Thiago de Aragao

Posts de Janeiro, 2007

VENEZUELA: PERSPECTIVAS PARA O PAÍS APÓS APROVAÇÃO DA LEI HABILITANTE

In Uncategorized on Janeiro 31, 2007 at 6:18 pm

Elaborado pela equipe da Arko América Latina
A Assembléia Nacional (AN) aprovou em sessão extraordinária realizada no Plaza Bolívar de Caracas a Lei Habilitante que dará plenos poderes para o presidente Hugo Chávez legislar durante 18 meses sem consulta a AN.
O executivo venezuelano poderá tomar decisões unilaterais nas seguintes matérias: participação popular; valores essenciais da função pública; setor econômico e social; finanças; tributos; segurança cidadã;; segurança jurídica e, por solicitação de Hugo Chávez, alterar nas matérias de hidrocarbonetos e derivados.
Agora, Chávez tem o interesse de que seja aprovada a reforma da Constituição com vistas a criar condições à implementação do Estado socialista. A partir desse momento, Hugo Chávez passa a ter plenos poderes.
Para completar o grande apoio popular que recebeu na reeleição, adquiriu “autorização” da Assembléia para tomar as decisões que achar mais relevantes, “desprezando o parlamento”.
Assim, estão estabelecidas as bases para o retorno das estruturas do “velho socialismo”, apresentado como “novo”.
O lado “velho” da esquerda foi confirmado no episódio envolvendo o cerceamento da liberdade de imprensa com a não renovação da concessão à RCTV.
O lado novo acaba se resumindo nos discursos anti-neoliberal que se tornou praxe da esquerda durante os anos 80 e 90.
(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

“Na Colômbia, privatizarei tudo!”

In Uncategorized on Janeiro 30, 2007 at 7:19 pm

Na geopolítica sul-americana, praticamente todas as atenções são voltadas para as ações venezuelanas e bolivianas e as reações brasileiras e argentinas. Poucos prestam atenção no comportamento político adotado pela Colômbia e pelo seu presidente, Álvaro Uribe.
Durante a posse do presidente equatoriano, Rafael Correa, jornalistas perguntaram ao colombiano se haveria chance de seu país adotar postura semelhante aos vizinhos, com a nacionalização. Uribe respondeu: “Na Colômbia, privatizarei tudo!”.
Essa resposta seria suficiente para gerar uma crise interna no país. Normalmente, na América Latina, privatização é relacionada com algo negativo, enquanto, nacionalização, com patriotismo. No entanto, não houve nenhuma manifestação contrária à postura de Uribe. Nem mesmo da oposição.
O crescimento do PIB em 2006 ficou novamente na casa dos 6%; o desemprego vem diminuindo e já está na casa dos 11% (comparado com os 17% de 2004); as exportações nunca tiveram tão bem e o nível de escolaridade vem aumentando consideravelmente.
O principal fator que inibe críticas é a segurança pública, cuja solução mudou o dia a dia do colombiano. Pela primeira vez, em décadas, o povo tem a sensação de estar mais seguro e pode vivenciar isto nas grandes cidades como Bogotá, Medellín e Cali.
Os indicadores sociais e econômicos da Colômbia são melhores que o de seu vizinho, a Venezuela. Historicamente, os colombianos acompanham a política venezuelana e vice-versa. O que ocorre no país bolviariano não atrai nem os colombianos das classes mais baixas.
O país, com todo o liberalismo de Uribe e as privatizações em vários setores da economia, parece contradizer com seus resultados o discurso bolivariano de Hugo Chávez.
Certamente, há uma ajuda forte dos Estados Unidos que colaboram para a estabilização política e econômica na Colômbia, porém não devemos esquecer que Chávez só consegue manter seu plano graças ao seu principal parceiro comercial: EUA.

Entre ser uma Bolívia ou uma Venezuela

In Uncategorized on Janeiro 30, 2007 at 7:14 pm

O presidente equatoriano surpreendeu aliados e opositores durante um discurso difundido por uma cadeia de rádio, sábado, em Quito.
Lutando para formar uma Assembléia Constituinte, Correa teme que a total falta de apoio do Congresso coloque seus planos por água abaixo.
Durante o discurso, Corra afirmou que não pretende “imitar as experiências de Bolívia, Colômbia e Venezuela, onde ditadores se apossaram do poder”. Aliado da Venezuela e da Bolívia, Correa nunca havia colocado os colegas no patamar de ditadores.
Podemos compreender, no entanto que Correa possui a “sorte” de observar dois cenários:
O primeiro, mostra o rumo equivocado tomado pelo presidente Evo Morales na Bolívia. A falta de sensibilidade para expor suas idéias e a luta incessante em uma Assembléia Constituinte que pode levar o país para uma guerra civil.
O segundo cenário configura o sonho de Rafael Correa. O presidente venezuelano Hugo Chávez segue com poder absoluto no Paes, controle da Assembléia Nacional e, frente a quem interessa, goza de certo prestígio internacional.
Vislumbrando essas duas possibilidades, Correa busca desvincular sua imagem à de Morales ou Chávez. Pelo menos até estabelecer um rumo mais claro para o seu governo.
Frente ás acusações do Congresso de que deseja se perpetuar no poder, Correa sabe que seu único grande trunfo é o apoio popular e, para manter esse apoio de forma sólida, a melhor postura é a postura independente.
Talvez sua relação com Chávez sofra um pequeno revés com esse comentário, mas no desespero de um governo que mal começou, Correa necessita mais do apoio do povo do que do apoio de Chávez.

Futuro turbulento para governo de Rafael Correa no Equador

In Uncategorized on Janeiro 27, 2007 at 3:26 pm

Desde que assumiu o governo do Equador, há duas semanas, Rafael Correa vem enfrentando uma série de problemas que poderão desestabilizar o seu mandato.
O radicalismo de algumas reformas que pretende realizar (como a nacionalização de várias empresas estrangeiras) levou o Congresso à torcer o nariz para o presidente.
Comandado pelo PRIAN, partido do candidato derrotado nas eleições presidenciais, Álvaro Noboa, o Congresso tem maioria fazendo oposição ao presidente.
Alguns pontos deverão ser observados com atenção, uma vez que o presidente está disposto a seguir em frente com seu projeto de “bolivarianização” do país:
1. A divergência entre o presidente e o Congresso poderá levar Correa à adotar uma postura mais radical, como tentar fechar o parlamento, pois Correa acredita que o forte apoio popular que possui é suficiente para pressionar o Congresso a apoiar suas medidas.
2. Por meio de manifestações populares, Correa tentará forçar uma Assembléia Constituinte, algo que o Congresso não cederá.
3. em contrapartida ao grande apoio popular que Correa possui, o parlamento tem influência sobre as Forças Armadas.
Ainda não há grandes riscos institucionais para o país, no entanto, caso Correa concretize suas ambições, o governo e o Congresso poderão entrar em rota de colizão.

