Thiago de Aragao

Posts de Julho, 2007

ARGENTINA: Mais um caso de corrupção atinge o governo Kirchner

In Argentina on Julho 23, 2007 at 1:18 am

Depois de Felisa Miceli (ex-ministra da Economia), outra ministra do governo Kirchner está sendo acusada de corrupção. A ministra da Defesa, Nilda Garré, está sendo intimada por um suposto contrabando de peças de fuzis FAL para uma empresa dos EUA. De acordo com a agência AFP, a justiça argentina investiga uma exportação de peças de fuzis para a empresa Connecticut (EUA) de propriedade de um ex-militar argentino.

O carregamento (que possui a assinatura da ministra) ficou retido na alfândega porque o preço declarado foi considerado inferior ao real. A ministra contra-argumenta afirmando que “em função da campanha eleitoral a questão está sendo superdimensionada pela justiça argentina”.

Pelos últimos acontecimentos, o tema da corrupção deverá entrar com força na disputa eleitoral. A oposição que estava sem discurso deverá fazer uso da campanha negativa para desgastar o kircherismo. A grande incógnita é saber como a oposição conseguirá vender propostas para o eleitorado, pois apenas com campanha negativa não se ganha eleição. A aposta do governo será que a questão da corrupção esfrie até a disputa de outubro.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

ARGENTINA: INDEC confirma crescimento de 8,2%

In Argentina on Julho 23, 2007 at 1:17 am

De acordo com o INDEC (Instituto Nacional de Estatística de Censos), mesmo com a escassez de gás natural e energia elétrica, a Argentina registrou um crescimento econômico de 8,2% no mês de maio.

Embora esse índice tenha sido confirmando oficialmente somente ontem, isso já havia sido antecipado de forma extra-oficial pelo presidente Néstor Kirchner em ato na Casa Rosada. Com isso, o índice ficou acima das projeções dos analistas econômicos que acreditavam num crescimento de 7,7%.

A notícia é importante para o governo Kirchner, pois, mesmo com os escândalos de corrupção que vem atingindo o governo, a atividade econômica segue em alta, fazendo com que a população tenha condições de vida melhores e diminuindo eventuais insatisfações com a atual gestão.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM O DEPUTADO DO PSDB – RS, JÚLIO REDECKER

In Entrevista on Julho 19, 2007 at 6:16 pm

Como forma de prestar uma homenagem ao deputado e familiares, estamos reproduzindo a entrevista concedida por Redecker a Arko América Latina no dia 27/04 que traz contribuições muito válidas para a compreensão da situação latino-americana.

“A licenciosidade da política externa brasileira em relação à política autoritária dos Presidentes venezuelano Hugo Chávez e boliviano Evo Morales só traz prejuízos econômicos e perda de prestígio político internacional”.

A avaliação é do líder da minoria na Câmara do Deputados, Júlio Redecker (PSDB-RS). Nesta entrevista exclusiva à Arko América Latina, o parlamentar critica a política externa e a diplomacia do governo Lula, especialmente com os países vizinhos, e aponta a ALCA como a melhor alternativa ao Brasil.

ARKO AMÉRICA LATINA: Qual sua avaliação sobre a política externa do governo Lula?

JÚLIO REDECKER: As premissas da política externa brasileira estão erradas. O Brasil reconhece a China como economia de mercado e impede o andamento dos acordos junto à ALCA e União Européia. Ao mesmo tempo, não realiza o aprofundamento do Mercosul, que está praticamente abandonado.

AAL: O senhor vê alguma viabilidade na parceria que o Brasil tenta fechar com os EUA? O que isso traria para o Brasil e como seu partido percebe os lucros partidários?

JR: O Brasil tem nos Estados Unidos o seu maior parceiro comercial. A ALCA abriria mais mercados e oportunidades de comércio e essa, talvez, seja a melhor parceria. Incrementar o comércio, criando mercados aos produtos brasileiros, inclusive o etanol, é necessário. Contudo, é preciso respeitar as leis ambientais, gerar emprego e renda, pois esse é motor da economia de qualquer País. Os lucros nunca devem ser partidários, mas sim, da Nação, com democracia econômica e inclusão social.

AAL: Quais problemas que o senhor aponta como cruciais na projeção da política brasileira?

JR: A falta de governo do próprio governo, seu descontrole gerencial. O presidente é bom político e um mau gerente. Não há esforço na melhoria do gasto público e diminuição do custo do poder público, constantemente transferido para o bolso do contribuinte. É sempre a mesma história: mais tributos e menos serviços de qualidade para a população.

AAL:Hoje, o Brasil administra relações aparentemente tensas com dois países vizinhos: Venezuela e Bolívia. Para o senhor, a forma como o país vem conduzindo essas relações é adequada ou deveria partir para uma política mais ofensiva?

