia, para não perder o paoio. Sua força está nas ruas e não no Congresso ou nos meios de comunicação. Logo, as manifestações pró-Correa deverão se intensificar nas próximas semanas, gerando um clima conturbado em Quito.

Possibilidade de Guerra Civil preocupa

In Artigos, Bolívia on junho 1, 2007 at 3:07 pm

A probabilidade de um conflito militar (Guerra Civil), ainda é difícil de precisar, pois muitas negociações entre governo e separatistas estão sendo feitas nos bastidores. Porém, já se podem apontar alguns pontos preocupantes que um evento desta forma poderia trazer:

No caso de Guerra Civil:
1.
Teríamos um confronto violento e sem resolução rápida bem na fronteira de nosso país;

2.O fornecimento de gás natural seguramente seria interrompido, fazendo com que o Brasil busque alternativas rápidas;

3.Conforme levantado pelo Senador Cristovam Buarque (PDT-DF), no caso de um conflito, o Brasil receberia milhares de refugiados no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul;

4.Com a intervenção da Venezuela, o Brasil teria que adotar uma forte postura e não somente assistir ao conflito;

5.O risco de gerar instabilidade no sul do Peru, onde a população indígena possui fortes vínculos com Evo Morales, seria altíssimo, possibilitando que o conflito saísse de dentro da Bolívia;

No caso de uma crescente insatisfação da planície, porém sem Guerra Civil:

1.Morales terá pouca mobilidade política, provocando uma grande queda em sua popularidade e levando-o a adotar medidas mais populistas para garantir o apoio popular;

2.Com o aumento na insatisfação dos separatistas, atos de boicote ao fornecimento de gás ao Brasil poderão ser feitos. Como os gasodutos e oleodutos passam pela planície, poderia haver atos de vandalismo contra os dutos, prejudicando o fornecimento para o Brasil;

Cabe ao governo brasileiro monitorar de perto o andamento da conjuntura política no nosso vizinho. A Bolívia, se tornando um barril de pólvora, prejudicará ainda mais região. Um passo importante foi feito pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, que, por meio do Senador Cristovam Buarque, criou um grupo especial para analisar e estudar a possibilidade de uma guerra, bem como os efeitos que tal situação provocaria ao nosso país.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

BOLÍVIA: Conjuntura interna do país

In Artigos, Bolívia on maio 29, 2007 at 5:44 pm

Insatisfeitos com a vitória eleitoral de Morales, e, principalmente, com a condução que este vem dando ao processo de nacionalização dos hidrocarbonetos, a elite política e econômica da região da planície (províncias de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija) vem consolidando, estruturando e fortalecendo um plano bastante antigo nessa região da Bolívia. O país se divide, basicamente, entre a planície (70% do país) e o altiplano (30%). A população indígena, a mesma que em sua maioria ajudou a eleger Evo Morales, encontra-se principalmente na populosa região do altiplano, região muito fraca em reservas de petróleo e gás natural. A população de origem européia habita primordialmente a planície, tendo Santa Cruz de la Sierra como a principal cidade. Apesar de ter uma população menor, essa região se desenvolveu mais economicamente, principalmente em virtude da grande quantidade de campos de gás e petróleo.

Desde a vitória de Morales, a elite econômica, empresarial e política da “Media Luna”, nome dado às províncias da planície, tenta buscar alguma autonomia para a região. Como, por meio de negociações a região não obteve sucesso em sua busca, o movimento separatista, há algum tempo adormecido, voltou com grande força. Representantes da Media Luna, tentam incluir na nova Constituição emendas que garantam autonomia administrativa, financeira e de negociação de seus principais recursos (leia-se gás natural e petróleo). Assim, com a inclusão desses pontos, a Bolívia funcionaria como uma espécie de República Binacional, tendo o governo de La Paz (principal cidade do altiplano) totalmente dependente da planície.

Este acordo é considerado fora de questão por Morales e sua equipe de governo. No entanto, a Media Luna está tão determinada, que há rumores e informações extra-oficiais de que há milícias de até 15 mil homens prontos para um eventual conflito militar com a capital. Temendo um embate militar, Morales estendeu por mais dois meses o prazo de entrega da nova Constituição, que estava marcado originalmente para agosto deste ano. Com esse prazo, especula-se que Morales possa estar montando um plano B, ou até articulando suas Forças Armadas.

O grande risco gira em torno irredutibilidade dos dois lados em negociar. Para a Media Luna, a autonomia é o mínimo aceito. Morales, preocupado em manter a unidade no país, não abrirá mão de manter o controle sobre as províncias “rebeldes”.

Um ingrediente perigoso nessa disputa política é um acordo militar firmado entre Bolívia e Venezuela em 2006. Nesse acordo, fica prevista uma intervenção armada venezuelana na Bolívia, caso haja algum confronto militar que ponha em risco a governabilidade de Morales e a união do país. Por outro lado, rumores asseguram que a milícia da planície possui bons armamentos, foi treinados pela AUC (Auto defesas Unidas da Colômbia), grupo paramilitar de extrema direita e contam ainda, com ajuda financeira de alguns países.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

OPINIÃO: Na questão boliviana o essencial é o Ponto de Vista

In Artigos, Bolívia on maio 15, 2007 at 6:40 pm

* Por Paulo Homem, analista político para o setor energético da Arko Advice, Gerente de Contas da BG, Comgás e Instituto Acende Brasil

Um bom negócio pode ser visto de vários ângulos. Depende muito de como as negociações caminham. Na Bolívia, a Petrobras acaba de sofrer uma nova e grande derrota. Na prática, perdeu bastante dinheiro. Vai receber bem menos do que investiu nas suas refinarias no país. Evo ainda conseguiu pagar o negócio em duas vezes. O ministro Silas Rondeau afirmou que a Petrobras fez um bom acordo e prevaleceu o diálogo. Analistas do setor também consideraram um bom acordo, diante das circunstâncias.

Se pouco antes de maio do ano passado, data histórica da nacionalização do gás boliviano, Evo Morales chegasse ao Brasil com a proposta idêntica ao que foi acordado nesta semana, iríamos achar que era delírio do presidente boliviano. Pois bem, passado mais de um ano de negociações, uma proposta aparentemente risível, é comemorada pelo governo como um achado. E, hoje, alguém discorda que foi uma boa saída?

É esse tipo de postura que temos e que podemos esperar de um governo sem planejamento estratégico. A falta de organização e de boas decisões gera prejuízos a médio e longo prazo. O problema é que a Petrobras não é qualquer empresa. Tem muito dinheiro público lá. Mas parece que o executivo não se preocupa muito com isso.

Em maio passado, houve vozes recorrentes (do nosso governo) em defesa da expropriação boliviana. O argumento era que a Petrobras já havia ganho muito por lá. A Petrobras, assim como outras estatais e outros cargos, foram incorporados ao patrimônio petista.

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)