Thiago de Aragao

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VENEZUELA: Perfil da situação da PDVSA no país

In Uncategorized on fevereiro 28, 2007 at 11:56 am

A empresa estatal de petróleo da Venezuela, a PDVSA, encontra-se em uma situação delicada. Tida como a principal fonte de recursos do presidente Hugo Chávez, está vivendo uma crise que somente altos investimentos poderão recuperá-la.

Desde que Hugo Chávez assumiu o governo venezuelano (1999), a PDVSA se tornou a principal fonte de renda para a aplicação de sua política doméstica e externa.

Com a alta no preço do barril de petróleo, decorrente da crise no Oriente Médio, a verba do petróleo dobrou.

Numa estratégia inteligente, Chávez investiu um montante deste valor na própria empresa. Entre 2002 e 2003, a PDVSA produzia algo em torno de 3 milhões de barris/dia (mdb).
Para poder sustentar sua projeção de poder na América Latina, utilizou grande parte da renda proveniente da PDVSA em outros projetos.

Mas, contando com técnicos inexperientes, infra-estrutura frágil e falta de recursos, a empresa não conseguiu entregar a Chávez os dividendos esperados. Em 2006, fechou o ano com um déficit de 5,3 bilhões de dólares.

Para quem chegou a produzir 3 mdb entre 2002 e 2003 e agora vive com a expectativa de produzir apenas 1,5 mdb em 2007.

Percebe-se que a PDVSA é a representação do que poderá se tornar o governo de Hugo Chávez nos próximos anos.

Os poços da parte ocidental do país estão em profundo declínio. Cerca de 20 mil estão em manutenção e somente 14 mil funcinam normalmente. Daqueles que estão em funcionamento, 90% necessitam de injeções de água e gás para manter a pressão necessária e garantir a produção.

Hoje, há uma perda permanente de 400 mil barris na capacidade produtiva da empresa. A PDVSA necessita, urgentemente, de investimentos do Estado.

Estima-se que, para manter-se no estado atual, seriam necessários 2 bilhões de dólares. Para voltar ao patamar de 2002, o montate imediato seria de 4 bilhões de dólares.

Vivendo uma crise de abastecimento alimentício, Chávez continua tirando dinheiro da PDVSA, ao invés de investir em sua galinha dos ovos de ouro. Por isso, a empresa é refém financeira da política populista e perdulária do presidente.

Mesmo assim, com toda a decadência que vem sofrendo, Chávez anuncia que pretende aumentar a produção de petróleo até 2012 para 5,8 mbd. Algo improvável, se levarmos em conta a atual situação. Nos anos 90, investidores privados representavam 30% dos investimentos que eram feitos. Devido à insegurança jurídica que esses investidores encontram hoje, os investimentos são cada vez menores.

O governo, ao invés de cobrir essa renda que deixou de vir, optou por tomar mais dinheiro e ceder de cortesia parte da produção para outros países.

Cuba recebe diariamente 100 mil barris, a Jamaica, 20 mil barrris, e os países caribenhos recebem mais 72 mil.

Os Estados Unidos, que representam 60% de toda a importação de petróleo venezuelano ameaçam cortar a compra.

É óbvia a busca de Chávez por novos compradores para suprir essa demanda. No entanto, a China, principal cliente preferencial na possível substituição dos americanos, não parece muito disposta a assumir uma fatia tão grande do mercado.

Chávez poderá ter graves problemas financeiros nos próximos anos. Alternativas estão sendo estudadas. O venezuelano entende que pode ser o “gestor” do gás boliviano e, assim, poderá garantir boa parte da renda para ele, da mesma forma que a entrada do país no Mercosul poderá garantir clientes com obrigações de comprar seus produtos.

Entrevista Exclusiva com o Senador Cristovam Buarque

In Uncategorized on fevereiro 27, 2007 at 5:08 pm

Publicada originalmente no dia 09/02/07 pela Agência Estado de S. Paulo

Entrevista feita por Thiago de Aragão

Em entrevista exclusiva, o senador Cristovam Buarque aponta os erros e acertos da política externa de Lula e comenta sobre alguns dos principais temas da política latino-americana.