Referendo sobre Constituinte boliviana trará mais conflitos

In Uncategorized on Janeiro 27, 2007 at 3:22 pm

O governo boliviano e a oposição acordaram que alguns artigos constitucionais que não sejam aprovados com maioria absoluta serão levados à consulta popular, por referendo.
Aparentemente, o acordo soa como um cessar fogo entre a oposição e o governo. No entanto, temos acompanhado uma constante manifestação popular polarizando os posicionamentos do governo e da oposição durante negociações.
O gesto de flexibilidade adotado pelo presidente Evo Morales, de aceitar um referendo para artigos que não obtivessem maioria absoluta, nada mais é do que mudar o campo de batalha.
O que temos é que, até então, as grandes discussões e divergências políticas em torno da Assembléia Constituinte eram negociadas no palácio e em gabinetes e, mesmo assim, causavam transtornos populares e geravam intensas manifestações contra, ou a favor do governo.
Caso o país seja obrigado a se dividir em votações controversas durante o referendo, a possibilidade de uma convulsão social de proporções ainda maiores poderá levar o país à guerra civil.

BOLÍVIA: EVO MONTA NOVO GABINETE PARA 2007

In Uncategorized on Janeiro 24, 2007 at 5:20 pm

Para o segundo ano de mandato, o presidente Evo Morales manteve nove ministros nos seus cargos e deu posse a sete novos colaboradores.
A tendência foi trazer para equipe homens mais à esquerda, que das comunidades indígenas. Três deles são ex-sindicalistas e dois são membros da ONG CEJIS
Os nomes são:
Alfredo Rada, para o Minisério do Governo (similar a Casa Civil);
Gabriel Loza Telleria , para o Desenvolvimento Sustetável;
Victor Cáceres, para a Educação e Culturas;
Walter Delgadillo Terceros, para o Trabalho;
Susana Rivero Guzman, para o Ministério do Desenvolvimento Rural e Agropecuário;
Celina Torrico Rojas, para a Justiça ;
Jeres Mercado Suárez, para o Ministério dos Serviços e Obras Públicas.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

EMBAIXADOR DOS EUA AFIRMA QUE CHÁVEZ QUER DIÁLOGO

In Uncategorized on Janeiro 24, 2007 at 5:06 pm

Durante a posse do Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, no último dia 10 de janeiro, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, teria manifestado interesse em melhorar seu relacionamento com os Estados Unidos.
A informação foi dada pelo chefe da diplomacia dos Estados Unidos para a América Latina, Tom Shannon. O diplomata americano afirmou: “durante o evento tive a oportunidade de conversar com Chávez e ele expressou seu desejo de melhorar as relações da Venezuela com Washington”.
Mesmo que na posse de Daniel Ortega tenha ficado evidente a influência que Hugo Chávez pretende ter na região, neste evento ocorreram dois fatos interessantes em termos de reaproximação política: o acerto dos presidentes do Equador e da Colômbia a respeito do problema diplomático envolvendo as fumigações com glifosato na fronteira de ambos os países e a conversa de Chávez com o embaixador americano visando restabelecer o diálogo com os Estados Unidos, mesmo com todas as diferenças de concepções políticas.
(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

Redução da pobreza e geração de empregos serão prioridades

In Uncategorized on Janeiro 23, 2007 at 6:04 pm

O presidente da Bolívia, Evo Morales, completou um ano de gestão na última segunda-feira num cenário conturbado. Diante disso, analistas políticos bolivianos foram unânimes em afirmar que “a redistribuição de renda no país, a luta contra a pobreza e a geração de empregos serão os desafios do segundo ano do governo de Evo Morales”.
O tema do emprego torna-se mais importante, inclusive, que o tema econômico, pois o governo precisa frear o fluxo de imigração existente hoje na Bolívia.
Por fim, afirmaram que “umas das tarefas do governo será estabelecer boas condições para atrair maiores investimentos privados”.
(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

Argentina obtém sentença favorável na Corte de Haia

In Uncategorized on Janeiro 23, 2007 at 11:39 am

A Argentina conseguiu uma sentença favorável na Corte Internacional de Justiça de Haia.
Por 14 votos a 1, a Corte rejeitou o pedido uruguaio ordenando à Argentina que levantasse os bloqueios sobre as pontes do rio Uruguai, as quais “constituem um vínculo crucial do comércio entre os dois países”.
A Argentina sustenta que “as plantas causarão danos ao meio-ambiente, afetando sua indústria turística”.
O resultado foi uma surpresa. Em ambos os países os indícios eram de que a sentença seria favorável ao Uruguai, razão pela qual o presidente Kirchner começava a adotar medidas na região para compensar sua possível derrota.
Agora o quadro muda totalmente e, com certeza, o presidente argentino utilizará do momento para trazer-lhe bônus políticos. Dificilmente, contudo, o Uruguai recuará. A tendência é de que situação permaneça como está e sejam buscadas alternativas depois que os fatos estiverem consumados, não podendo mais retroceder.
Assim, o uruguai construirá as plantas, e os orgentinos manterão o bloqueio até que se crie um novo impasse.
(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

