Thiago de Aragao

Posts de Março 28th, 2008

Entrevista: Senador Alvaro Dias (PSDB-PR) comenta eleições no Paraguai

In Brasil, Entrevista, Paraguai on Março 28, 2008 at 4:18 pm
Após 60 anos, o partido Colorado está ameaçado de perder o poder. Sua representante na eleição, a ex-ministra Blanca Ovelar está desgastada pelo governo do atual presidente Nicanor Duarte Frutos. Nesse cenário, emerge com força a candidatura do ex-bispo Fernando Lugo, apoiado por vários movimentos sociais e pelo PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico). Além deles, também está no páreo o candidato Lino Oviedo que adota um discurso mais liberal pregando uma redução do tamanho do Estado.
Os paraguaios irão às urnas no dia 20 de abril para escolher seu próximo chefe de Estado. A eleição é de apenas um turno e todas as pesquisas dão vantagem para Lugo. Diante desse quadro político, a Arko América Latina entrevistou, com exclusividade, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) sobre a campanha eleitoral no Paraguai e suas peculiaridades.

Álvaro Dias é professor e está em seu 3º mandato. É um político experiente, pois já exerceu vários cargos eletivos: vereador em Londrina, deputado estadual, deputado federal duas vezes, e senador, antes de ter sido eleito governador do Paraná, em 1986. Opositor determinado do governo Lula, também foi vice-líder do PSDB e líder da Minoria. Atualmente, é o segundo vice-presidente do Senado.

ARKO AMÉRICA LATINA: Senador, o candidato da Aliança Patriótica para a Mudança à presidência do Paraguai, Fernando Lugo, tem dito que o seu país precisa recuperar a soberania de Itaipu. O senhor acha que isso pode ser motivo de preocupação para o Brasil?

Álvaro Dias: Acompanho o desenrolar da campanha eleitoral no Paraguai com peculiar interesse e atenção. Somado ao fato de envolver questões de nosso entorno regional (vetor estratégico), como ex-governador e parlamentar do Paraná, vivenciei os assuntos relacionados à Tríplice Fronteira de forma rotineira. A plataforma dos candidatos ao ‘Palácio de Lopez’ inclui, em alguma medida, a releitura das relações bilaterais Brasil/Paraguai. Nesse contexto, é quase que inexorável que Itaipu não seja alçada ao cerne do debate presidencial. No que toca especificamente ao candidato Fernando Lugo, sua bandeira e mote principais desfraldados nas arborizadas ruas de Assunção, se traduzem no resgate da soberania energética. Sua retórica procura galvanizar o sentimento de setores nacionalistas que defendem a tese da revisão do Tratado de Itaipu em termos radicais. Não pode ser afastada a possibilidade de rompimento de obrigações contratuais, caso Lugo seja sufragado pelas urnas, em abril próximo. Acredito que o Itamaraty já estude essa questão e elabore uma estratégia a ser oferecida ao Presidente da República.

AAL 2: O candidato a presidente do Paraguai pela União Nacional dos Cidadãos Éticos, Lino Oviedo, é o preferido dos políticos e empresários brasileiros. Quais as propostas de Oviedo que mais “seduzem” seus apoiadores?

AD: O General Lino Oviedo retornou à política após um longo e tortuoso itinerário, passando do exílio à prisão. O cárcere é lugar de exaustiva reflexão, recordo-me do ex-governador Miguel Arrais tecendo comentários sobre o seu período de reclusão e exílio na Argélia. Acredito que o General Lino percorreu uma verdadeira via crucis interior e tenha incorporado lições e aprendizados importantes que se refletem hoje nos seus posicionamentos. A sua proposta, ou melhor, a sua tônica é a da negociação pela via diplomática. Não me surpreende que a postura de Oviedo desperte a simpatia de gregos e troianos.

AAL 3: O senhor acredita que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tenha maior influência no Paraguai num eventual governo Fernando Lugo?

AD: Acho temerário vaticinar sobre eventuais posturas do coronel Chávez. O mandatário venezuelano é um homem imprevisível. Contudo, me sinto bastante a vontade para afirmar que numa administração Fernando Lugo, o senhor Chávez seria persona grata.

AAL 4: Qual o seu entendimento sobre o “Projeto do Sacoleiro” (PL 2105/07), que institui o RTU na importação, por via terrestre, de mercadorias procedentes do Paraguai? Qual a postura que o senhor espera do Brasil em relação ao combate à pirataria?

