A saída de Fidel Castro do posto de “Comandante Chefe” do governo cubano não representa a mudança que muitos esperam. Sua saída voluntária do governo demonstra que a política dos EUA de pressionar Cuba por 50 anos não funcionou. Fidel resolveu sair porque sua condição física não suportava mais e não por pressão de Washington.A entrada de Raúl Castro representa o continuísmo. Informações diretas da ilha garantem que Raul é menos flexível do que seu irmão, menos carismático e não terá medo de adotar fortes medidas para diminuir a onda de “oba-oba” que se instalou na mídia internacional desde que Fidel anunciou seu afastamento.

Simbolicamente, a saída de Fidel do posto político mais alto do país é um grande feito. Sendo uma das figuras do século XX, Fidel é o único personagem ativo de um mundo polarizado e tenso. Sua imagem, hoje, vale mais do que suas mensagens e sua capacidade de convencimento. Em um mundo onde as idéias socialistas do passado são consideradas utópicas e às vezes até ridículas (principalmente tendo Hugo Chávez como principal porta-voz do socialismo pré-89), Fidel era a lembrança de um mundo que não prosperou, que não soube perder.

Cuba se manterá como está durante algum tempo. Raúl Castro é apenas cinco anos mais novo do que Fidel e com uma saúde longe do ideal. Seu legado não resistirá muito tempo. Por mais que a ilha continue dentro do “mais do mesmo”, Raúl Castro representa uma substituição aos 43 minutos do segundo tempo, de um jogo perdido há 19 anos.

(Equipe Arko América Latina - americalatina@arkoadvice.com.br)