Pergunta 1 – Arko América Latina: Senador, quais foram os principais erros e os principais acertos da política externa de Lula?

Resposta 1 – Cristovam Buarque: A política externa de Lula acertou muito. Mais do que errou. No entanto, sua diplomacia foi equivocada. A política externa indica um rumo e esse rumo é claro. Podem concordar ou não, mas ele tem uma proposta. A diplomacia indica um estilo, e esse foi o principal erro. Lula quis assumir um papel grande demais como líder continental. O líder deve ser o primeiro, mas se portando como o segundo ou o terceiro, para não causar ciúmes. Houve certa arrogância no comportamento de nossa política externa.

P2 – AAL: Como o senhor avalia o comportamento do governo frente à crise boliviana?

R2 – CB: O grande erro foi o Brasil ter sido surpreendido pela ação boliviana. Porém, acredito que o Celso Amorim teve o bom senso de manter-se frio diante da situação. O problema foi entre a Petrobrás e a Bolívia, não entre Brasil e Bolívia. A relação país-país deve ser muito mais cuidadosa.

P3 – AAL: Como o senhor avalia a crise boliviana?

R3 – CB: No caso de uma guerra civil, o país ficará dividido entre pacenhos (habitantes da região de La Paz) e crucenhos (habitantes da região de Santa Cruz de la Sierra). Há uma miopia nos meios empresariais e nos formadores de opinião de que, no caso de uma secessão, a região de Santa Cruz (rica em gás) ficaria mais próxima do Brasil. Isso não é verdade. Eles ficariam imediatamente próximos dos norte-americanos. A possibilidade de uma guerra civil na Bolívia é o problema mais grave que o Brasil pode enfrentar nos próximos anos.

Pergunta 4 – Arko América Latina: O Brasil esquivou-se do problema entre Uruguai e Argentina (referente às fábricas de celulose) e do problema diplomático entre Colômbia e Venezuela (há cerca de dois anos). Foi a melhor decisão?

Resposta 4 – Cristovam Buarque: O governo do presidente Lula foge na hora de enfrentar os problemas. Lula adora fazer gols, mas não gosta de jogar como goleiro de vez em quando.

P5 – AAL: Como o Brasil deve reagir frente ao crescimento armamentista venezuelano?

R5 – CB: A Venezuela tem todo o direito de se armar. A justificativa deles (proteger-se de uma possível invasão americana) pode não ser correta ou real, mas é justa. Eles fazem o que quiserem. Porém, o Brasil também deve se armar. Essa postura de que somos todos irmãos, é balela. Somos, no máximo, primos e os maiores conflitos da humanidade foram entre primos.

P6 – AAL: O senhor acredita que este governo se distanciou dos EUA e da Europa?

R6 – CB: Não concordo que houve um distanciamento. O que não houve foi aproximação. As relações são as mesmas do governo anterior, mas a aproximação com outros países causa a sensação de que houve um distanciamento, tantos dos EUA, como da Europa.

P7 – AAL: Como o senhor vê o futuro do Mercosul?

R7 – CB: O Brasil não tem saída a não ser fortalecer o Mercosul, que é parte intrínseca da globalização. Apesar de várias crises e atos de rebeldia de membros menores (Paraguai e Uruguai), o Brasil é mais forte com o bloco do que sozinho.

México, a Força que vem de Cima

In Uncategorized on fevereiro 25, 2007 at 6:21 pm

Por: Thiago de Aragão e Marcelo Suano

Artigo publicado na edição de fevereiro da Revista Voto

Desde que Napoleão III inventou a América Latina, que o México teve consciência de fazer parte dessa família. A lógica geográfica pouco influenciou nos sentimentos, no universo, na configuração e na organização político-administrativa do país, pois sempre seguiu o modelo ou, no mínimo, um estilo que os hermanos, incluindo o Brasil, constantemente adotaram.

Ao que tudo indica, caso não seja um pronunciamento vazio, Felipe Calderón redescobriu essa realidade quando, há algumas semanas, esteve na cerimônia de posse de Daniel Ortega como presidente da Nicarágua.