JR: A licenciosidade da política externa brasileira em relação a esses países só traz prejuízos econômicos e perda de prestígio político internacional. Cada vez que o presidente fala que Chávez é um grande parceiro, isso é ruim para o Brasil. Como fez na reunião de líderes no Chile, que está em andamento naquele País. Tudo porquê Lula prestigia uma liderança nefasta, que só trás prejuízos à Amércia Latina ao defender e protagonizar um governo anti-democrático e na contramão da história.

AAL: Fala-se muito que Hugo Chávez tenta ser o líder do continente. Que efeitos para imagem do Brasil traria algo como isso?

JR: Líder autoritário, que restringe os direitos de seu povo e impede o exercício da democracia, não deve ser levado a sério. Basta o Brasil não seguir seu exemplo e Lula parar de prestigiá-lo a cada encontro de presidentes sul-americanos.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

PARAGUAI: Dirigente acusa Brasil de prejudicar a economia local

In Brasil, Paraguai on Julho 19, 2007 at 6:14 pm

O titular do Centro de Importadores do Paraguai, Max Haber, acusou o Brasil de tentar obrigar o Mercosul a pagar por sua falta de competitividade ante o avanço chinês, ao reajustar a tarifa externa comum do Bloco.

Disse ainda que a elevação prejudicará as confecções, pois os tecidos que importam vão ficar mais caros. “Esta medida só trará vantagem competitiva da ilegalidade em detrimento à indústria nacional e ao comércio formal”, disse ele.

Segundo o dirigente, a taxa de exportação de calçados, por exemplo, do Brasil para o Paraguai já representa 50% do total do produto e, com a medida, aumentará muito mais a dependência do país e estimulará a ilegalidade.

“Por outro lado, em relação aos têxteis, visto que nosso país é altamente dependente da importação deste artigo de fora do Bloco, e ele é utilizado pela pequena e média empresa de confecções, a elevação da tarifa significará um aumento de custo para o consumidor local, além de diminuir a competitividade para as exportações”.

No começo do mês, representantes do governo brasileiro conseguiram convencer o Paraguai a elevar de 20% para 35% a tarifa de confecções e de 18% para 30% a dos calçados.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

MÉXICO: Calderón condiciona investimentos à reforma fiscal

In México on Julho 19, 2007 at 6:12 pm

O presidente do México, Felipe Calderón, apresentou ontem o PRONI (Programa Nacional de Infra-estrutura) e afirmou que “seu êxito depende da aprovação da reforma fiscal que está sendo discutida no Congresso mexicano”.

O presidente mexicano acredita que existem três cenários possíveis para que o país esteja entre as 5 maiores economias do mundo até o ano de 2030.

No primeiro deles, “parte da premissa que o país contará com recursos adicionais vindos da reforma fiscal que permitirá aumentar os investimentos em infra-estrutura”.

Existe uma segunda possibilidade (chamada de cenário inercial) onde a reforma fiscal não seria aprovada, fazendo com que o governo não disponha de recursos adicionais para investir em infra-estrutura.

O terceiro (chamado de cenário excelente) é aquele em que o México aplicaria um conjunto de reformas estruturais nas áreas trabalhista, energética e de telecomunicações, que iriam acelerar o crescimento e permitiriam maiores investimentos em infra-estrutura.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

COLÔMBIA: Eleições regionais de outubro estão sob risco

In Colômbia on Julho 19, 2007 at 6:09 pm

A diretora da MOE (Missão de Observação Eleitoral), Alejandra Barrios, afirmou que existem ameaças às eleições regionais de outubro. Ela se baseia em um estudo que aponta alto risco do pleito em 13 municípios, médio risco em 42 cidades e baixo em 273.

A investigação foi feita pelas universidades Javeriana, dos Andes e de Rosário, a Corporação Novo Arco-Íris e pela MOE. Foram analisadas variáveis de fatores atípicos por uma alta ou baixa participação eleitoral; risco para a eventual manipulação de votos anulados, brancos ou cédulas não marcadas e os locais onde só um candidato captou exageradas porcentagens de votações.

A acumulação desses itens em uma mesma localidade aumenta a possibilidade de risco de irregularidade nas próximas eleições.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM O SENADOR MOZARILDO CAVALCANTI (PTB-RR)

In Entrevista on Julho 15, 2007 at 10:23 pm

Para o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), a política externa brasileira precisa deixar de lado a exclusiva promoção de intercâmbio cultural e acordos meramente diplomáticos e partir para uma estratégia mais agressiva na conquista de mercados. Nesta entrevista exclusiva à Arko América Latina, o parlamentar analisa a atuação internacional do Governo Lula, especialmente no continente latino-americano.

ARKO AMÉRICA LATINA: Qual sua avaliação sobre a política externa brasileira?

MOZARILDO CAVALCANTI: Acho positiva. Ela tem avançado bastante, não é unilateral e não tem viés ideológico. Para mim, isso é fundamental.

AAL: Para o senhor existe algum entrave que deve ser superado?

MC: Acho que falta maior agressividade comercial. A nossa diplomacia tem que ser mais comercial e não só a relação puramente diplomática, de intercâmbio cultural ou de outra ordem.

AAL: Qual sua análise sobre o Mercosul? O Brasil tem uma atuação satisfatória?