Avaliação mensal do Uruguai

In Uncategorized on Janeiro 22, 2007 at 4:48 pm
Situação política e econômica
A situação política está estável. O presidente Tabaré tem conseguido manter sob controle os focos de oposição e garantido que o país avance em questões que lhes atingem mais incisivamente, como os problemas de política externa. A economia está estável e surge no horizonte um grande salto que pode ser dado com a assinatura do Tifa (Trade and Investment Framework Agreement) com os Estados Unidos, que todos acreditam ser um passo para a assinatura do TLC. Está ocorrendo um racha no governo graças ao TLC, mas nada que afete o controle que Tabaré Vasquez tem da equipe.
Ameaças domésticas
A situação está sob controle. Os problemas, no momento, estão concentrados em questões externas. A oposição está um pouco adormecida, mas matem sua articulação em torno do ex-presidente Júlio Sanguinetti que não retirou suas críticas em relação à forma como Tabaré tem conduzido seu governo. O debate mais significativo, no momento está em torno do dilema TLC, ou Mercosul. Alguns acham que será importante respeitar o Bloco, outros preferem arriscar no TLC.
Ameaças externas
O maior problema está na questão do Mercosul, pois os uruguaios não aceitam a forma como país tem sido tratado pelo grande do Bloco, principalmente o Brasil que tem ignorado suas reivindicações e não tomou posição com relação ao problemas das papeleiras. A questão dos bloqueios das pontes está em litígio internacional e o Uruguai aguarda o pronunciamento da Corte Internacional de Haia. O debate será transferido para o Rio de Janeiro, por mais que o presidente uruguaio negue que irá ao Brasil para discutir essa questão.
Prognósticos
A situação interna continuará estável. O presidente está mantendo a oposição e os rachas dentro do governo sob controle. Graças, principalmente, ao sucesso que tem obtido em relação ao contencioso com a Argentina. A tendência é de que o Uruguai ganhe em todas as instâncias nos pronunciamentos de Haia. O problema do Mercosul começa a adquirir contornos mais dramáticos. Os representantes do Bloco afirmaram que o Uruguai não poderá permanecer no grupo caso assine o TLC com os americanos. Talvez seja essa a razão pela qual o passo adotado seja a assinatura do Tifa, que segundo analistas uruguaios, não afetaria cláusulas do Mercosul. Internamente, o debate é mais favorável ao TLC. Até um líder que foi ex-guerrilheiro tupamaro, afirmou que o Mercosul não trouxe muitos acréscimos ao Uruguai, principalmente por culpa do Brasil, que não deu ao seu país o retorno adequado e não fez investimentos. A tendência é que o Uruguai prioriza o Tratado com os americanos, pois a simples alusão de que já estavam com o acordo encaminhado começou a levar investimentos estrangeiros para o país. O Mercosul terá de oferecer grandes compensações para que o Uruguai recuse a aproximação com os EUA.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

Avaliação política mensal do Peru

In Uncategorized on Janeiro 19, 2007 at 6:29 pm

Situação política e econômica
O presidente Alan Garcia sabe muito bem em que lugares do país ele é frágil. Desde que foi eleito, praticamente não deixou a região de Lima. Outras províncias, como a região da Floresta, são áreas onde Garcia não é bem vindo. Preocupado com sua imagem e buscando constantemente aparecer na mídia nacional, Garcia não viajará para certas regiões enquanto não conseguir forte apoio político local. A aproximação com Hugo Chávez resultará em vários acordos de cooperação técnica, no entanto não há risco de Garcia se transformar em mais um aliado de Chávez. Seu objetivo é, claramente, fortalecer-se internamente.
Ameaças domésticas
Alan Garcia tem a oposição do grupo de Ollanta Humala no Congresso. Algumas votações importantes em 2007 terão grandes dificuldades de serem aprovadas. A grande e freqüente exposição pública tem o objetivo de conseguir apoio popular para excutar futuras medidas populistas contra o Congresso. Economicamente, o país vai surpreendentemente bem. Com um crescimento que fechou 2006 perto da casa do 10%, o Peru tem tudo para melhorar em 2007, principalmente com o Tratado de Livre Comércio que está sendo finalizado com os EUA.
Ameaças externas
A crise sócio-política na Bolívia é a principal ameaça à estabilidade peruana. Há o temor de que indígenas peruanos envolvam-se em manifestações no caso de uma guerra civil no país vizinho. Ollanta Humala, líder indígena e nacionalista é muito próximo do presidente boliviano Evo Morales. Não se pode descartar à possibilidade de aproveitar-se da situação para promover o mesmo no Peru. Mesmo assim, a chance ainda é remota.
Prognósticos
É esperado que o crescimento econômico siga a mesma trajetória de 2006. Alan Garcia poderá adotar medidas mais populistas, voltadas para as comunidades carentes da região de Lima e assim obter o apoio popular que anseia.

Equador: declarar ou não declarar moratória?

In Uncategorized on Janeiro 18, 2007 at 6:24 pm


O ministro da Economia do Equador, Ricardo Patiño vem se mostrando como o integrante mais estratégico até o momento da equipe de governo de Rafael Correa. Homem de confiança de Correa, Patiño tem em suas mãos um país que vive uma situação financeira delicada.
Durante as duas últimas semanas, Patiño vem se reunindo com a sua equipe em longas reuniões para tentar encontrar saídas e soluções para o déficit estrutural do país e como encaixar as promessas de campanha de Rafael Correa.
Para tentar cumprir o que Correa prometeu, o ministro está disposto até a declarar moratória se for necessário. Para ele, o problema do país é “muito menos técnico e mais político”.
As propostas imediatas de Patiño são mais de caráter político do que técnico. Dada a situação financeira do país, com uma estimativa para 2007 com receitas de, aproximadamente, sete bilhões de dólares e os gastos de quase dez bilhões, podemos acreditar a moratória não esteja tão longe da realidade.
As primeiras propostas de Patiño são:
- Reduzir IVA de 12% para 10%;
- Aumentar bônus da previdência (a um custo de, aproximadamente, 200 milhões de dólares);
- Aumentar bônus de habitação (a um custo próximo de 100 milhões de dólares);
- Reduzir a tarifa elétrica para população carente;
- Iniciar o programa de micro-financiamento;
- Iniciar um programa de treinamento governamental para jovens estudantes (a um custo aproximado de 50 milhões de dólares).
No total, para cumprir as promessas de campanha, o governo de Rafael Correa precisará levantar algo em torno de um bilhão de dólares.
O processo de nacionalização poderá trazer os recursos necessários para esses investimentos. No entanto, até o processo ser finalizado, Correa deverá renegociar a dívida externa, ou, em caso extremo, declarar moratória para poder financiar suas promessas.

EQUADOR: RISCO-PAÍS CHEGOU AOS 827 PONTOS ANTES DA POSSE DE CORREA

In Uncategorized on Janeiro 16, 2007 at 1:58 pm


O Presidente do Equador, Rafael Correa, que tomou posse ontem sempre se caracterizou pela forte crítica ao Fundo Monetário Internacional (FMI), dentre outros organismos internacionais. Ele assumiu propondo o “enterro do neoliberalismo e o surgimento de um novo tempo na América Latina”.
Graças a isso, de acordo com anúncio do Banco Central equatoriano, o risco-país chegou a casa dos 827 pontos antes de Correa tomar posse.
(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

O Irã está chegando no continente!