Anunciou que o futuro de seu país está nas relações com essa parte do continente. É uma afirmação interessante, pois obriga a refletir sobre a idéia de considerar que o seu futuro necessite da intensificação dessas relações.

O significado é mais amplo do que possa parecer. A partir do momento em que o México ingressou no Nafta que a economia do país deu um salto e cresceu. Durante muito tempo os mexicanos falavam um lamento característico de sua personalidade que diz mais ou menos: “triste México…Tão longe de Deus.. e tão perto dos Estados Unidos”. Quando o resultado do Nafta apareceu, não foram poucos no Brasil que disseram, parafraseando os mexicanos, “triste Brasil…Tão perto de Deus e tão longe dos Estados Unidos”.

As relações dos mexicanos com os latinos são um tanto quanto distantes e o acordo com os norte-americanos permitiu que a distância se concretizasse em comportamentos, mas o México, apesar de seu crescimento econômico, não se americanizou. Parece que se modernizou, mas não ocorreu transformação.

Às vezes, metaforicamente, lembra as favelas de Manaus, no norte do Brasil, no auge da Zona Franca na década de 70, que os turistas comentavam curiosos quando passeavam por lá para dar uma olhada.

As casinhas construídas de papelão e ripas de madeiras, todas paupérrimas, mas era só olhar direito que seriam notadas antenas e dentro, com certeza, encontraríamos uma TV de 24 polegadas (na época esta dimensão era moda), um vídeo K7 Panasonic, um aparelho de som enorme e um freezer. Do lado de fora um gato gigantesco no poste de luz de Aquariquara (uma madeira mais resistente ao tempo que o ferro) que era usada pelo governo para a iluminação pública.

Do gato saíam uns cinqüenta fios elétricos colocados pelos moradores para roubar energia, distribuindo-a pelas casinhas pobres. Sem ser ofensivo, modernizar sem civilizar, está configurado, precisamente, nessa imagem.

Os problemas que Calderón terá de solucionar são ainda aqueles típicos de um país subdesenvolvido, mesmo que, hoje, as modas não sejam mais as TVs de 24 polegadas, mas as de 29, e os termos sejam mais doces como: “em desenvolvimento”, ao invés de subdesenvolvido; “nacionalizar”, ao invés de estatizar, e “socialismo do século XXI”, ao invés de comunismo, stalinismo etc.

No México há problemas de infra-estrutura; os mexicanos necessitam fazer uma reforma fiscal para dar lógica ao sistema tributário; ainda é necessário fazer também a reforma do Estado com o enxugamento da máquina administrativa, além de ser preciso equacionar, urgentemente, a questão da corrupção política.

Esses problemas, talvez seja mais adequado denominar características, são os mesmos encontrados em qualquer país ao sul do Rio Grande americano. Listá-los numa plataforma eleitoral ou num programa de governo como problemas que precisam ser resolvidos pelo presidente eleito, cairia perfeitamente em qualquer país do continente, exceto EUA e Canadá, que são os anglo-saxões da história.

Mas, voltar-se para as suas raízes não pode estar significando nostalgia, romantismo, muito menos um retrocesso. O México percebeu que há limites para ser anglo-saxão, mesmo que os EUA estejam se latinizando. O Nafta não se configurou como um Bloco dos sonhos e nem os americanos abriram suas fronteiras. Pior, o governo Bush quer construir um muro!

Os latinos, contudo, têm surpreendido. Apesar dos governos de esquerda, está ocorrendo um crescimento econômico poucas vezes visto na história da região e temos ficado sob os holofotes tempo suficiente para gerar efeitos ao marketing das empresas, dos governos e dos países (porque não?). As previsões para economia mundial em 2007 e 2008 são de queda, mas, aqui, ainda se prevê que ela será menor e vários dos sul-americanos têm mantido um ritmo acelerado.