MC: Acho que o Mercosul avança. É um mecanismo de difícil implantação. São peculiaridades muito diferentes. Ao longo do tempo, como dizem nossos vizinhos, que vivíamos de costas para o outro. Essa política vem mudando e agora se desenha de maneira mais sólida. Há muito obstáculo a se vencer ainda.

AAL: Hugo Chávez (presidente da Venezuela) e Evo Morales (presidente da Bolívia) se consolidam no continente sob a bandeira do socialismo e com discursos favoráveis à nacionalização de empresas importantes para o desenvolvimento econômico. Qual a sua perspectiva sobre a relação do Brasil com esses dois países?

MC: Com relação à Venezuela, não vejo problema algum. Podemos divergir sobre a política interna. No entanto, nisso não podemos interferir. Sobre a Bolívia, o que há é um ajuste interno. Secularmente, muitos países exploravam os recursos da Bolívia de uma forma que era desvantajosa para a nação boliviana. A atitude do Evo Morales demonstra que ele quer tirar um atraso de séculos em curto tempo.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

ARGENTINA: Menem e Rodríguez Saá querem expulsão de Néstor e Cristina do PJ

In Argentina on Julho 15, 2007 at 10:21 pm

De acordo com a agencia EFE o ex-presidentes da Argentina, Carlos Menem e Adolfo Rodríguez Saá, defenderam a expulsão de Néstor e Cristina Kirchner do Partido Justicialista. Na opinião dos dois ex-presidentes, Néstor e Cristina, são integrantes de outro partido, a Frente para a Vitória (criado pelo atual presidente em 2003).

Em declaração a imprensa, Menem afirmou: “eles deixaram de ser justicialistas, com a criação da Frente para a Vitória”. Para que a expulsão seja efetivada, Menem e Saá apresentaram um documento junto ao tribunal de disciplina do PJ (Partido Justicialista).

Os dois ex-presidentes argentinos estão buscando uma forma de excluir o kircherismo das fileiras do partido para não perder o espaço que está sendo ocupado por Néstor e Cristina Kirchner.

Como, atualmente,o peronismo não dispõe de nomes alternativos, o casal Kirchner está dominando a legenda e ameaçando figuras históricas, tais como, Menem e Saá.

Assim, com a expulsão deles um espaço seria aberto dentro do peronismo sendo ocupado por algum político de oposição ao atual governo.

Conforme podemos ver está ocorrendo dentro do partido o velho conflito de elites inerentes a qualquer organização, na medida em que, o kirchnerismo está mais forte que o peronismo.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

PERU: Para população, cenário econômico é regular

In Peru on Julho 15, 2007 at 10:20 pm

De acordo com pesquisa de satisfação sobre o governo feita pela Universidade de Lima, a situação do país não pode ser considerada das melhores. Para 55,3% dos entrevistados, o cenário econômico é regular; 30,1% o consideram ruim ou muito ruim. Somente 14,5% o avalia como bom ou muito bom.

Sobre as expectativas, 29,4% acha que no período de um ano a situação irá melhorar. Em junho, 34,7% pensava desta maneira. Na avaliação de 35,4%, as coisas permanecerão da mesma forma e para 27,3% irão piorar. Completando a pesquisa, para 22,1% a economia familiar melhorou, já 50,3% analisam que é a mesma e 25,4% pensam que piorou no último ano.

Apesar da população avaliar o momento econômico atual como apenas “regular”, esse continua sendo o bastião do governo de Alan Garcia. Se, politicamente este não avança muito em matérias delicadas como infra-estrutura e reformas essenciais que necessitariam ser aprovadas no Congresso (como Trabalhista e Previdenciária), economicamente o país está em uma situação de crescimento constante. No entanto, esse crescimento econômico não vem demonstrando uma visível melhora na vida da população. Garcia aguarda a conclusão do Tratado de Livre Comércio (TLC) com os EUA, para poder aumentar o volume de exportações e beneficiar as indústrias do país por meio de incentivos fiscais. Segundo Garcia, esse processo é vital para a geração de empregos e o desenvolvimento da indústria peruana.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

EUA condiciona acordo com o Mercosul a exclusão da Venezuela

In EUA, Mercosul, Venezuela on Julho 15, 2007 at 10:17 pm

Durante sua passagem pelo Brasil, o subsecretário de Estado norte-americano para Assuntos Políticos, Nicholas Burns, classificou o Brasil como o melhor parceiro dos EUA na América Latina.
Esse bom relacionamento está ligado ao acordo de cooperação firmado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e George W. Bush (EUA) para a produção do biocombustível.

Burns aproveitou esse estreitamento das relações para tentar isolar o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Segundo ele, “um possível acordo dos EUA com o Mercosul dependerá da exclusão dos venezuelanos como sócio pleno do Bloco”.

De acordo com Burns, “a agenda dos EUA, Brasil, Argentina, Chile, Peru, Equador, Bolívia, Uruguai e Paraguai é a agenda da democracia”. Já, segundo o subsecretário, “a política de Chávez caracteriza-se pelo medo e pela divisão”.