In Uncategorized on Janeiro 15, 2007 at 5:32 pm

Na dúvida sobre a postura que deve adotar em relação aos EUA, o presidente nicaragüense Daniel Ortega parece ter tomado a direção de seu colega e aliado venezuelano, Hugo Chávez.
Foi firmado ontem em Manágua, capital da Nicarágua, um apoio de cooperação técnica entre o Irã e o país centro-americano. Segundo o líder iraniano “apoiaremos em tudo que podemos, já que temos interesses, aliados e inimigos em comum”.
Foram discutidos também os acordos que preveem investimentos no país, principalmente na área de infra-estrutura. Para completar, nas próximas semanas serão abertas embaixadas nas respectivas capitais.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

Aspectos que Garantem Bom Governo de Álvaro Uribe

In Uncategorized on Janeiro 15, 2007 at 11:41 am
Desde o governo de Ernesto Samper (1994-1998) que o Congresso colombiano adotou uma postura de “não colaboração” com o Executivo.
Tivemos ao longo desses anos várias situações nas quais o Congresso apoiou medidas e projetos enviados pelo Executivo, além de aprovar pontos importantes para o desenvolvimento do país.
O que ocorre na Colômbia não é muito diferente do que ocorre em outros países latino-americanos. A situação histórica do bipartidarismo, dividido entre o Partido Liberal e o Partido Conservador, impossibilitou o surgimento de novas forças partidárias no país.
Recentemente, o Pólo Democrático Independente (PDI) ensaiou ocupar o lugar de uma terceira força na Colômbia, no entanto, ainda é muito cedo para destacar sua real importância no cenário político colombiano.
O Congresso colombiano age de forma extremamente clientelista desde a Assembléia Constituinte de 1991. Na ocasião, o grande debate girava em torno do estrutura interna dos partidos políticos, se eram democráticas ou não, e como eram percebidos pelo Executivo, pelo Judiciário e, principalmente, pela sociedade.
Apesar de várias propostas para democratizá-los, o que foi realmente aprovado foi à manutenção dos dois grandes partidos do país (PC e PL) que ficaram totalmente livres de controle público para as práticas eleitorais.
O resultado foi à perda da identidade ideológica e o surgimento do personalismo. Esses partidos se tornaram cada vez mais caixas que abrigam políticos, os quais são maiores que a própria organização.
O que se seguiu foi a mudança de um Congresso dividido ideologicamente entre Liberais e Conservadores, para um clientelismo exclusivo entre o Executivo e políticos.
Nos olhos da população, a diferença entre Liberais e Conservadores saiu da diferença que havia entre ideologias e propostas, para se concentrar somente na composição do quadro político de cada um. Sendo que, muitas vezes, os políticos trocavam de partidos várias vezes em sua carreira.
Nesse quadro, é interessante entender como Álvaro Uribe consegue manter uma boa governabilidade do país e aprovar reformas essenciais para o desenvolvimento econômico e social.
Primeiramente, o apoio popular de Uribe inibe uma postura radical contrária da oposição dos Liberais.
Segundo, o país, finalmente, se uniu em torno de um objetivo muito claro: combater a guerrilha. Se em pontos econômicos e políticos os Liberais discordam de Uribe, na área da segurança, o apoio é irrestrito. Vale lembrar que o seu antecessor, o ex-presidente Andrés Pastrana, foi rotulado pela população como um fracassado no combate aos guerrilheiros.
Terceiro, Uribe foi muito inteligente em vincular vários atos de combate à violência com desenvolvimento da infra-estrutura na Colômbia. Por exemplo, para combater o alto índice de seqüestros em Bogotá, optou por reformar e transformar áreas tidas como perigosas em áreas de lazer, com boa iluminação e com bom convívio social.
Com os bons resultados provenientes das ações do presidente, a oposição não consegue vincular uma imagem negativa ao seu governo. A população, vendo a melhoria, ignora as afirmações dos Liberais de que certas medidas não são corretas, assim como ignora as acusações de corrupção no Executivo.
É importante ressaltar que, apesar do Partido Conservador do presidente Uribe ser maioria no Congresso, ele é dividido em várias facções que requerem uma constante negociação com a presidência.
Nesse ponto é possível verificar que o Congresso não o apóia baseado em convicções, mas, sim, em trocas de cargos divididos igualmente entre essas facções, gerando o aumento de verbas para parlamentares gastarem em suas residências eleitorais, dentre outras coisas.
A virtude do atual presidente foi se tornar confiável dentro do Partido Conservador, atendendo às necessidades de todos os grupos que o compõem.
Em relação aos Liberais, eles estarão sob controle enquanto a opinião pública estiver favorável. Qualquer queda seqüencial poderá abrir margem para acender o pavio e prejudicar o restante do mandato.

VENEZUELA: ROSALES PEDE MOBILIZAÇÃO DA OPOSIÇÃO

In Uncategorized on Janeiro 12, 2007 at 12:16 pm

Em declarações à imprensa local, o ex-candidato a presidente, Manuel Rosales (um dos principais lideres da oposição), afirmou ser necessário que se denuncie, perante a opinião pública, a intenção do atual mandatário do país, o Presidente Hugo Chávez, de se “perpetuar no poder”.
Segundo Rosales, a decisão de nacionalizar as telecomunicações e a energia elétrica, bem como a decisão de não renovar a concessão à Rádio Caracas Televisão (RCTV), indica que o atual governo deseja concentrar cada vez mais o poder.
(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

Brasil doa R$20 milhões ao Paraguai

In Uncategorized on Janeiro 11, 2007 at 12:26 pm

Foi divulgado pelo Palácio do Planalto, a doação de R$20 milhões para o Paraguai investir no seu sistema de aduaneiro. Segundo a nota de divulgação, o dinheiro servirá para “fomentar ações naquele país para a modernização da administração tributária e aduaneira e a redução dos desequilíbrios locais, principalmente, nas áreas sociais e econômicas, buscando melhor integração entre os países membros do Mercado Comum do Sul-Mercosul”

Mercosul deve substituir o dólar no meio de 2007

In Uncategorized on Janeiro 11, 2007 at 12:23 pm

Até o final do primeiro semestre de 2007, o mercado entre Brasil e Argentina deve começar a ser feito em Reais e Pesos, e não mais em dólares como atualmente. Isso deverá reduzir o custo de importações e exportações entre os países. O Banco Central do Brasil disse ainda não saber de quanto será o ganho, mas aposta que a iniciativa vai facilitar o comércio no Mercosul.

