Thiago de Aragao

Archive for 10 de abril de 2008|Daily archive page

Venezuela: Eleições municipais a vista

In Venezuela on abril 10, 2008 at 7:30 pm

Com o objetivo de formar alianças entre os apoiadores do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para as eleições de prefeitos e governadores marcadas para o dia 23 de novembro, o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) começa a discutir esse assunto. Apesar do vice-presidente do partido, Alberto Muller Rojas, enfatizar que o tema das candidaturas não é prioridade, o PCV (Partido Comunista da Venezuela) e o PPT (Pátria Para Todos) esperam que essa questão seja definida para a construção das alianças e a definição dos candidatos. Para o secretário-geral do PPT, José Albornoz, “é importante a construção de propostas que possam ser executadas”. Essa disputa regional será importante para o governo e a oposição organizarem suas bases partidárias visando a sucessão de Hugo Chávez. Enquanto o governo busca ampliar seu controle sobre o sistema político, a oposição pretende derrotar o chavismo em redutos estratégicos e construir uma candidatura com perspectivas de vitória.

Chávez reiterou a necessidade de seus aliados conservarem os governos e prefeituras obtidas pelo governo nas eleições regionais e municipais do dia 23 de novembro. Ele também pediu que seus partidários evitassem disputas entre si para decidir quem será o representante do chavismo. De acordo com o venezuelano, o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) está começando os trabalhos para eleger governadores e prefeitos. Chávez anunciou também que no dia 29 de março os batalhões do PSUV começarão a organizar suas equipes políticas regionais para a disputa de novembro. Além de manter os atuais postos de comando, o grande objetivo do chavismo é a conquista do Estado de Zuliá, hoje nas mãos da oposição. Na avaliação do presidente venezuelano, a oposição utilizará a disputa de novembro como o primeiro passo para tirá-lo do poder.

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Venezuela: O dilema de Hugo Chávez

In Venezuela on abril 10, 2008 at 7:29 pm

A visita do presidente Hugo Chávez ao Brasil para anunciar as obras de uma refinaria em Pernambuco foi um sonho realizado para o venezuelano. A refinaria será construída pela empresa mista binacional que terá 60% de participação da Petrobrás e 40% do Estado venezuelano por meio da PDVSA (Petróleos de Venezuela). A companhia terá capacidade de processamento de 200 mil barris diários de petróleo, uma vez terminada, e vai operar com pessoal de ambas as nações. Em meio a graves crises domésticas, Chávez aproveita uma viagem internacional para se aproximar do presidente Lula. A aproximação dos dois sempre ocorreu, no entanto não com o grau de intensidade que Chávez gostaria.

Domesticamente, o racionamento e a falta de abastecimento segue em frente. A população, cada vez mais impaciente, está demonstrando sinais de descontentamento com o presidente. Podemos esperar:

– Chávez ampliará medidas populistas e diversificará o programa Barrio Adentro (espécie de Bolsa Família venezuelana);

– Acordo com a Argentina onde se vende energia em troca de alimentos de primeira necessidade;

– Regulamentação maior sobre os produtores de alimentos venezuelanos;

– Investimento em grêmios estudantis, para assim, neutralizar manifestações estudantis contra racionamento.

Bolívia: A difícil situação de Evo Morales

In Bolívia on abril 10, 2008 at 7:28 pm

Na Bolívia, o governo de Evo Morales apresenta mais razões para que uma reconciliação entre governo e províncias seja cada vez mais difícil.

As organizações empresariais da região de Santa Cruz se rebelaram contra a decisão do presidente em proibir a exportação de azeite. Eles adiantaram que haverá greves e danos para 300 mil famílias. Entre as entidades estão a Cainco (Câmara de Comércio e Indústria de Santa Cruz) e a CAO (Câmara Agropecuária do Oriente). Eles informaram que se o decreto não for alterado, pedirão ao governo de Santa Cruz, controlado pela oposição, para garantir a produção e exportação de seus produtos. Os empresários acreditam que, com o veto da exportação de azeite, o país deixará de arrecadar US$ 200 milhões.

Ao longo da próxima semana, representantes da Cainco discutirão entre si sobre qual reação deverá ser apresentada contra o governo. O mais provável, é que devido à postura de busca por autonomia, a Cainco, que está por trás do movimento de autonomia da província, intensifique ainda mais a participação popular em busca de maior independência sobre o governo de La Paz. Caso a Câmara busque negociar com Morales, a mensagem que estará sendo dada é de subordinação ao presidente.