Assim, a política externa norte-americano busca aproximar-se da América Latina para conter os avanços de Hugo Chávez e, ao mesmo tempo, reduzir a rejeição externa e interna a guerra no Iraque.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

Entrevista exclusiva com o Senador e Ex-Presidente Fernando Collor de Mello (Segunda Parte)

In Entrevista on Julho 6, 2007 at 4:37 pm

Continuação da entrevista com o senador Fernando Collor de Melo (PTB-AL).

Arko América Latina – Há algumas divergências a respeito do Mercosul. O presidente Lula disse que continua empenhado nesse projeto, a Venezuela está prestes a ingressar efetivamente, mas países pequenos, como o Uruguai, dão sinais de que o modelo prejudica a economia do país e impossibilita acordos bilaterais muito mais vantajosos. Certamente, esse não era o propósito do Mercosul. Em que ponto o senhor acha que o Mercosul está errando?

Collor – Nunca pensei no Mercosul, na integração, como mera junção de capacidades econômicas, mas sempre considerei que o sucesso dessa obra teria como base a superação das diferenças culturais históricas e, como argamassa, uma visão conjunta e solidária de futuro, uma união para superar vicissitudes em período de profundas transformações no cenário internacional, simbolizadas pela queda do muro de Berlim. A integração que sempre almejei tem a paz como pressuposto. O governo venezuelano, que vem aumentando sua influência na Bolívia, Equador e Argentina, elevou o patamar de sua ação ao propugnar uma aliança militar no âmbito da Alba – Alternativa Boliviana para as Américas – e dedica-se, freneticamente, à aquisição de armas. Isso é um assunto que merece mais cuidado e avaliação por parte do Estado Brasileiro.

A.A.L. – O senhor acredita que o Mercosul vai ganhar um novo fôlego com a entrada da Venezuela ou será um indicativo de que o Brasil vai ter mais problemas com o país vizinho?
Collor – Acho que temos que ver essa questão com uma certa cautela, não gostaria de fazer comentários além do que já fiz.

A.A.L. – Fala-se muito, especialmente na imprensa latina, que
dois presidentes disputam a liderança no continente: Hugo Chávez e Lula. Ambos negam esse tipo de competição. Em que medida esse tipo de especulação melindra as relações diplomáticas de um país?

Collor – Neste caso especifico não vejo como uma disputa dos dois.

A.A.L. – A respeito da Bolívia, o senhor considera acertada a conduta pacífica do governo brasileiro?

Collor – O aspecto energético tem sido objeto de negociações em que o Brasil tem feito seguidas concessões às ameaças bolivianas. O próprio Presidente Lula tem orientado essas negociações e determinado à Petrobras que ceda às imposições da Bolívia – alegadamente para não desestabilizá-la. Declarações no sentido de que se trata de assunto afeto apenas à Petrobras não fazem sentido, inclusive porque as reuniões em La Paz têm como participantes executivos da empresa brasileira e membros do Governo da Bolívia. Por outro lado, a Bolívia tem contado com crescente apoio da Venezuela que aumenta, a cada dia, sua influência. Acho que a política externa brasileira, neste caso especifico, tem sido meramente reativa, o que prejudica o país.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

Entrevista exclusiva com o Senador e Ex-Presidente Fernando Collor de Mello (Primeira Parte)

In Entrevista on Julho 6, 2007 at 4:34 pm

Um dos personagens do processo de constituição do Mercosul, no começo dos anos 90, o ex-presidente Fernando Collor de Mello, hoje senador pelo PTB de Alagoas, vê com preocupação os rumos tomados pelo Bloco nos últimos anos. “Vejo esgarçado por dentro”, diz.

Para superar esse quadro, Collor defende a interconexão da infra-estrutura física regional e a correção das assimetrias existentes com economias menores, “dentro da estratégia que atenda aos interesses brasileiros e não às simpatias doutrinárias ou pressões conjunturais”.

Em entrevista à Arko América Latina, o senador critica o viés ideológico que domina à política externa do governo Lula e os novos critérios de seleção para o Instituto Rio Branco, centro de excelência na formação de diplomatas.

Arko América Latina – Como o senhor avalia a atual política externa do governo Lula?

Fernando Collor – Acho que tem algumas falhas, sobretudo em relação à América Latina. O viés ideológico tem preponderado e isso não é bom. Recentemente, ocorreram vários problemas advindos da concepção equivocada com que participamos das negociações comerciais multilaterais, na rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio. Isso não é bom para o país. Uma política externa baseada no realismo estratégico, na pura defesa dos interesses nacionais, contribuirá diretamente para a aceleração do desenvolvimento a que se voltam os esforços atuais do Governo.

A.A.L – Sobre a parceria que o Brasil tenta fechar com os EUA, o senhor a considera positiva?

Collor – Em princípio, todas as parcerias comerciais são positivas, mas temos que analisar bem o que está sendo oferecido. A questão do etanol é muito complexa e o Brasil deve ter muito cuidado para que o caso não vire um novo problema como o da borracha.

