Thiago de Aragao

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Força de Paz Bilateral: Argentina e Chile

In Uncategorized on agosto 31, 2005 at 1:27 pm

Os governos da Argentina e do Chile estão caminhando a passos firmes para firmar uma parceria militar inovadora no continente. A idéia conjunta de Ricardo Lagos, presidente do Chile e Nestor Kirchner, presidente da Argentina e atualmente executada pelos ministros da defesa dos dois países: José Pampuro (Argentina) e Jaime Ravinet (Chile) visa criar uma força militar binacional para operações de paz conjuntas em qualquer ponto do mundo e principalmente na América do Sul.
A idéia ainda está em fase de desenvolvimento. O que se pode afirmar é que o caráter da união militar para esse tipo de operação é permanente envolvendo ainda um freqüente e profundo intercâmbio de informações e tecnologias. A aproximadamente dois anos os avanços de parcerias militares entre os dois países se intensificou de uma forma nunca vista, já que os dois países sempre foram rivais históricos em quesitos militares.
Ainda em discussão, a idéia já provocou polêmica no continente. O governo boliviano é o mais preocupado com a possível parceria, já que a algum tempo se encontra em discussões delicadas e tensas com o governo chileno acerca da disputa pela saída ao mar que a Bolívia pleiteia.

Carlos Mesa deixa Legado Militar na Bolívia

In Uncategorized on agosto 31, 2005 at 1:23 pm

Desde meados dos anos 80 os militares na Bolívia tiveram tanto poder em suas mãos. Em seu curto tempo na presidência, o ex-presidente Carlos Mesa deixou um poder aos militares que pode ser determinante para colocar Evo Morales na presidência.
Um grupo de ex-militares bolivianos com grande influência na atual cúpula militar do país, buscam alianças com vários grupos e sindicatos de esquerda no país. A organização fundada por estes, TRADEPA (Transparência Democrática Patriótica) liderada pelo general aposentado Luís Gemio representa praticamente todo o poder militar do país. A aparente decisão de apoiar os movimentos de esquerda representa a clara divisão de interesses entre os bolivianos de La Paz e os bolivianos de Santa Cruz.
No momento, Jorge Quiroga, empresário de La Paz é o favorito a vencer as eleições presidenciais, seguido de perto por Evo Morales. Caso o apoio militar a Evo Morales se confirme, a balança de forças entre o representante do empresariado boliviano e a classe indígena e carente do país, penderá para o lado de Evo Morales. Alguns analistas ainda colocam no ar a possibilidade de que o apoio a Evo Morales é o caminho mais curto para um retorno militar ao governo boliviano. Apesar de ainda sem provas concretas, essa idéia já causa comentários em jornais peruanos, chilenos e venezuelanos. No entanto, Evo Morales, líder do Movimento al Socialismo, não acredita nessa hipótese e se aproxima a cada dia do TRADEPA, o braço organizacional e atuante da cúpula militar do país.

Situação no Equador terá ajuda de Chávez

In Uncategorized on agosto 25, 2005 at 4:22 pm

Em seu plano de disseminar influência através do petróleo na América do Sul, Chávez vem fazendo seu pano de casa com bastante sucesso. A recente crise que assola o Equador e gerou intensas manifestações em duas províncias (Orellana e Sucumbios) originou-se com a revolta da população local contra o governo equatoriano pela falta de investimento de infra-estrutura na região. Segundo os manifestantes, a região que é fonte de quase todo o petróleo da estatal Petroecuador, não possui condições básicas para atender a população apesar da riqueza e da importância da região. Na semana passada, o governo chegou a decretar estado de emergência na região, o que levou a paralisação na produção da Petroecuador. O racionamento de petróleo no país foi a deixa necessária para que o presidente venezuelano Hugo Chávez entrasse em ação. Em um anúncio feito durante o final de semana, Chávez garantiu ceder o petróleo necessário ao governo equatoriano com custo zero. Essa ação era esperada devida ás últimas intervenções de Chávez em outros países sul-americanos.
Mesmo com a ajuda de Chávez, a situação no Equador se encontra delicada e o governo do presidente Alfredo Palácios enfrenta sua primeira grande crise desde que assumiu o governo. O Equador vive uma situação que é corriqueira e normal na América Latina. O país é dominado por oligarquias que controlam praticamente todas as riquezas do país. A corrupção é generalizada e as crises políticas são tão comuns quanto as constantes trocas de presidente.