Alan Garcia, economicamente correto, politicamente confuso

In Uncategorized on Janeiro 9, 2007 at 7:03 pm
Comparado com o seu governo entre 1985 e 1990, Alan Garcia melhorou em pelo menos 50%. Em 1985, quando assumiu o mandato, o presidente foi capaz de errar decisivamente em cada um de seus cinco anos enquanto esteve à frente da presidência do Peru.
A forma como tratou com o Sendero Luminoso, grupo revolucionário de orientação maoísta, bem como a forma domo conduziu a economia, levou-o a equívocos que permitiram a instalação dade um governo quase ditatorial como o de Alberto Fujimori (1990 – 2002).
O retorno de Garcia ao poder se deu de forma curiosa. A população estava sem alternativas, pois o segundo turno da eleição presidencial peruana, em 2006, colocou frente a frente Ollanta Humala, o ultra nacionalista radical de esquerda, defensor do socialismo bolivariano e apoiado por Hugo Chávez, e Alan Garcia, um homem marcado pelo insucesso do governo de 1985 a 1990.
No entanto, algumas supresas estão ocorrendo. Após os primeiros meses à frente do governo. A economia peruana, surpreendentemente, passou a crescee ao rítmo de a 10%. A herança que o antecessor de Garcia, Alejandro Toledo, deixou foi de um Tratado de Livre Comércio com os EUA e uma confiança razoável do mercado financeiro no país.
A dúvida pairava sobre a habilidade que Garcia teria em conduzir a economia de forma semelhante, dar andamento ao TLC e manter a credibilidade que o mercado externo tinha no Peru.
Era uma dúvida consistente, pois havia o exemplo de um governo anterior fracassado e um mpartido, o Partido Aprista Peruano, que começou sua vida na extrema esquerda e hoje está na centro-direita.
A economia segue bem. O espantoso crescimento de 10% em 2006 está sendo previsto também para 2007. Investimentos externos continuam chegando e, por isso, o presidente não deseja alterar o que está funcionando.
Politicamente, contudo, sua postura está confusa. Está priorizando apublicidade e, por isso, está superexposto, algo que começa a lhe causar transtornos.
Recentemente, lançou a idéia de seguir o exemplo de Chavez e criar um programa de televisão similar. Uma espécie de “talk-show” semanal para comunicar-se diretamente com o povo.
As articulações com a oposição, o fraco apoio no Congresso, um comportamento ambíguo frente a Evo Morales e a instabilidade de opiniões em relação ao presidente eleito do Equador, Rafael Correa, são apenas alguns exemplos de como Garcia está confuso.
Até seu principal pesadelo nos anos 80, o Sendero Luminoso, parece voltar à cena e aproveitar-se da indecisão de Garcia. Há rumores de que está se reorganizando no sul do país, na fronteira com a Bolívia.
A sorte do presidente é que sua atual gestão não está reproduzindo o primeiro governo, embora a grande mudança, estabilidade e crescimento econômico, não decorram inteiramente de suas ações, mas de fatores que garantem um bom desempenho econômico.
Não fosse isso, teríamos hoje um regresso ao Peru dos anos 80. Um país em que o caos levou a uma “ditadura legitimada”, que durou doze anos.

COLÔMBIA E O INÍCIO DE 2007

In Uncategorized on Janeiro 8, 2007 at 5:44 pm
O ano de 2007 começará com grandes e importantes novidades na Colômbia. O crescimento do PIB de 7,7% demonstra que o planejamento econômico do presidente Álvaro Uribe vem funcionando como o esperado.
A Reforma do Imposto de Renda, que visa diminuir o valor dos tributos e manter em 15,8% a participação dos impostos na composição do PIB do país, deverá ser aprovada pelo Congresso já no início do ano.
A capacidade do governo em aumentar a coleta de impostos durante 2006, oferece uma margem para o Congresso diminuir a carga tributária no país. Logo, com a menor inadimplência, a receita aumentará sem o esperado aumento nos impostos.
Além do espetacular crescimento de 7,7%, vários outros indicadores da economia colombiana são positivos. As exportações do país aumentaram 10,5% no semestre em comparação com o mesmo semestre do ano passado e os investimentos aumentaram em 25%.
O crescimento do PIB por setores (aresentado por semestre em relação ao mesmo semestre do ano passado):
Agricultura: 5.93%
Mineração: 3.28%
Eletricidade, gás e água: 3.51%
Manufaturados: 13.30%
Construção: 18.96%
Comércio: 11.53%
Transportes: 7.52%
Serviços Financeiros: 2.40%
Serviços Sociais: 1.49%
Fonte: Econcept
No campo político, algumas decisões surpreendentes de Uribe poderão gerar um efeito dominó. A decisão de convidar o ex-presidente da República, César Gaviria para uma série de reuniões sugere um possível convite ao Partido Liberal, do qual Gaviria é o presidente, para se juntar à coalizão uribista. A escolha é difícil para os liberais. Se por um lado eles voltam a ter um papel de importância no governo, por outro eles se enfraquecem para enfrentar o sucessor de Uribe (ainda não definido) em 2010.
A escolha de participar da coalizão é a mais sensata já que o único argumento de Gaviria contra o governo de Uribe é a crítica na estratégia tomada contra os paramilitares. No entanto, Gaviria é o presidente mais criticado na história recente colombiana justamente pelo seu tratamento aos paramilitares. Caso a coalizão se formalize, Uribe praticamente garante a maioria do Congresso ao seu lado e poderá governar com mais tranqüilidade.
O julgamento de cinqüenta líderes paramilitares é outro tema de preocupação para o governo. Nunca na Colômbia, tantos líderes paramilitares foram julgados ao mesmo tempo. O temor de uma forte represália é grande. O senador Gustavo Petro, forte opositor de Uribe, alertou o presidente sobre os riscos de atentados que este poderá sofrer com as seqüências dos julgamentos.
O enfraquecimento dos paramilitares já é visível no país. Os julgamentos geraram um fato curioso entre a população. Vários cidadãos, voluntariamente, estão afirmando que em algum momento de suas vidas colaboraram financeiramente com os paramilitares.
O gesto, representa não só um arrependimento, mas uma demonstração de apoio à política adotada pelo governo. A quantidade de confessos é tão grande, que a Justiça do país não terá como punir tantas pessoas. No entanto, é visível que cada vez mais a população sente os efeitos positivos das ações do governo contra o terrorismo.
Para 2007, deveremos ter nossas atenções em alguns pontos específicos da política colombiana. São temas que se, devidamente acompanhados, nos permitirá avaliar melhor como o país se comporta.
A negociação com os paramilitares é de grande importância. A sensação que o governo transmite à população durante as negociações é vital para medir o nível de apoio do povo à Uribe. Caso avance positivamente, Uribe se fortalece sobremaneira.
A identificação dos congressistas investigados pela Suprema Corte por ligações com os paramilitares também será decisivo para a estabilidade do governo. Caso a maioria dos congressistas sejam uribistas, a oposição terá grandes argumentos contra a legitimidade da luta contra os paramilitares. Caso a maioria seja da oposição, Uribe ganhará mais respaldo político e capacidade de barganha com oposicionistas.
Adiante, as eleições provinciais e municipais serão uma espécie de termômetro que Uribe precisa ter. A reação popular sobre suas medidas econômicas, bem como sobre as medidas para a segurança pública serão refletidas nessas eleições.
Com relação ao comércio exterior será necessário observar a finalização do Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos. Apesar de ainda faltar a ratificação do Congresso norte-americano e da Suprema Corte colombiana, o TLC está praticamente fechado.
O lado ruim vem da Venezuela. Como forma de “retaliação” contra o TLC com os EUA, Hugo Chávez poderá aumentar a tarifa de algumas exportações colombianas no país. A Colômbia é um dos maiores exportadores para a Venezuela, principalmente de manufaturados.
As relações com o Equador também merecem uma cuidadosa atenção no começo de 2007. Historicamente, os países cultivaram uma boa relação. Com a vitória de Rafael Correa no Equador, a Colômbia poderá se ver “cercada” de países hostis à sua política de aproximação com os EUA.
As recentes fumigações colombianas na fronteira com o Equador ajudaram a azedar as relações entre Uribe e Correa. Teme-se que a fronteira entre os dois países se torne um santuário para paramilitares colombianos.
Apesar de tantas preocupações, as perspectivas de 2007 para o país são boas. Mantendo os investimentos na segurança pública e na batalha contra o terrorismo/narcotráfico a Colômbia se torna cada vez mais um país atraente para investimentos externos.
A estabilidade da economia, aliada ao seu forte crescimento continuará trazendo ao país empresas estrangeiras que tradicionalmente se instalariam no Brasil.