Se somarmos todos os PIBs, com certeza somos inferiores à Europa, aos japoneses e aos norte-americanos. Mas, temos um mercado da dimensão de uma grande Itália e isso é atraente.
Com as políticas de investimento que têm sido apresentadas pelos governos e as projeções de poder realizadas por Chavez, distribuindo dinheiro por toda a região, a América Latina, apesar das deficiências crônicas, parecer ser um campo no qual seja possível plantar. E os mexicanos não podem ficar de fora.

O primeiro passo foi reunir-se com Ortega e negociar investimentos em infra-estrutura e na indústria hidroelétrica. Ainda há o que caminhar, mas o presidente nicaragüense mostrou que está interessado nessa parceria.

Calderón terá de amansar Chávez. Ele é o líder que despertou um anão e tornou-o gigante, enquanto os gigantes ficaram “adormecidos em berços esplêndidos” atrofiando-se com menos de 3% de crescimento anual.

Se Chávez é o Leão a ser controlado, a aproximação com a Nicarágua poderá vir a constituir-se numa boa cabeça de ponte. Daniel tem boas relações com Hugo e não quer ofender os EUA, que têm boas relações com o México.

Os mexicanos terão alguns trabalhos, pois necessitarão vencer uma grande distância geográfica que se concretizou nesses últimos anos, mas há parceiros que na se farão de rogados para receber investimentos, como a Argentina, o Chile, a Colômbia, o Peru, o Uruguai, lo Paraguai e o Brasil.

É possível que Calderón esteja percebendo essa brecha e, se planejar corretamente, poderá receber apoio dos norte-americanos para entabular parcerias. Caso a idéia do novo presidente mexicano, hegelianamente, se fenomenize, teremos um belo parceiro de dança que, infelizmente, estava sentado no baile latino americano.

Mas somos obrigados a destacar que, para sorte deles, e nossa, não estavam deitados eternamente em berço…Salve! Salve!

VENEZUELA: O Plano de Governo de Hugo Chávez

In Uncategorized on fevereiro 23, 2007 at 2:45 pm

O anúncio do novo Plano de Governo do presidente venezuelano Hugo Chávez produziu grandes especulações. Quando foi anunciado, em meados de janeiro, a Bolsa de Valores de Caracas sentiu imediatamente o impacto.

A queda foi de quase 30% no dia do anúncio. O bolívar, moeda corrente no país, sofreu uma depreciação de 27%.

O Plano tem por fim modificar a estrutura legal e constitucional do país durante os próximos dois anos, possibilitando a consolidação do regime Chavista.

Essas alterações incluem a criação e a exclusão de certas instituições políticas que possam dificultar a instauração da estrutura que foi concebida.

Por isso, o plano visa enfraquecer, principalmente, os grupos de interesse e os grupos privados (os mesmos que antigamente eram vistos como os clientes do Estado) e, assim, conseguirá abrir espaço para que o Estado se torne cliente de si mesmo.

Sua meta é realizar as mudanças até julho de 2008 e, até esta data, Chávez poderá governar por decreto, de acordo com a Lei Habilitante, aprovada pela Assembléia Nacional.

Graças a isso, vários analistas modificaram suas previsões para 2007. Assim, a previsão de inflação subiu para 24,2%, enquanto o crescimento do PIB deverá ser de 5,8%.

CHILE: Problema do gás incomoda indústria

In Uncategorized on fevereiro 23, 2007 at 2:24 pm

A ausência de gás natural está afetando o bom funcionamento das indústrias chilenas. O país, que tem grande parte do seu parque industrial dependente do gás natural, corre risco de ter uma crise energética.

O gás natural, que sempre foi fornecido pela Argentina, está chegando cada vez mais dificilmente à Santiago. O gás utilizado no Chile é apenas repassado pelos argentinos, mas sua origem é boliviana. No entanto, o acordo firmado recentemente entre Argentina e Bolívia inclui uma cláusula no qual a Argentina não pode repassar o gás ao Chile.

A antiga rivalidade entre Chile e Bolívia é a razão da sanção que o governo boliviano está aplicando ao Chile. A Guerra do Pacífico, no final do século XIX, resultou na perda da saída ao mar boliviana para o Chile. Desde então, os dois países travam disputas diplomáticas em torno deste tema. A recente cartada boliviana foi restringir o acesso chileno ao gás para poder aumentar seu poder nas mesas de negociação quando o tema for a saída ao mar.

