Thiago de Aragao

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O Início da Corrida Presidencial Boliviana

In Uncategorized on julho 12, 2005 at 5:37 pm

Após muitos meses no holofote em razão da grave crise política em que vivia, a Bolívia passa a chamar atenção pelo início da corrida presidencial. As eleições marcadas para dezembro deste ano contam atualmente com três candidatos de perfis bem diferentes um dos outros. Cada um dos candidatos representa uma linha política facilmente identificada. Evo Morales, líder cocalero boliviano que desde a queda de Sanchez de Lozada se tornou conhecido em toda a América do Sul, é o representante da esquerda e dos campesinos. Morales, que conta com o apoio incondicional do presidente venezuelano Hugo Chávez, detém o apoio das camadas mais pobres da população boliviana e dos indígenas, que quase em sua totalidade compõem o quadro dos mais pobres bolivianos. Existem fortes indícios que o governo venezuelano apóie Morales financeiramente e esteja por trás de sua ascensão, apesar de não haver provas concretas dessas ações.

O segundo candidato é Jorge Quiroga, ex presidente do país entre 2001 e 2002, bastante conservador e representante do centro. Quiroga é bem visto pelos Estados Unidos, local onde fez sua formação acadêmica.

Samuel Doria-Medina surge como uma alternativa ao meio empresarial que não possui boas lembranças com Quiroga e não apoiam de forma alguma a candidatura de Morales. Doria-Medina é um social democrata, que integra a novíssima aliança feita entre partidos de centro-direita, a Unidad Nacional.

O que se apresentou nas primeiras manifestações dos candidatos é que Doria-Medina e Jorge Quiroga, que foram colegas de gabinete no governo de Jaime Paz Zamora (1989-1993) investirão em ataques a Evo Morales para depois, perto das eleições, travarem uma batalha entre si.

Ainda é cedo para dizer quem é o favorito, mas ao que tudo indica, a escolha conjunta de Quiroga e Medina de atacarem Evo Morales, mostra que a grande preocupação é com o líder cocalero. Este, que possui um grande poder de fogo devido a assessoria que recebe direto de Caracas.

As Decisões Estratégicas do Mercosul

In Uncategorized on julho 12, 2005 at 11:44 am

Foi decidido durante a última reunião de cúpula do Mercosul a estratégia de parcerias que o bloco seguirá nos próximos meses. Foi acordado que as prioridades de negociações serão dadas a União Européia, Estados Unidos, Canadá, Índia e África do Sul.

Apesar das dificuldades nas negociações com a União Européia, que se encontram paralisadas, o Mercosul definiu como estrategicamente vital que o bloco retome as negociações. A ausência da China entre as prioridades do bloco é perfeitamente compreensível devido ao posicionamento que o Paraguai detém com Taiwan. A ilha, considerada pelos chineses como uma província rebelde, está entre os três principais parceiros comerciais do Paraguai.
Isso impossibilita o avanço das negociações do bloco com a China, que não aceita negociar enquanto o Paraguai não cortar seu relacionamento comercial e político com Taiwan. Quem ganha com esse entrave criado pelo próprio Mercosul é o Chile que aumenta sistematicamente seu comércio bilateral com os chineses.

A presença do Canadá, Índia e África do Sul entre parceiros relevantes não causam surpresas. Porém a ausência do México e da Rússia representa uma quebra na estratégia da política externa brasileira que propõe desenvolver as negociações do bloco com países membros do BRIC (Rússia, Índia e China). O México que ainda se encontra comercial e politicamente muito distante do Mercosul não demonstra tanto interesse em desenvolver seu potencial comercial com o bloco. A Rússia por outro lado, não representa um aliado importante ao Mercosul, mas está muito bem alinhado com a Argentina, o que representa uma preocupação para as exportações de carne bovina e suína do Brasil para aquele país.

É importante ressaltar que o Mercosul está começando a mostrar um interesse em corrigir um defeito estrutural profundo que possui: a falta de um discurso único entre todos os membros e uma agenda estratégica definida e autorizada por todos. Mesmo com o impasse com a China, causado pelo Paraguai e a ausência da Rússia entre as prioridades, o Mercosul definiu uma linha a seguir, o que já se trata de um grande avanço em termos estratégicos. Resta esperar se as estratégias de negociações com a União Européia serão bem executadas e se os avanços comerciais com a África do Sul e com a Índia deixarão de ser conversa de bar e atingirão o real potencial que possuem.