AD: Primeiramente, é preciso recapitular algumas passagens que envolvem essa matéria. O governo Lula colocou na última gaveta a proposta de transformar os sacoleiros em micro-importadores mediante a fixação de alíquota diferenciada. No apagar das luzes do ano de 2006, após marchas e contramarchas da administração petista, levei a proposta ao Senado. O compromisso então assumido pelo governo, qual seja, responder a questão num horizonte temporal de 30 dias venceu e foi postergado até junho do ano passado, quando foi editada a Medida Provisória –MP – 380. Essa MP foi revogada em nome do pragmatismo da gestão Lula: não obstruir a pauta e permitir a aprovação da CPMF. Logo em seguida, surgiu o PL 2105 que institui o Regime de Tributação Unificada (RTU) para a importação de mercadorias do Paraguai, por via terrestre, pelos micro e pequenos empresários participantes do Simples Nacional (Supersimples). O combate à pirataria deve ser prioridade das autoridades governamentais, bem como o Brasil deve ser signatário e apoiador de 1ª hora de todas as iniciativas multilaterais que objetivam combater esse fenômeno que se alastrou pelos quatros cantos.

AAL 5: O próximo governo paraguaio diminuirá o problema da pirataria e do contrabando?

AD: Na plataforma de Oviedo esse é um ponto fulcral. Qualquer homem sério que se proponha a governar a República do Paraguai, sabe que é vital desconstruir essa imagem de ‘pirata sem mar’ que o Paraguai ostenta. Tudo converge para que o combate à pirataria seja intensificado pelas autoridades constituídas daquele país.

AAL 6: A possível derrota do partido Colorado no Paraguai, que está no poder há 60 anos, poderá trazer mudanças bruscas para a política interna e externa desse país?

AD: A derrota da candidata Blanca Ovelar – o fim da hegemonia do Partido Colorado no comando do país – deverá trazer novos ventos. Com Oviedo, uma brisa moderada, mas nem por isso fraca. Com Lugo, a velocidade dos ventos pode ser incerta.

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

Para Brasil, discurso chavista é mais forte que suas ações práticas

In América Latina, Brasil, Venezuela on Março 28, 2008 at 4:15 pm

Embora reconheçam a influência do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em diversas questões internas de outras nações, diplomatas graduados do governo brasileiro avaliam que a propaganda da força do venezuelano é mais forte do que ela realmente é. A avaliação geral dos integrantes do Itamaraty é que o discurso chavista tem pouca ação prática.A análise dos diplomatas brasileiros está centrada na falta de credibilidade que o bolivarianismo tem de fato. Apesar da forte retórica, as propostas do venezuelano têm pouca conexão com a conjuntura atual. Serve mais para conquistar unidade interna entre seus aliados do que para ser projeto viável.

Mesmo com a preocupação manifestada por muitas autoridades, principalmente quanto a questões relacionadas à corrida armamentista, a Venezuela não possui a força econômica nem política representada pelo Brasil no continente. Guardadas as devidas proporções, o Brasil está para a América do Sul como os EUA estão para América Latina.

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

Grupo de ex-presidentes discutirá agenda para América Latina

In América Latina on Março 28, 2008 at 4:14 pm

Um grupo formado pelos ex-presidentes Vicente Fox (México), Carlos Mesa (Bolívia), Ricardo Maduro (Honduras), Fernando Henrique Cardoso (Brasil) e Rodrigo Carazo (Costa Rica), além do ex-primeiro-ministro da Espanha, José María Aznar, pretendem elaborar uma agenda social para a América Latina e entregá-la no mês de novembro para os atuais governantes.De acordo com a agência Efe, a iniciativa pretende fortalecer o crescimento econômico, as instituições democráticas, a liberdade de expressão, os direitos humanos e a independência dos poderes. O criador da iniciativa foi o ex-presidente do Peru, Alejandro Toledo. Também participam empresários, sindicatos e outros representantes da sociedade civil.

Fará parte das discussões uma análise sobre os atuais líderes políticos dos EUA, América Latina e Caribe.

Na agenda social proposta estarão incluídos temas como a imigração, direitos dos indígenas e afrodescendentes, integração regional, maior participação das empresas para reduzir a pobreza e a distribuição das riquezas para reduzir as desigualdades.

(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)