Enquanto estuda uma estratégia a ser adotada, o governo chileno vem importando Gás Natural Líquido para suprir a deficiência que o setor industrial está sofrendo. No entanto, o produto importado, principalmente do Canadá, não está suprindo da melhor forma adequada.

Este embate entre Bolívia e Chile acaba colocando a Argentina no meio. O governo argentino alega ao chileno que não tem escolha e não pode ampliar o fornecimento de gás. Como resposta, o governo chileno anunciou aumento nas taxas de vários produtos agrícolas argentinos que são exportados para o Chile.

EQUADOR: Visão sobre o atual momento de Rafael Correa

In Uncategorized on fevereiro 22, 2007 at 4:01 pm

O presidente do Equador, Rafael Correa, segue com prestígio popular muito bom no país. Em termos gerais, sua imagem é bem melhor do que a imagem que a população tem do Congresso. O Legislativo tenta, de qualquer forma, frear o poder de Correa. No entanto, segue sem sucesso devido á falta de apoio popular.

No intuito de garantir o apoio e a mobilização da população, Correa chegou a ameaçar uma renúncia no caso de não conquistar seu objetivo no referendo. Este referendo não o habilitará a controlar o país como Hugo Chávez vem fazendo na Venezuela, mas chegará bem próximo disso.

Além da batalha travada com o Congresso, Correa pedirá aos Estados Unidos, que a base militar localizada em Mantra, na fronteira com a Colômbia, seja fechada. Segundo membros do governo equatoriano, a estratégia de fumigações de glifosato, realizados pelo exército colombiano na fronteira entre os dois países pode estar sendo concebida diretamente desta base. As fumigações visam erradicar as plantações de coca na fronteira entre os dois países, e o principal interessado são os EUA, donos da base militar de Mantra.

No entanto, mesmo desativando a base militar, o Equador dará seguimento à acusação contra a Colômbia na Corte Internacional de Justiça de Haia. Sabendo que poderá sofrer uma derrota em Haia, o governo colombiano poderá seguir com as fumigações até que a ordem de cessá-las seja dada.

Volta do Carnaval

In Uncategorized on fevereiro 21, 2007 at 4:12 pm

Voltando do Carnaval resolvi me dar um dia antes de reiniciar as postagens.

Enquanto o Brasil ficou paralisado devido ás festas em todos os estados, nossos vizinhos latino-americanos seguiam trabalhando.

A reportagem de capa da revista ÉPOCA desta semana é muito interessante. Ela cita alguns exemplos de políticas públicas tomadas pelos governos de Bogotá e Medellín para diminuir o crime, o tráfico e promover um crescimento sustentável das cidades. Recomendo a leitura. No entanto, deve-se estar atento que a reportagem pinta uma imagem da Colômbia muito melhor do que realmente é. Há uma dose de exagero na reportagem.

No próximo dia 12 estarei em viagem ao Panamá, Nicarágua e Guatemala. Espero colher informações diferentes sobre a América Latina. Um dos objetivos da viagem é identificar algumas similaridades e diferenças entre a América do Sul e a América Central em temas voltados para políticas públicas e percepção do Estado por parte da população.

Amanhã voltarei á postar informações e análises políticas do que está ocorrendo em nosso continente.

COLÔMBIA: A IDÉIA DA RE-REELEIÇÃO TAMBÉM AFETA URIBE

In Uncategorized on fevereiro 15, 2007 at 3:06 pm

A idéia que começa a rondar o Brasil, sobre a possibilidade de re-reeleição do presidente Lula, chegou ao solo colombiano.

Começa a circular, principalmente dentro do Congresso colombiano, a idéia de que Álvaro Uribe poderia tentar um terceiro mandato consecutivo. Os principais formadores de opinião do país abominaram a idéia. Oficialmente, o tema foi lançado pelo mega-empresário colombiano Julio Mario Santodomingo, que afirmou que o governo vem tendo tantos êxitos, que um terceiro mandato seria interessante. A crítica gira em torno dos possíveis prejuízos que a estabilidade constitucional sofreria.