OS DILEMAS GEOPOLÍTICOS DA AMÉRICA LATINA EM 2006

In Uncategorized on Janeiro 5, 2007 at 9:33 am
* Artigo de minha autoria publicado pela Agência Estado de São Paulo no dia 26/12/2006

O ano eleitoral na América Latina agravou o quadro de incertezas existentes na região e reconfigurou o posicionamento geopolítico de alguns países. Algumas mudanças foram radicais, como na Bolívia, que viu surgir o primeiro Presidente indígena de sua história. O Chile viu a primeira mulher democraticamente eleita da América Latina chegar à Presidência, enquanto a Colômbia presenciou o fortalecimento de Álvaro Uribe, um líder engajado no combate à guerrilha e ao narcotráfico. O Peru viu o retorno do passado com Alan Garcia, ex-Presidente do país entre 1985 e 1990. O México teve um dos casos mais peculiares: Lopez Obrador simplesmente não aceitou a vitória de Felipe Calderón. Sua decisão? Proclamar-se Presidente paralelo do país, com faixa e tudo.

A afirmação de que houve uma “esquerdização” generalizada na América Latina, no entanto, é muito ampla e corre o risco de ser injusta com quem não quer se comprometer com essa avaliação. Até mesmo porque a esquerda de hoje não é exatamente a esquerda dos anos 50, por exemplo.
Uma leitura superficial poderia avaliar que a América Latina está dividida entre vermelhos (Venezuela, Equador, Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Brasil, Uruguai, Argentina, Nicarágua, Cuba) e azuis (Colômbia, Paraguai, Costa Rica, México e o restante da América Central). No entanto, as distinções são muito mais complexas do que isso.
Com a nova configuração definida pelas eleições em dez países, iniciadas em dezembro de 2005, a América Latina gerou diversas facetas, e muitas delas se adaptam conforme a situação. O continente vive um quadro onde o discurso, muitas vezes, não bate com a prática de governo. Ou melhor, é um jogo de cena que inclui populismo, assistencialismo, demagogia e factóides – muitos factóides. Aqui e ali, como no caso da Bolívia com o Brasil, o discurso se transforma em ações de cunho radical e ao estilo do esquerdismo do passado.
O importante é saber que a nova composição determinou a existência de vários subgrupos no continente. Há o grupo nacionalista, populista, pseudo esquerdista, estatizante e defensor do “bolivarianismo”, formado por Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua. Há o grupo pró-EUA, focado principalmente na política doméstica e em reformas estruturais, composto por Colômbia, Paraguai e México, e o grupo independente, que “dança conforme a música”, faz alianças somente pela conveniência do momento e cujas ações externas visam fortalecimento político doméstico, formado por Argentina e Peru. Por último, há o grupo ultra-independente, que busca crescimento econômico e cuja política externa é voltada para esse crescimento, e que busca parceiros e acordos com países desenvolvidos. Fazem parte desse grupo o Chile e o Uruguai.

VENEZUELA
Eleito em 1998, Hugo Chávez se tornou o principal articulador da geopolítica latino-americana. O Brasil, auto-proclamado líder da região, assumiu fielmente o papel de líder virtual enquanto Chávez dá as cartas. Podemos discordar ou aprovar a postura de Hugo Chávez, mas de fato, toda a ordem política sul-americana foi afetada e alterada desde o seu surgimento.

Na recente eleição presidencial, Chávez mostrou ser um líder com carisma para ganhar com boa folga de um candidato forte como Manuel Rosales. Seu governo vem sendo aprovado pela grande maioria da população, que vem legitimando sequencialmente os gestos e atos de Chávez. Ironicamente, sem a alta do preço do petróleo Chávez perde seu valor como articulador e, consequentemente, perde força dentro e fora de seu país. Chávez depende mais do que nunca que seu principal parceiro econômico, os EUA, continue em guerra no Iraque e mantenha o preço do barril da commodity nas alturas.

BOLÍVIA
Financiado e tutorado por Hugo Chávez, Evo Morales nacionalizou seus campos de extração de gás e petróleo, surpreendeu Lula e o governo brasileiro, está desapropriando propriedades de fazendeiros brasileiros e corre o risco de desencadear a primeira guerra civil sul-americana em muitos anos. As Províncias de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija se declararam autônomas e, dependendo do “empurrãozinho”, podem se declarar independentes, fundando a “Nação Camba”. Morales perderia o controle dos dois lados.

Seus eleitores, majoritariamente indígenas, estão impacientes com a demora no cumprimento das promessas de campanha (nacionalização total e recuperação da saída ao mar perdida para o Chile no final do século XIX). A oposição cogita impedir decisões da Assembléia Constituinte (que julga ser ilegal) e ameaça chegar ao extremo de dividir o país. Morales representa um nacionalismo étnico cuja única semelhança com a esquerda é a estatização desenfreada e o ódio ao capital.

