Após a incursão militar em território equatoriano que matou o número dois na hierarquia das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Raúl Reyes, dois cenários apresentam-se para o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Na política externa, ele está sendo prejudicado por ter violado um direito internacional. Na política doméstica, ele somou pontos importantes para reforçar sua principal bandeira do governo (combate às guerrilhas) e elevar sua popularidade em busca de uma reforma constitucional que lhe permite disputar o terceiro mandato.De acordo com pesquisas divulgadas após a operação militar, a avaliação positiva de Uribe passou de 70% para 89%. Soma-se a isso o fato de 93% dos colombianos avaliarem negativamente a atuação das FARC. A aprovação da opinião pública sobre a ação militar é conseqüência do desejo dos colombianos de que os conflitos internos terminem.
Como a atuação das FARC é rejeitada, a morte de Reyes reforça a idéia de que os guerrilheiros podem ser derrotados, conforme defende Uribe desde sua chegada à presidência. No entanto, isso pode criar problemas para a libertação dos reféns. Reyes não era só um dos “cérebros” das FARC, mas também o contato político na busca de um acordo humanitário.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)