Fonte: Arko America Latina: thiago@arkoadvice.com.br
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, mobilizou tropas militares para intervir no conflito interno da Bolívia, segundo informações às quais o presidente Lula teve acesso. Isso significa que, enquanto participava da reunião da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), na segunda-feira – com a presença de oito presidentes latino-americanos –, em favor do entendimento, Chávez também conduzia uma alternativa militar.
Chávez considera inaceitável qualquer concessão aos autonomistas da parte baixa da Bolívia e ofereceu intervenção militar direta para apoiar Evo Morales. A informação chegou ao Palácio do Planalto na tarde de ontem e causou grande apreensão. A iniciativa de Chávez pode determinar a reação das Forças Armadas bolivianas que, por meio do seu comandante, general do ar LuisTrigo, rechaçou qualquer intervenção externa nos problemas bolivianos. Considerado um homem sério, legalista e com boas relações com autoridades brasileiras, Trigo pode ser um empecilho para os planos de Chávez e ser afastado do cargo.
Na segunda-feira, Chávez atacou duramente o comandante Trigo, a quem acusou de desobedecer ordens do presidente Evo Morales e o comparou a militares venezuelanos que facilitaram a tentativa de golpe contra ele em 2002. A proposta do presidente venezuelano, ainda que seja uma hipótese, agrega tensão ao quadro complicado enfrentado pelo governo na Bolívia.