EQUADOR
O Presidente eleito Rafael Correa deverá ser o presidente do grupo bolivariano mais pragmático em relação ao Presidente norte-americano George W. Bush. No entanto, Correa não deverá firmar o Tratado de Livre Comércio que vinha sendo negociado pelo seu antecessor Alfredo Palácios. Formado em Economia nos EUA, Correa venceu de forma surpreendente o magnata das bananas Álvaro Noboa e se tornou o mais novo aliado político de Chávez e Morales.

Correa, no entanto, prefere não radicalizar como seu vizinho boliviano. A transição de governo vem ocorrendo de forma tranqüila. Ao contrário de outros presidentes equatorianos do passado recente, Correa terá muito mais sustentação política para ousar. Considerado um estrategista, poderá proporcionar uma sensação de estabilidade institucional maior do que a do seu antecessor.

NICARÁGUA
A vitória do candidato sandinista Daniel Ortega sobre o candidato preferido de Washington, Eduardo Montealegre, marca o retorno dos sandinistas ao país. Apoiado por Hugo Chávez, Ortega será a voz do “bolivarianismo” em terras americanas, já que a América Central é decisivamente influenciada pelos EUA.

No entanto, o apoio que Chávez poderá ter da Nicarágua é meramente moral e de menor carisma do que o oferecido por Cuba. Mesmo sem o apelo de Castro, a relação com Ortega poderá viabilizar a criação de um novo canal ligando o Atlântico ao Pacífico para rivalizar com o canal do Panamá.

COLÔMBIA
A eleição presidencial na Colômbia foi um passeio para Álvaro Uribe. A vitória com mais de 60% nas urnas consolidou sua posição como um dos principais líderes políticos da América Latina. Se não houvesse tanta preocupação com a guerrilha e o narcotráfico em seu país, Uribe seria o único capaz de confrontar Chávez na composição de alianças na geopolítica latino-americana.

Em seu primeiro governo a segurança no país melhorou muito. Em seu segundo governo, além da intensificação da luta contra o narcotráfico, Uribe focará na atração de investimentos e desenvolvimento da indústria tecnológica e farmacêutica. O papel de principal aliado dos EUA na América do Sul rendeu ao governo um aparato militar de fazer inveja e incentivos suficientes para bancar projetos urbanos de segurança pública. Algumas empresas que viriam para o Brasil poderão mudar de rumo e, graças aos incentivos, ir para a Colômbia.

PARAGUAI
O governo paraguaio vive o drama da intensidade que a briga entre governo e oposição assumiu. Com uma base de apoio fraca e sem apoio do Senado, o Presidente Nicanor Duarte Frutos necessita negociar com seus inimigos diariamente para que o governo siga caminhando, mesmo que seja a passos de formiga. Tido como o país mais corrupto da América do Sul, as picuinhas entre instituições do governo e lideranças políticas atrasam ainda mais o desenvolvimento do país. Contrabando e pirataria são venenos que estão longe de serem combatidos.

A aliança com os EUA ainda não se desenvolveu comercialmente como o governo espera. Aliás, a simpatia de Duarte Frutos com os EUA vem sendo uma das razões pelas quais o Senado não apóia suas decisões. A oposição pressiona para que Duarte Frutos reveja o contrato da Itaipu com o Brasil, para que o Paraguai possa comercializar o seu excedente de energia.

MÉXICO
O Presidente eleito Felipe Calderón venceu a eleição mais confusa do ano. Após várias denúncias de fraude, a Justiça Eleitoral decretou vitória de Calderón sobre o candidato esquerdista, apoiado por Chávez, Andres Manuel Lopez Obrador. Este, por sua vez, se recusou a aceitar a derrota e se proclamou “legítimo Presidente do México”. O gesto infantil foi acompanhado por milhares de manifestantes que o apóiam incondicionalmente.

Logo, o primeiro desafio de Calderón está lançado. Será preciso garantir a legitimidade de suas decisões sobre o Congresso (o partido de Obrador, o PRD, é a segunda maior bancada), responder às expectativas da população em torno do desenvolvimento social e garantir um bom desempenho econômico. Para isso, Calderón trouxe o ex-diretor do FMI Agustín Carstens para liderar uma equipe econômica que é considerada a mais forte e intelectualizada da história mexicana.

ARGENTINA
Nestor Kirchner é o Presidente de comportamento mais curioso entre os líderes latino-americanos. Seu projeto de poder é ser o grande líder argentino e perpetuar seu tempo no poder – uma espécie de novo Perón. Para isso, Kirchner “torce para quem está ganhando”. A Venezuela voltou a ser a menina de seus olhos após várias turbulências desde 2002. Kirchner percebeu que Chávez representa carisma e que esse carisma pode trazer resultados domésticos.

No que diz respeito à campanha presidencial de 2007, Kirchner ainda não tem concorrentes prontos. Seu maior inimigo é o próprio partido, que está dividido assim como a oposição. Os gestos políticos de Kirchner, principalmente em sua política externa, são voltados para fortalecê-lo internamente e apenas isso. Às vezes ele acorda sendo “direita” e dorme na “esquerda”. Morales, a quem tanto criticou quando nacionalizou a YPF-Repsol, virou o segundo melhor amigo de Kirchner. Hoje a Argentina planeja investir mais na Bolívia do que o Brasil.

PERU
O novo Presidente peruano Alan Garcia foi o que assumiu o cargo com menos prestígio entre os presidentes eleitos na América Latina. Presidente do país entre 1985-1990, Garcia é mais conhecido pelos escândalos de corrupção e por ter arruinado a economia do país no período. Sua escolha como mandatário máximo do país foi a única alternativa que o povo tinha para não eleger o ultranacionalista Ollanta Humala.

Sem apoio da população, Garcia começou uma grande guerra verbal com Chávez, que foi rapidamente silenciada quando Chávez afirmou ter interesse em fazer acordos petrolíferos com o Peru. No entanto, o Peru vem garantindo um bom desempenho econômico e poderá terminar o ano com crescimento do PIB acima dos 6% esperados.

CHILE
Michelle Bachelet foi eleita em dezembro de 2005 com 56% dos votos contra 47% de Joaquín Lavín. Socialista histórica, Bachelet evolui como poucos em sua concepção sobre esquerda e direita. Explorando os mecanismos do capitalismo e investindo pesado em desenvolvimento social, Bachelet é uma das únicas representantes, de fato, da Terceira Via de Anthony Giddens.
Apesar de ter tido alguns problemas de acusações de corrupção entre membros da coalizão de governo, a Concertación, Bachelet ostenta uma excelente aprovação (mais de 52%).