Colômbia lança metas para próximos 14 anos

In Uncategorized on agosto 9, 2005 at 12:42 pm

O presidente colombiano Álvaro Uribe lançou nesse domingo o esperado primeiro rascunho do Plano de Planejamento Nacional para os próximos 14 anos. Gozando de alta popularidade e completando três anos de governo, Uribe lançou o estudo em um momento delicado de seu governo. Não pelo curso de seu governo, que é bastante admirado e respeitado por grande parcela da população, mas pelos últimos incidentes contraditórios e trocas de farpas entre Uribe e o ex-presidente e possível candidato Andrés Pastrana.

O plano de metas até 2019 contém muitas aspirações ambiciosas. Nesse primeiro rascunho apresentado no domingo, o objetivo, segundo Uribe é contar com a participação da sociedade civil para propor alterações. Um segundo rascunho será apresentado em novembro e se necessário, outros serão redigidos até a publicação do documento final.

O documento é baseado em quatro grandes objetivos para os próximos 14 anos. Os objetivos apontados no relatório como primordiais para o desenvolvimento sócio-econômico da Colômbia são:

– Crescimento econômico movido por um modelo empresarial competitivo. Desenvolvendo as empresas colombianas para ampliar sua competitividade interna e externa, é vista como uma chave para o desenvolvimento econômico.
– Ampliar o sistema de educação para que nenhuma criança fique de fora da escola. O desempenho econômico não será possível se as gerações seguintes não possuírem conhecimento para reger esse desenvolvimento.
– Ênfase em planos para ter cidadãos mais livres e responsáveis. O documento aponta que uma população cada vez mais responsável com os seus deveres se torna automaticamente uma sociedade com maior liberdade.
– Avançar programas de transparência e competitividade empresarial. Desenvolvendo a transparência, a capacidade de desenvolver atos corruptos se torna mais difícil.

Além desses quatro objetivos traçados pelo plano, o documento ainda explicitou algumas metas mais claras a ser traçadas. São elas:

– Crescimento anual de 6% a partir de 2013.
– Diminuir em 30% a pobreza nos próximos 14 anos.
– Chegar a 100% de cobertura na educação.
– Criar 6 milhões de empregos e ter a partir de 2019 uma taxa de desemprego abaixo dos 5%.

A apresentação final do projeto ainda não tem data para ser lançada oficialmente. Isso dependerá do número de alterações que serão sugeridas a cada novo rascunho produzido.

Em Caso de Vitória, Mudanças no Gabinete de Kirchner

In Uncategorized on agosto 3, 2005 at 5:36 pm

Nestor Kirchner já começa a explorar as possibilidades de mudança em seu gabinete no caso de vitória nas urnas em outubro. O presidente argentino, do Partido Justicialista é apontado como favorito para se reeleger e é abarcado a essa condição que ele prepara uma reforma ministerial para iniciar o segundo mandato.

De acordo com o jornal argentino La Nación, as mudanças deverão ser levadas em frente duas ou três semanas após as eleições (23 de outubro) e se iniciarão com mudanças em três ministérios estratégicos: Relações Exteriores, Desenvolvimento Social e Defesa. A possibilidade de uma mudança no Ministério da Economia de Roberto Lavagna ainda não sta descartada. No caso desta mudança, a saída de Lavagna seria para assumir o cargo no Ministério das Relações Exteriores de Rafael Bielsa, que não vem agradando Kirchner devido ao fato das constantes contradições de visões e opiniões que os dois dividem quando o assunto é o Mercosul. Lavagna é mais leal a Kirchner, portanto sua mudança para a Chanceleria seria mais proveitosa para a imagem internacional do presidente Kirchner. Essa lealdade foi comprovada recentemente quando Lavagna que é “afilhado político”de Duhalde, desafeto de Kirchner, abriu mão de apoiar Duhalde na campanha para o governo da Capital Federal para se fixar ao lado de Kirchner.