A A L – Quais problemas o senhor aponta como cruciais para a projeção da política brasileira?

Collor – Acho que ações de política externa têm efeitos de longo prazo, por isso devem ser pensadas com racionalidade e planejadas com cuidado e isenção. No caso de nosso entorno sul-americano, vejo com preocupação que passamos a ter política meramente reativa. Outro problema que vislumbro, este com conseqüências futuras, é com relação à preparação dos nossos diplomatas. Devemos manter a excelência da formação dos novos diplomatas e não aceitar concessões populistas. Refiro-me aqui às facilidades, como aumentar de forma brutal as vagas para o Instituto Rio Branco, e fazer com que as línguas estrangeiras sejam apenas classificatórias. Foram aprovados recentemente candidatos praticamente ignorantes, por exemplo, no idioma inglês – ferramenta de trabalho essencial para o diplomata.

A A L – Em recente audiência com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, o senhor disse que o Mercosul passou por uma descaracterização, que os propósitos do começo do Mercosul não foram alcançados, que era de união e paz entre as nações que o compunham. Em resposta, Amorim disse que esses propósitos ainda existem. O senhor acredita nisso?

Collor – A integração simbolizada pelo Mercosul começou, por ação precursora do Brasil, pela região sul do hemisfério, pela aproximação e busca de entendimento fraterno com países com os quais tínhamos, e logramos superar, problemas históricos: a Argentina, o Paraguai e o Uruguai. Aos entendimentos entre os Presidentes Sarney e Alfosin (Declaração de Iguaçu em 1985) fizemos seguir medidas de “confidence building”, mediante o acordo de criação da ABCC (Agência Brasileiro – Argentina de Contabilidade Nuclear) e do acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica que firmei em Viena, em 1991. A própria edificação de Itaipu, nos anos 70 e 80 foi, no fundo, também uma medida de construção de confiança, através do compartilhamento de recursos naturais para a produção energética. A integração demandou esforços comuns e superação de divergências. É processo longo e penoso, que se projeta no futuro, que não pode ser levianamente destruído. Tive a honra de firmar o Tratado de Assunção que criou o Mercosul, em 1991, e agora o vejo esgarçado por dentro. Sou favorável à iniciativa de interconexão da infra-estrutura física regional e à correção das assimetrias existentes com economias menores. Porém, dentro da estratégia que atenda aos interesses brasileiros e não às simpatias doutrinárias ou pressões conjunturais.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

ARGENTINA: O que levou a ser Cristina e não Nestor?

In Argentina on Julho 6, 2007 at 3:11 pm

Dando continuidade ao acompanhamento das eleições argentinas, a equipe Arko América Latina elaborou uma análise mais aprofundada a respeito dos motivos que levaram o presidente Néstor Kirchner a desistir de concorrer à reeleição cedendo espaço para senadora e primeira-dama, Cristina Kirchner.

Na estratégia do kirchnerismo não pode ser desconsiderado os efeitos da ampla vitória que Mauricio Macri conquistou para a prefeitura autônoma de Buenos Aires. Essa, mostrou que o eleitor argentino “comprou uma nova proposta”, na medida em que, rejeitou Telerman (atual prefeito) e não gostou da campanha negativa que Filmus realizou no segundo turno. Isso ocorreu, pois para a maioria do eleitor ( que não gosta de política), quanto menos agressiva for a campanha, mais simpática ela será. Atento a isso, Macri fez uma campanha propositiva, “conquistando o eleitor argentino” com propostas, evitando criticas. Isso lhe deu uma vitória com larga margem (20% de diferença), fato que assustou o kirchnerismo.

Dessa forma, caso Néstor Kirchner apresentasse a reeleição, ele seria um candidato “velho que tentaria ser vendido como novo”, por isso a escolha por Cristina Kirchner. Uma prova disso é o slogan: “Cristina, a mudança apenas começa” e a declaração do ministro do Interior, Aníbal Fernandez, dizendo que “ela significa a atualização das medidas políticas e econômicas”.

Isso é um indicativo de que as pesquisas internas do governo mostraram que a candidatura do presidente Néstor Kirchner possui “teto” e estava “cansada”. Isso ocorre, pois melhor que seja o governo, ele sempre sofre algum desgaste.

Com Cristina de candidata, ela pode ser apresentada como “mudança”, carregando o “bônus” da política econômica do governo Kirchner e escapando do rótulo do continuísmo. Além disso, uma parcela dos eleitores não conhecem totalmente ela, o que fará ela crescer mais (hoje,Cristina tem 46% de intenção de voto e Néstor Kirchner 50%). Isso dificilmente ocorreria com Kirchner (que 99% dos argentinos conhecem), podendo criar um espaço para uma candidatura de oposição crescer.

Também não pode ser desprezada a tendência de ascensão na política de mulheres em todo o mundo. Além disso, a Argentina tem o histórico de Evita, o que soma pontos para Cristina, mesmo que sejam personalidades políticas diferentes.