O crescimento do país está no mesmo patamar dos anos anteriores, entre 5 e 7%. A única preocupação é o abastecimento de gás natural, já que os argentinos estão relutantes em repassar parte do gás que é comprado da Bolívia. Como quase 60% das indústrias chilenas são dependentes de gás, o país corre risco de um blecaute.

URUGUAI
Ao lado de Álvaro Uribe, da Colômbia, o uruguaio Tabaré Vazquez é o único verdadeiro social-democrata do continente. O Tratado de Livre Comércio que vem sendo negociado com os EUA é uma clara afirmação de descontentamento com o Mercosul. O país sofre com o desemprego, que é apontado pela população como o principal problema da gestão de Vazquez.

Porém, o problema que vem ganhando proporções gigantescas no país é o embate com a Argentina em torno das fábricas de celulose. Duas empresas estrangeiras (uma espanhola e uma finlandesa) resolveram trazer o maior investimento privado já feito na história do Uruguai. Localizado à beira do rio Uruguai, as fábricas foram aprovadas em todos os testes ambientais, mas a população do lado argentino do rio se revoltou e desde então bloqueia todos os meio de acesso ao Uruguai provenientes da Argentina. Apesar de negociar firmemente, Vazquez encontra dificuldades em convencer os argentinos.

BRASIL
O Brasil está no mesmo grupo ultra-independente do Chile e Uruguai, que busca crescimento econômico e cuja política externa é voltada para esse crescimento, apoiado na busca de parceiros e acordos com países desenvolvidos.

Visivelmente perdido em sua política externa, o Brasil se omitiu de uma mediação entre dois membros do Mercosul (o confronto em torno das fábricas de celulose entre Uruguai e Argentina), facilitou e não reagiu a Evo Morales quando este ameaçou o fornecimento de gás ao Brasil e negou mediação quando o colombiano Álvaro Uribe requisitou ajuda para um conflito diplomático entre Colômbia e Venezuela. Além disso, faltou reação adequada quando Nestor Kirchner suspendeu a entrada de eletrodomésticos brasileiros na Argentina. Nossa liderança virtual encontrará uma América Latina ainda mais confusa e com maior poder de nos afetar em 2007.

Terceira (e última) parte da Exclusiva entrevista com o ex-Ministro das Relações Exteriores de FHC, Luis Felipe Lampréia

In Uncategorized on Janeiro 4, 2007 at 2:54 pm
A Arko América Latina realizou uma entrevista exclusiva com o ex-Ministro das Relações e Exteriores e embaixador Luiz Felipe Lampréia sobre a conduta do Itamaraty em alguns temas específicos e sobre a condução geral da política externa brasileira no governo de Luís Inácio Lula da Silva.
Segue a terceira parte da entrevista:
AAL: Senhor Ministro, em sua opinião, qual deve ser deve ser a política externa brasileira do próximo governo, definindo o posicionamento em relação aos EUA e a Europa?
Lampréia: A ênfase da política externa deve continuar a ser a América do Sul, mas é preciso voltar a enfatizar nossas relações com o Primeiro Mundo.Por exemplo,um acordo comercial com a União Européia é hoje nossa melhor carta na área comercial. Acho também muito oportuno desenvolver nossas relações com os países emergentes mais significativos como a Índia, a China e a África do Sul, sem buscar a formação de blocos ou destacar uma postura terceiro-mundista.
AAL: Quais passos seriam necessários para configurar uma política externa pró-ativa em relação à América Latina, especificamente na América do Sul?
Lampréia: Já temos uma base institucional forte para uma política de aproximação sul-americana.É necessário agora aprofundar a integração tornando realidade os propósitos já enunciados nas declarações políticas.
AAL: Devemos manter uma pretensão e posicionamento de potência média?
Lampréia: Sim , este é o nosso enquadramento internacional ,pelo menos enquanto não superarmos nosso déficit social e não voltarmos a crescer a taxas elevadas.O objetivo Brasil- grande potência não pode ter prioridade até atingirmos estes objetivos.

Segunda parte da entrevista Exclusiva com o ex-Ministro das Relações Exteriores, Luis Felipe Lampréia

In Uncategorized on Janeiro 3, 2007 at 6:49 pm
A Arko América Latina realizou uma entrevista exclusiva com o ex-Ministro das Relações e Exteriores e embaixador Luiz Felipe Lampréia sobre a conduta do Itamaraty em alguns temas específicos e sobre a condução geral da política externa brasileira no governo de Luís Inácio Lula da Silva.
Segue a segunda parte da entrevista:
AAL: Senhor Ministro, como a globalização deve ser encarada e incorporada por um país que tem as dimensões econômicas e as desigualdades como as nossas?
Lampréia: Penso que o Brasil é dos países mais bem situados para beneficiar-se da globalização.O nosso desafio consiste em modernizar sempre mais nossa economia,a exemplo do que ocorreu espetacularmente com a agroindústria nos últimos vinte anos , e enfatizar a educação.
AAL: Senhor Ministro, hoje, o centro estratégico da América do Sul migrou para a Venezuela. Qual deveria ser a política externa brasileira para o continente e especialmente para a América do Sul, levando-se em conta a questão Hugo Chavez e a projeção de poder venezuelana?
Lampréia: Não creio que o centro estratégico da América do Sul tenha migrado para a Venezuela.Existe um ativismo da parte de Chavez ,que por vezes tem um efeito de bumerangue ,como se viu em diversos países.
O Brasil não precisa disputar uma liderança regional com a Venezuela, mesmo por que o protagonismo de Chavez funda-se numa conjuntura de preços altos de petróleo que não vai durar para sempre.
O papel que nos cabe é o de utilizar a amplitude de nosso mercado para promover a integração comercial,energética e de infra-estrutura da América do Sul, de modo que se criem situações duradouras e vantajosas para todos.
AAL: Senhor Ministro, o senhor já havia manifestado que o processo de
integração deve ser sempre considerada como forma de melhor incorporar
os efeitos da globalização, uma vez que dá maior capacidade de barganha para o poder nacional. Como o senhor concebe um processo de integração na América do Sul levando-se em conta que já temos, o projeto ALCA, o projeto ALBA, o MERCOSUL, dentre outros?
Lampréia: Creio que apenas um Mercosul revigorado pode constituir a plataforma central da integração regional.A ALCA não é mais uma alternativa realista ,especialmente depois da vitória dos democratas nas eleições parlamentares americanas.A ALBA é apenas um exercício ideológico. É preciso notar que ,de todo modo, seja pela expansão das trocas, seja pelo investimento direto entre países latino-americanos, ou pela ação das empresas multinacionais, a integração comercial já vai ocorrendo velozmente, como atestam as cifras do intercâmbio.