Uribe ainda não se pronunciou sobre o assunto. No entanto, ele está adotando o mesmo comportamento de quando começou a cogitar a possibilidade de reeleição. Enquanto o rumor corria, Uribe esperou esse rumor se tornar um clamor público. Pode ser que a postura desta vez seja a mesma, até porque a possibilidade de um terceiro mandato é bem mais polêmica e Uribe se vê no meio de muitas batalhas políticas no momento. Falar a favor ou contra um terceiro mandato o prejudicaria de qualquer forma. Caso diga que é a favor, a oposição o acusaria de querer se perpetuar no poder. Caso afirme que é contra, o gesto pode ser tomado como um teste de receptividade pública sobre o tema. O silêncio, nesses casos é sempre a melhor escolha.

È importante ressaltar que o que possibilitou que Uribe conseguisse aprovar no Congresso o projeto de reeleição, foi a forte equipe de articulação que havia por trás. Esta equipe é composta por vários políticos que ofereceram todo o suporte em troca de disputar a vaga deixada por Uribe em 2010. Acredito que não haveria esse mesmo comprometimento de aliados para auxiliar Uribe a conseguir mais um mandato.

A fase de rumores está só começando. Pode não render em nada, mas foi exatamente assim que a reeleição foi introduzida lá na Colômbia e aqui no Brasil também.

EVO MORALES CHEGA EM AMBIENTE DE DISPUTA INTERNA

In Uncategorized on fevereiro 13, 2007 at 11:53 am

Evo Morales, presidente da Bolívia, virá ao Brasil discutir os novos termos do acordo de fornecimento de gás natural. Na prática, quer que o Brasil pague o mesmo preço que está sendo pago pelos argentinos.

A confirmação de sua vinda depende do avanço das negociações preliminares que estão em curso. Considerando a fragilidade energética do Brasil no momento, aceitar o reajuste do preço não seria o mais trágico. O que importa é saber quais compensações Morales vai dar pelo aumento.

Porém, no momento em que o Brasil rediscute essa questão a principal diretoria da Petrobrás, que está tratando da questão do reajuste de preços, é alvo de encarniçada disputa política entre Dilma Roussef e o presidente da Petrobrás Sergio Gabrieli.

Este não aceita a indicação de Maria das Graças Foster para o lugar de Ildo Sauer na Diretoria de Gás e Energia da empresa. Foster é pessoa de confiança de Dilma, que deseja ampliar seu poder na empresa.

Para resistir ao seu avanço, Gabrieli articula-se na área empresarial e com os governadores do Rio de Janeiro e da Bahia para manter Sauer no lugar ou colocar alguém de sua esfera de influência no cargo.

A disputa ocorre em um momento crítico para a matriz energética brasileira e reflete a desorientação do governo no trato da questão.

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

LULA SE ANTECIPA A BUSH NA VISITA AO URUGUAI

In Uncategorized on fevereiro 13, 2007 at 11:49 am

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, irá ao Uruguai no dia 26 de fevereiro, ou seja, 15 dias antes da chegada do presidente dos Estados Unidos, George W.Bush.

Segundo o embaixador do Brasil no Uruguai, José Felício, Lula apresentará ações para reduzir as gigantescas assimetrias econômicas entre os dois países.

Segundo o embaixador, o presidente também objetiva “fortalecer a relação bilateral e melhorar o comércio, favorecendo, assim, a ida de investimentos para o Uruguai que, consequentemente, irão gerar empregos”.

Aproveitou para anunciar que empresários brasileiros, principalmente do Rio Grande do Sul, têm interesses em levar para ao vizinho empresas que produzem ônibus.

Em sua inicativa, o governo Lula tem observado dois fatores: a insatisfação do Uruguai com o desenvolvimento do Bloco e a possibilidade de este país guinar para os EUA, dificultando um processo de integração que está em busca de renovação.

Com isso poderá haver estímulos para os investidores gaúchos, se bem trabalhados e articulados com os governos estadual e federal.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)