Com isso, teremos o seguinte quadro eleitoral na Argentina:

1)Cristina como a candidata da “mudança” com o governo do marido nas costas;

2)A oposição tentando ligar ela às coisas ruins do governo;

Porém, ao que tudo indica, ela escapará dessa ligação por ser “outra candidata”, ou seja, não é o presidente que está disputando o cargo novamente, e principalmente, porque terá a política econômica do marido para defender, deixando a oposição com poucas propostas alternativas para apresentar ao eleitorado.

Essa tendência dificilmente mudará, pois o eleitor tem algo concreto a seus olhos (a política econômica) e terá receio em mudar por algo “duvidoso” (as proposta que serão apresentas pela oposição).

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

Evento da Arko causa rumores no mercado

In Especial on Julho 5, 2007 at 4:13 pm

Não é América Latina mas vale ressaltar….

Matéria do Broadcast (Agência Estado) de hoje:
11:08 EVENTO DA ARKO ONTEM PODE TER REFORÇADO RUMOR SOBRE REUNIÃO COM BC

São Paulo, 5 – Um jantar promovido ontem à noite pela consultoria Arko Advice com um grupo numeroso de economistas de instituições financeiros pode ter contribuído para os rumores sobre uma reunião fechada do Banco Central com tesoureiros do mercado. Como o mercado financeiro está muito sensível, depois que o CMN decidiu, na semana passada, manter em 4,5% a meta de inflação para 2009, e sinalizou, após a reunião, que a meta do BC poderia ser de 4%, os rumores sobre possível encontro com o BC ontem levaram alguns profissionais a imaginar que o tema pudesse ser a meta de inflação.

Mas a Arko Advice informa que o tema do encontro não foi esse. Segundo o analista sênior da consultoria, Cristiano Noronha, um grupo de 18 economistas-chefes de instituições financeiras e alguns diretores de empresas participaram de um jantar ontem à noite, em Brasília, com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. O objetivo foi discutir a conjuntura econômica e política, como a agenda de reformas e a votação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

Noronha ressalta que é uma tradição da consultoria convidar personalidades do mundo político e econômico para discutir assuntos de interesse do mercado financeiro. “Já realizamos, por exemplo, encontros como esse de ontem à noite com a participação do Tarso Genro (ministro da Justiça), do Berzoini (ex-ministro da Previdência e do Trabalho)”. Ainda segundo Noronha, o ministro Paulo Bernardo confirmou a meta de inflação de 4,5% para 2009 e disse que pelo fato de seguir um regime de bandas (a inflação pode oscilar dois pontos porcentuais para cima ou para baixo) a meta poderá ser menor.

Após os rumores desencontrados de ontem, o que se tem de certo, segundo operadores, é que o BC entrou em contato com as mesas de operação dos bancos para convidar os diretores das tesourarias para um encontro amanhã, sexta-feira, em São Paulo, para tratar da circular 3351, que define uma das três medidas prudenciais de câmbio, anunciadas no dia 8 de junho, e que entrou em vigor na última segunda-feira. Segundo profissionais, o BC teria esclarecimentos técnicos a fazer sobre a medida. A assessoria de imprensa do BC, consultada esta manhã, ainda não confirmou a realização desta reunião.

(Sueli Campo e Lucinda Pinto)

MERCOSUL com ou sem Venezuela?

In Mercosul, Venezuela on Julho 5, 2007 at 3:14 pm

Chávez voltou a atacar o Congresso Nacional e foi além: deu um prazo de três meses para que a entrada da Venezuela no Mercosul seja ratificada pelo nosso Legislativo. O ultimato foi dado ontem na televisão venezuelana acompanhado de outros insultos e grosserias.

Tudo indica que o presidente venezuelano está arrumando uma desculpa para largar o Bloco. Ele sabe que o Congresso Nacional dificilmente vai se curvar às suas grosserias e ratificar o tratado no prazo dado.

Hugo Chávez usa suas grosserias para encobrir seus propósitos. Percebeu que a entrada da Venezuela no Mercosul vai limitar sua liberdade de fazer alianças e se intrometer na política dos outros países. Viu, ainda, que a liderança do Bloco nunca será sua e que o eixo Brasil-Argentina vai terminar prevalecendo.

Chávez também se decepcionou com os brasileiros. Não apenas pelas críticas que recebeu pelo fechamento da RCTV. Mas, também, com as resistências do país em relação ao Banco do Sul e pelas aproximações de Lula com Bush, por conta do etanol.

No pronunciamento de ontem, Chávez deu a pista de suas verdadeiras intenções ao declarar que deseja outro tipo de integração. Assim, o Mercosul – independente das resistências do Congresso brasileiro, não lhe serve.

Caso a Venezuela não ingresse no Bloco, as chances de o país voltar a ser membro da Comunidade Andina das Nacoes (CAN) aumentam, pois, ao contrario do Congresso brasileiro que critica o venezuelano, o governo colombiano, grande antagonista de Chávez no continente, vem fazendo muitos esforços para trazer a Venezuela de volta ao grupo andino.