É importante lembrar que a grande maioria das decisões de Morales não são frutos de suas próprias vontades e decisões. O partido do presidente, o MAS (Movimento al Socialismo), é muito mais radical do que o próprio Morales. A pressão exercida pelo partido para que Morales tome ações radicais vem prejudicando diariamente o relacionamento do presidente com outras províncias do país.

A estabilidade no país ainda está longe de ser atingida. A oposição boliviana está organizando uma missão para convencer Brasil e Argentina que a situação no país traz sérios riscos à estabilidade na região. O movimento é liderado pelo presidente do Senado da Bolívia, Oscar Ortiz. No seu entendimento, “o desrespeito às instituições pode desembocar num conflito interno de grandes proporções”.Ortiz deseja que os governos sul-americanos obriguem a Bolívia a cumprir os compromissos democráticos assumidos com a OEA (Organização dos Estados Americanos) e o Mercosul. O presidente do Senado boliviano também acusa o chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez, de financiar as ações do governo Evo Morales. Para Ortiz, chegou a hora de o Brasil deixar de fazer vistas grossas para as interferências de Chávez. Além da nomeação de juízes da Suprema Corte boliviana por meio de decreto, ele acusa as autoridades locais de impedirem a oposição de manifestar-se. Embora sustente que as oposições não querem o confronto, Ortiz rechaça a Constituição aprovada pelos aliados de Morales que: centralize o poder no governo federal; revise todas as concessões de serviços públicos; exige voto popular para a escolha de juízes da suprema corte; e crie instâncias populares para a supervisão dos poderes.

Argentina: Como Cristina está levando o governo

In Argentina on abril 10, 2008 at 7:26 pm

O governo de Cristina Kirchner ainda não teve descanso nesses últimos meses. Ainda adotando a estratégia do “dançar conforme a música”, o governo argentino não apresenta um plano estratégico bem delineado, que demonstra sua intenção de resolver alguns problemas internos de grande importância.

O protesto dos produtores rurais contra o aumento de tributos sobre exportações de grãos, não é um fato de acontecimento repentino. Desde meados do governo de Nestor Kirchner, quando, pela necessidade do crescimento, o governo decidiu privilegiar o mercado doméstico em detrimento ao externo, além de estabelecer preços limites para os produtos, os produtores rurais e criadores de gado se colocaram contra o governo. No entanto, naquele tempo, os produtores entendiam sobre a necessidade de aquecer a economia doméstica, aliada a alta do poder de compra do argentino, para compensar a falta de venda externa para uma população com maior poder financeiro. Porém, a época vivida foi de ótima exportação de carne e grãos por parte dos vizinhos argentinos: Brasil, Paraguai e Uruguai. Aos poucos, os produtos argentinos típicos para exportação foram sendo substituídos.

As províncias de Buenos Aires, Santa Fé, Entre Rios, Córdoba, Santiago del Estero, San Luis e La Pampa – que concentram mais de 80% da produção agropecuária local – foram bloqueadas pelos produtores. O objetivo deles é impedir a circulação de carne, frango, verduras e lácteos. Como conseqüência, os produtos já começam a desaparecer das prateleiras dos supermercados.

A onda de protestos teve início com a decisão do ministro da Economia, Martín Lousteau, em elevar a chamada “retenção” (imposto sem devolução cobrado sobre os exportadores de grãos, mas que atinge a carne e os combustíveis). Com isso, do total de soja que é exportado, 44,1% ficará retido pelo governo contra 35% de antes. A justificativa do governo para tal medida é que os recursos serão utilizados para elevar o superávit fiscal. Apesar do clima conturbado, Cristina Kirchner deu uma forte resposta aos manifestantes. De acordo com ela, esse setor foi o que mais ganhou dinheiro nos últimos anos, como conseqüência do recorde de preços das commodities no exterior.

No momento em que os produtores decidiram exportar, o governo contra-atacou com o aumento no imposto de exportação. Negociações entre líderes do setor e o governo estão ocorrendo, mas com mais intensidade somente na próxima semana. Cristina deverá se reunir pessoalmente e proporá um meio termo, além de um pacote de incentivos fiscais para os produtores. Representantes rurais exigem que o governo divulgue números reais da inflação acumulada do último ano. Nesse ponto, haverá divergências, pois por mais que muitos saibam que o governo maquia os números, esse é o número dado como oficial pela Casa Rosada. Informar números diferentes do que vem sido feito afetará gravemente a credibilidade do governo Kirchner.

Cristina Kirchner não pode alegar que a situação a pegou de surpresa. Há tempos era esperada uma situação como esta. O grande problema de Cristina foi esperar que essa crise eclodisse no momento em que o consumo energético é um problema nacional.