A grande pergunta na Argentina a respeito da “dança das cadeiras” que Kirchner está patrocinando é sobre quem ficará com o Ministério da Economia. Os cuidados de Kirchner para escolher o nome é enorme para não ameaçar a política de recuperação que seu governo prioriza internamente após a crise econômica. Entre os nomes mais fortes está o do presidente do Banco Central argentino, Martín Redrado. Outros nomes que circulam com certa força são os de Javier Gonzalez Fraga, Mario Blejer e de Felisa Miceli, presidente do Banco da Nação.

Há rumores de que a mudança no Ministério da Economia tenha como finalidade o desmembramento do próprio Ministério. Kirchner nunca escondeu que preferiria que o Ministério da Economia fosse dividido em duas Secretarias. Uma da Fazenda e outra das Finanças.

No caso do Ministério do Desenvolvimento Social, que atualmente é dirigido pela irmão do presidente Kirchner, Alicia Kirchner, a mudança não se dá por uma eventual insatisfação de Kirchner em relação a irmã. O presidente considera o Ministério um dos sucessos domésticos de seu governo onde os avanços feitos no campo social devem ser o diferencial para a sua vitória em outubro. Porém, Alicia deseja se candidatar para o Senado e conta com apoio de Kirchner para tal. A mudança do Ministério para o Senado é bem pensada em tem fundamento, Kirchner atualmente vive um momento conturbado com o Senado. No caso de Alicia conseguir uma cadeira no Senado, Kirchner espera aumentar seu poder de alcance dentro da casa já que Alicia é bastante respeitada entre o Legislativo e poderia ser uma extensão da voz de Kirchner em um ponto tão estratégico do governo que o presidente não possui tanto poder.

Ainda há cerca de noventa dias até o fim das eleições e até lá muita cosa irá acontecer. Todas essas mudanças são suposições afim de promover uma “limpa” antes de iniciar um novo governo. A situação de Lavagna é sem dúvida a mais delicada. O seu comportamento nos próximos 90 dias serão vitais para definir o seu futuro nesse governo. Ficando do lado de Duhalde, Lavagna pode enterrar de vez suas possibilidades de obter uma pasta nesse governo. Ficando a favor de Kirchner, Duhalde se sentirá traído e seu relacionamento com Lavagna terminará.

A Paralisação nas Negociações da OMC e o Risco de Fiasco

In Uncategorized on agosto 2, 2005 at 11:37 am

As últimas negociações relativas aos subsídios agrícolas terminaram mais uma vez em indecisão. A proposta feita pela OMC e liderada pelo Brasil encontrou uma resistência por parte da União Européia, Estados Unidos e Japão difícil de ser superada: a indiferença. Aparentemente, segundo Clodoaldo Hugueney, principal negociador brasileiro nas discussões, pouco avançou devido a falta de diálogo entre o G-20 e esses países. A estratégia adotada por eles aparenta ser a de ganhar o maior tempo possível para que o poder de negociação do G-20 diminua e acabem negociando em termos mais favoráveis aos países desenvolvidos.

Após a última semana de negociações, a bola ficou nas mãos dos Estados Unidos, que preferiu não adiantar nenhuma posição nova enquanto não sair oficialmente o acordo da CAFTA-RD (Área de Livre Comércio da América Central e da República Dominicana). Já que a oficialização do acordo irá alterar a posição americana em certos pontos técnicos. Porém o grande foco da disputa está na porcentagem de corte de subsídio pedido pelo G-20, que os países desenvolvidos deverão cortar. O Japão por exemplo se dispõem a cortar algo em torno de 30% a 40% (mantendo o valor de seus produtos agrícolas acima da média mundial) enquanto o G-20 exige um corte entre 75% e 80%.

Esse impasse dificilmente avançará na mini conferência ministerial patrocinada por Pascal Lamy que ocorrerá no dia 10 de outubro. Apesar das discussões serem retomadas no dia 2 de setembro, a possibilidade de um acordo favorável ao G-20 é remoto.
Apesar da demora e das dificuldades impostas pelos países desenvolvidos, o Brasil considera positiva o andamento das negociações. Era de conhecimento geral desde o começo de que as negociações seriam extremamente difíceis, portanto o jogo duro imposto pelo G-20 é um sinal de persistência e ambição dentro de seu interesse. Os europeus principalmente já perceberam isso, logo adotaram a tática de deixar o tempo passar ao invés de bater de frente.