Além disso, Chávez usaria o movimento para tentar ampliar a sua proposta Alternativa Bolivariana das Américas (ALBA), que, no momento, conta com apoio dos “poderosos”: Bolívia, Nicarágua, Equador e Cuba.

De certa forma, Chávez sabe que para concretizar o seu sonho de ver um grande Bloco latino-americano desenvolvido a seu modo, ele deve partir de uma matriz pré-estabelecida. Em princípio, pensou que essa matriz seria a CAN. Com o forte antagonismo da Colombia e a derrota de Ollanta Humala no Peru, mudou de idéia.

Pensou que a matriz poderia ser o Mercosul, levando-o a largar a CAN. A forte oposição do Congresso brasileiro e do Congresso paraguaio aparentam ser suficientes para que a CAN volte a ser a ponta de lança do processo de integração continental a La Chávez, assim como uma nova “venda de títulos” para possíveis novos sócios da ALBA.

O não ingresso da Venezuela representa um salto de qualidade do Mercosul. Sem Chávez, a credibilidade do Bloco aumenta. Para os empresários brasileiros que lucram com o comércio bilateral, o afastamento de Chávez do Brasil é uma péssima notícia.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

Constituinte? Só em dezembro…

In Bolívia on Julho 5, 2007 at 3:13 pm

Diante da impossibilidade de analisar os mais de 700 projetos que tramitam na Assembléia Constituinte da Bolívia que redigirá o novo texto constitucional do país, os partidos políticos acordaram a ampliação do prazo para a entrega da nova Carta Magna para dezembro.

Inicialmente prevista para estar pronta em 6 de agosto, essas dificuldades para a conclusão demonstram o impasse que vive o país.

Além dos problemas para redigir a nova Carta Magna, Morales enfrenta protestos dos departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando que querem mais autonomias, além da província de El Alto que rejeita a troca da sede do governo de La Paz para Sucre.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

Kirchner quer um novo partido

In Argentina on Julho 5, 2007 at 3:10 pm

Ontem, o governador da província de Mendoza, Julio Cobos, confirmou que foi convidado pelos kirchneristas para ser o vice da senadora Cristina Kirchner na disputa eleitoral de outubro. Cobos pertence a uma ala da UCR (União Cívica Radical) que nos últimos anos aliou-se ao presidente Néstor Kirchner. Desde estão eles têm sido denominados como os “Radicais-K”.

Também estão crescendo as especulações no país sobre a pretensão do atual presidente de criar um novo partido. Essa nova sigla vai reunir os peronistas progressistas, integrantes da UCR e os socialistas.

Sobre isso, Aníbal Fernández (ministro do Interior), confirmou que, a partir de dezembro, Kirchner “construirá um moderno partido político”.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

Paraguai insatisfeito com Venezuela

In Paraguai, Venezuela on Julho 5, 2007 at 3:08 pm

Recém-saído da presidência da Comissão de Relações Exteriores e Assuntos Internacionais da Câmara de Senadores do Paraguai, o senador Alfredo Osvaldo Augusto Ratti, do oposicionista PQP (Partido Pátria Querida), qualificou de “improcedentes e inaceitáveis” as declarações de Chávez.

“Há uma falta de respeito à soberania dos dois Congressos. Ele não pode nos impor prazos”, disse por telefone à equipe da Arko América Latina.

Segundo o parlamentar, o Presidente venezuelano vem criando animosidades entre os países inutilmente.

“Assim foi ao dizer que os parlamentares brasileiros são papagaios de Washington”, lembrou.
Questionado se é favorável ao ingresso da Venezuela no Mercosul, Ratti preferiu não se manifestar sob o argumento de que sua opinião discorda da posição do partido e que este tem uma conduta diferente da bancada de oposição da qual faz parte.

“Isso merece uma análise mais profunda”, ponderou.

O pedido de inclusão da Venezuela ao Mercosul chegou hoje à Câmara de Senadores do Paraguai. Pelas estimativas de Ratti, os integrantes da Comissão de Relações Exteriores e Assuntos Internacionais começam a apreciá-lo ainda esta semana.

(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

A Semana na América Latina

In América Latina, Artigos on Julho 2, 2007 at 1:47 pm

O principal assunto da semana que se inicia na América Latina, não é voltado necessariamente para a política. A Copa América de futebol, que reúne todos os países sul-americanos mais Estados Unidos e México se iniciou nesta semana na Venezuela. No entanto, apesar de ser um evento esportivo e, teoricamente, apartidário, a Copa América organizada por Hugo Chávez tem um forte componente político.Dentro de um estilo infinitamente menor, a Copa América na Venezuela muito lembra as Olimpíadas de Berlim em 1936, onde o então fuhrer alemão, Adolf Hitler mostrava ao mundo a capacidade de organização dos alemães. Sem querer comparar um líder com o outro, Chávez busca na Copa América mostrar a visitantes de todo o continente uma faceta amigável de sua revolução socialista.

O momento em que o torneio se inicia, não poderia ser melhor. Atordoado com as freqüentes manifestações estudantis, que entre outras coisas, ainda reclamam o fechamento da RCTV, a falta de mantimentos de primeira necessidade nos supermercados e a crescente onda de violência nas principais cidades do país, Chávez vê no evento a chance ideal de redirecionar o foco do país e “abafar” suas recentes crises. Há o risco de acertar um tiro no próprio pé. Os grandes gastos e a grande falta de organização do evento podem alertar não só os venezuelanos dos problemas estruturais da revolução, mas também os inúmeros visitantes e jornalistas que cobrem o evento no país.

Apesar de atrair os principais holofotes do mundo, a Copa América não é o principal acontecimento no continente. Para os peruanos, por exemplo, a Tratado de Livre Comércio (TLC) negociado com os EUA entra em uma fase crítica. Após as inúmeras recomendações e alterações propostas pelo Congresso norte-americano, de maioria democrata, os peruanos conseguiram ajustar os pontos necessários (principalmente no que refere a direitos trabalhistas e propriedade intelectual) e o TLC pode ser anunciado a qualquer momento da próxima semana. Este acontecimento representará uma grande vitória para o Presidente Alan Garcia, que temia não conseguir aprovar o Tratado quando os democratas venceram a maioria das cadeiras no Congresso dos Estados Unidos. Mesmo com o sucesso do serviço diplomático peruano em Washington, o Tratados com os EUA não é unanimidade no país. O principal rival político de Alan Garcia, o ultranacionalista Ollanta Humala, afirma frequentemente que este Tratado “escravizará ainda mais o povo do Peru nas mãos dos americanos”. Porém, essas palavras vêm se demonstrando vagas, já que uma grande parcela da população aprova o acordo.

Na vizinha Bolívia, a situação é bem diferente da que ocorre no Peru. O Presidente Evo Morales vem sofrendo com a possibilidade de não honrar seus compromissos de fornecimento de gás para Brasil e Argentina. No caso argentino, a situação é ainda mais grave, pois o país vive um grande racionamento de gás natural, e a situação para as indústrias que dependem do gás pode piorar caso a Bolívia fracasse no fornecimento. Na tentativa desesperada de evitar que o pior ocorra, Morales conclama as empresas estrangeiras situadas no país a aumentar o fluxo de investimento. No entanto, como a desconfiança é tanta, dificilmente uma empresa estrangeira aportará investimentos da ordem desejada por Morales. Ao seu melhor estilo, o líder boliviano ao invés de negociar a entrada de capital, ameaça essas empresas de expulsão caso elas não invistam em seu país. Algumas deverão ceder à ameaça de Morales, outras podem sair do país a qualquer momento, prejudicando ainda mais a situação econômica no país.

No México, o momento é voltado para o imenso debate em torno da reforma fiscal que o Presidente Felipe Calderón pretende implementar. O ponto polêmico é justamente a abertura para que empresas estrangeiras do setor de petróleo possam investir no país. No país, a estatal de petróleo, Pemex, é única na exploração, processamento e distribuição de combustível no país. Calderón identificou que este monopólio representará uma grande perda para a economia do país, caso não haja uma abertura para outras empresas entrarem no país. Alguns estudos elaborados pelo governo apontam que a Pemex não possui a estrutura técnica necessária para aumentar sua capacidade de exploração e atender o mercado doméstico e o dos EUA, seu principal cliente. A grande voz de oposição parte do Partido da Revolução Democrática (PRD), do ex-candidato presidencial Andrés Manuel López Obrador. Este acusa Calderón de querer se desfazer de um grande bem público mexicano (Pemex). No entanto, Calderón parece muito determinado a realizar a reforma fiscal e abrir o mercado para empresas estrangeiras. Essa atitude vem sendo muito elogiada na Europa e nos EUA, onde Calderón goza de um bom prestígio entre os líderes.

Por fim, a reunião de Cúpula do MERCOSUL se iniciará na próxima sexta-feira. O evento é marcado por algumas contradições e temas polêmicos. Certamente o principal assunto a ser debatido será à entrada da Venezuela no bloco. Uruguai e Paraguai são contra e acreditam que o bloco está “pulando etapas” para atingir rapidamente o ponto de União Aduaneira. A resposta venezuelana sobre as críticas referentes à sua entrada foi simplesmente de ignorar o evento. Hugo Chávez realizará no mesmo período visitas à Rússia, Bielorússia e Irã, com intuito de fortalecer suas relações diplomáticas e militares com esses países. Muitas especulações serão levantadas ao longo da próxima semana sobre a reunião. Acredita-se que será um “ataque contra defesa” onde o Brasil e Argentina tentarão justificar e convencer os demais membros sobre a entrada da Venezuela como sócio pleno. Se for uma reunião típica do “velho MERCOSUL”, podemos esperar uma grande agenda de indefinições. Resta saber se este “velho Mercosul” é melhor assim, ou o “novo Mercosul” como deseja Chávez será melhor.